«A narrativa da vida do nosso Rui não terminou»

Futebol 19-10-2019 13:28
Por Redação

Em comunicado, a família de Rui Jordão agradece a todos os que, direta ou indiretamente, «acompanharam, apoiaram e, acima de tudo, compreenderam» o malogrado internacional português, que faleceu, sexta-feira, devido a problemas cardíacos. Tinha 67 anos.

 

«A narrativa da vida do nosso Rui não terminou. Tal como nunca terminam as narrativas daqueles que transcenderam as glórias mundanas, a favor da contemplação humanista – figura pública, ou não», lê-se.

 

Por desejo do próprio, não haverá lugar a exéquias.

 

Comunicado na íntegra:

 

Comunicado da família do Dr. Rui Manuel Trindade Jordão

Artista Plástico

 

As lágrimas do mundo são uma constante quantitativa: para cada um que começa a chorar, há um que pára de o fazer.

 

Samuel Beckett, À espera de Godot

 

Não vimos aqui, na verdade, comunicar nada. Não há nada de novo a comunicar. Quase antes de sermos informados, já a notícia corria na imprensa, nas redes sociais, no boca-a-boca... Rui Jordão faleceu esta manhã. O que a imprensa, as redes sociais e o boca-a-boca não sabem é quem, de facto, era o Rui Jordão. Mas isso, se não se importam, fica para quem teve o privilégio incrível de privar com ele, de o conhecer para além da figura pública. Num momento em que a perda de um ente querido nos fragiliza, comove-nos, acima de tudo, o facto de percebermos que mais pessoas do que pensávamos sabem, na alma, que o Rui Jordão era – e sempre foi – muito mais que um dos melhores jogadores de futebol portugueses do século XX. Neste momento em que nos confrontamos com a brutalidade irónica da existência, vimos, aqui, agradecer a todos os que, directa ou indirectamente, o acompanharam, o apoiaram e, acima de tudo, o compreenderam. A narrativa da vida do nosso Rui não terminou. Tal como nunca terminam as narrativas daqueles que transcenderam as glórias mundanas, a favor da contemplação humanista – figura pública, ou não. Respeitando profundamente as suas intenções – sempre coerentes –, não haverá lugar a exéquias. A cada um a sua homenagem pessoal, profissional, ou pública. Não esqueçamos, no entanto, que, lá por não acabar a Primavera por morrer uma andorinha, certamente a Primavera ficará mais pobre...

 

O PINTOR: O escadote fica bem neste lugar?

FILIPE R T: Resulta melhor sem ele.

O PINTOR: O escadote fica bem neste lugar!

 

Dr. Rui Manuel Jordão

Ler Mais
Comentários (4)

Últimas Notícias