Acionistas querem travar aumento salarial de Frederico Varandas

Sporting 21-09-2019 19:59
Por Redação

Numa carta enviada ao presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Bernardo Ayala, um grupo de acionistas do clube veio pedir que o ponto que prevê o aumento salarial para os membros da administração do clube seja retirado da ordem de trabalhos da próxima reunião magna.

 

Consideram os acionistas que, «independentemente da legalidade ou não da proposta, o mais basilar bom-senso aconselharia à escusa de Frederico Varandas, Francisco Salgado Zenha e João Sampaio de se pronunciarem sobre esta matéria por claro conflito de interesses. Por ética e sobretudo por dignidade não é possível ser juiz em causa própria».

 

Eis o comunicado na integra:

 

«21 de setembro de 2019

Assunto: Assembleia Geral da Sporting SAD – Acionistas exigem retirada da proposta de aumento salarial para Presidente e Administradores da Sporting SAD

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Geral da Sporting SAD, Bernardo Ayala,

aceite, em primeiro lugar, os nossos cordiais cumprimentos.

Somos um grupo de acionistas que se fará representar na Assembleia Geral da Sporting SAD, do próximo dia 1 de outubro.

Apesar de, em sede própria, irmos pedir explicações dos pontos 4 e 5 da ordem do dia – Proposta de Aumento das Remunerações do Presidente e Administradores da Sporting SAD, vimos desde já:

1. Exigir a retirada imediata dos pontos 4 e 5 da ordem do dia – Proposta de Aumento das Remunerações do Presidente e Administradores da SAD. a. O maior acionista da Sporting SAD, que decide o aumento das remunerações de Presidente e Administradores, é representado na Assembleia Geral da Sporting SAD, pelo próprio Presidente e Administradores. Ou seja, teremos o Presidente do Sporting Clube de Portugal Frederico Varandas e os membros da Direção do Clube Francisco Salgado Zenha e João Sampaio a decidirem sobre as remunerações dos administradores da SAD, que são: Frederico Varandas, Francisco Salgado Zenha e João Sampaio, além de Miguel Cal.

b. Independentemente da legalidade ou não da proposta, o mais basilar bom-senso aconselharia à escusa de Frederico Varandas, Francisco Salgado Zenha e João Sampaio de se pronunciarem sobre esta matéria por claro conflito de interesses. Por ética e sobretudo por dignidade não é possível ser juiz em causa própria.

c. A Comissão de Acionistas da Sporting SAD reuniu dia 6 de setembro. Ou seja, a Comissão reuniu apenas 3 dias antes da convocação da Assembleia Geral, para que pudesse forçar os aumentos de ordenados para o Presidente e Administradores da SAD

d. Por último, a preocupante situação da Sporting SAD, apresentando uma vez mais elevados resultados negativos, capitais próprios negativos e o maior passivo da história da sociedade não justifica aumentos potenciais (fixos e variáveis) de 45%, podendo o ordenado do Presidente passar de 188.000 euros para 273.000 euros e dos Administradores de 139.000 para 196.500. Do mais elementar bom-senso.

 

Porque:

2. Caso não sejam retirados os pontos 4 e 5 da ordem do dia – Proposta de Aumento de Remunerações do Presidente e Administradores da SAD, e pelo claro conflito de interesses que explicamos acima, exigimos que o Aumento de Remunerações seja aprovado pelo único órgão independente que poderá deliberar sobre este tema: a Assembleia Geral do Clube, que representa a vontade dos Sócios do Clube.

3. Recordamos que no programa eleitoral sufragado pelos Sócios, a Direção do Sporting Clube de Portugal não foi mandatada para aumentar os seus próprios ordenados. Não constava do programa de Frederico Varandas o aumento da sua remuneração, nem dos seus pares na Administração da Sporting SAD, maioritariamente detida pelo Sporting Clube de Portugal, e não pode agora pela “porta do cavalo” tentar “passar a perna” aos Sócios do Clube. O que estava escrito na letra do programa era a “obrigatoriedade” dos membros dos órgãos sociais do Clube apresentarem as suas declarações de IRS, promessa que nunca foi cumprida até hoje.

 

Ainda sobre a Assembleia-Geral:

4. Pedimos igualmente a retirada do ponto 3 da ordem do dia: “O Sporting Clube de Portugal, titular da totalidade das ações de Categoria A representativas do capital social da Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD, propõe à Assembleia Geral da Sociedade, reunida a 1 de Outubro de 2019, que seja aprovado um voto de confiança à Administração da Sociedade e a cada um dos seus membros, ao Conselho Fiscal e à Sociedade de Revisores de Oficiais de Contas.”

 

Os elevados resultados financeiros negativos, os capitais próprios negativos e o maior passivo da história espelhados no atual Relatório & Contas e o mau momento desportivo desaconselham qualquer voto de confiança à Administração da Sporting SAD e a cada um dos seus membros.

 

Sobre o Relatório & Contas:

5. Lê-se e não se acredita. Numa situação crítica como foi a colocação do empréstimo obrigacionista, onde foi necessário apelar ao coração dos Sportinguistas para atingir a venda de 25 milhões de euros de obrigações da Sporting SAD, ficando aquém do objetivo de 45 milhões, o Presidente Frederico Varandas subscreveu 200 obrigações, num total de 1.000 euros. Vem publicado no Relatório & Contas e deixa-nos surpreendidos que seja este o comprometimento de quem lidera o Clube e que pretender auferir de ordenado 273.000 euros, 273 vezes o valor das obrigações que subscreveu.

 

Aguardamos com urgência, que o Exmo. Senhor Presidente da Mesa de Assembleia Geral da Sporting SAD aja em conformidade, para que seja possível restabelecer a ética, a dignidade e o bom senso na Assembleia Geral de dia 1 e na gestão da nossa Sociedade. Faremos pública esta missiva.»

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