Não há dinheiro que justifique pontos perdidos

O Mundo dos Guarda-Redes 19-09-2019 17:53
Por Roberto Rivelino

Bom e barato não existe. No Futebol é uma verdade La Palice. Não deixa dúvidas e a equipa que procura poupar na baliza acaba por pagar na tabela classificativa. Pela Europa já se percebeu isso e começou por se mudar aos poucos, recorrendo ao bolso para reforçar a defesa das redes com qualidade – só no defeso de 2018, Liverpool (Alisson Becker), e Chelsea (Kepa Arrizabalaga), bateram recordes e antes já fizera o Manchester City (Ederson Moraes).

Por Portugal, o FC Porto despendeu de mais de sete milhões para ir contratar um guarda-redes à segunda cena do futebol, Agustín Marchesín (ao Club América), e já se podem colocar seis pontos (em doze conquistados), nas costas do guarda-redes argentino (antes, os azuis já tinham feito o mesmo, pagando salários chorudos a Iker Casillas, com o rendimento esperado). Neste defeso, o SL Benfica tentou – as escolhas recaiam em nomes como Jasper Cillessen, Fabianski, Mattia Perin ou Gulacsi (e bem!) -, e por falta de acordo não conseguiu cumprir com a elevação de padrão na sua baliza (Odisseas Vlachodimos encontra-se em rendimento positivo, com a qualidade estanque para ser um alternativa de bom valor para um clube com este estatuto). Já o Sporting, enquanto constrói a casa olvidou-se da parte mais importante: os alicerces, tentando a construção a partir do telhado e devaneando pelo campeonato com Renan Ribeiro, Luís Maximiano (vinte anos) e Diogo Sousa (21) – Emiliano Viviano foi inscrito, ainda assim.

Depois do grave desaire na Supertaça (5-0 frente aos encarnados), as redes e ferros das balizas de Alvalade continuaram a tremer e a abalar por movimentos e decisões inconsequentes e a mensagem foi clara: se do outro lado não se pode chegar à luz do golo, do lado de cá não se pode acender a lanterna contra a própria baliza. Para que se perceba, um clube como o Sporting tem de encarar o jogo com o conforto a surgir da baliza para os setores dianteiros e, nesta jornada no Estádio do Bessa, recebeu um exemplo da instabilidade que surge a partir do coração da equipa (o guarda-redes): livre a 30 metros aos cinco minutos e os leões “entram” em campo a perder, a correr atrás do prejuízo e a dar um golo de vantagem ao adversário. Resultado final: empate a uma bola e menos dois pontos.

Sem culpas únicas, Renan Ribeiro está na melhor fase da carreira e com alguma fortuna, pois chegou a um dos três maiores de Portugal após uma descida de divisão com o Estoril e conseguiu capitalizar com a irregularidade de Romain Salin, reforçando-se depois com os penaltis defendidos nas decisões e ocultando as lacunas que apresenta para ser capitão do navio (é um bom membro da tripulação). Enverga a camisola que outrora fora de valores como Vítor Damas, Rui Patrício, Meszaros, Peter Schmeichel, Ricardo Pereira ou Beto Pimparel e a léguas dos atributos técnico-táticos ou mental/psicológico que tamanha baliza requer – o Benfica deu o exemplo: estamos servidos, mas podemos estar muito melhor (consciência necessária para estar mais perto de vencer).

 

 

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