«Pés bem assentes na terra», apela Sandro

Vitória de Setúbal 22-08-2019 19:17
Por António Barroso

O treinador do V. Setúbal, Sandro Mendes, balizou de forma clara as diferenças de orçamento e de  objetivo entre a equipa que orienta e o FC Porto, que goleou os setubalenses por 4-0 na 2.ª jornada da Liga, no Dragão.

 

Foi durante a conferência de imprensa de antevisão do duelo com o Moreirense - que o V. Setúbal receberá sexta-feira (19 horas) para a Liga (3.ª jornada), no Bonfim -, realizada na tarde desta quinta-feira no estádio do emblema vitoriano, que várias vezes o técnico apelou para se «analisar bem as realidades» e vincou que na cidade do Sado todos têm «os pés bem assentes na terra», apesar do que classificou serem «expetativas elevadas de muitas pessoas».

 

Uma clara tentativa de baixar a fasquia e relevar a diferença existente entre as duas equipas, os dragões e a que orienta, num jogo em que, disse, tudo «está ultrapassado» e garantiu «índices de confiança em alta» para a receção ao Moreirense.

 

Eis, na íntegra, a conferência de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira, no Bonfim, antes do treino do plantel às ordens de Sandro Mendes, pelo técnico dos setubalenses:

 

- Depois dos 0-4 com o FC Porto, deu mais atenção esta semana à defesa ou, tendo em conta a ausência de golos na Liga até agora, em termos coletivos, nos treinos deu mais atenção ao fato de a equipa ainda não ter marcado na prova, ou em termos defensivos, depois dos quatro golos sofridos no Dragão? Há alguma atenção especial a a esses dois fatos, o de ainda não ter marcado no campeonato, em dois jogos, e aos golos sofridos até ao momento?

- O foco é no seu todo. É em marcar e não sofrer. Quanto a não sofrer, estivemos bem até ao jogo do Dragão; a marcar, para o campeonato, ainda não o conseguimos fazer, mas o que tínhamos vindo a fazer, até ao encontro com o Tondela, tínhamos feito alguns golos. E é isso que queremos voltar a fazer, é esse registo que queremos: não sofrer golos e voltar a marcar. Mas a equipa, como disse, é o seu todo, não podemos focar-nos só no ataque ou na defesa. A semana de trabalho foi dentro do normal: trabalhámos esses dois aspetos e os índices de confiança estão a um nível elevado para este jogo de sexta-feira.

 

- Vão defrontar o Moreirense, uma equipa que já venceram esta época, em jogos oficiais, para a Taça da Liga. É um bom presságio, ou espera um jogo diferente?

- Não há dois jogos iguais. O Moreirense perdeu aqui, e na 1.ª jornada do campeonato foi perder a Braga, mas vem de uma vitória robusta àquela que era a equipa sensação, que tinha ganho ao FC Porto [Gil Vicente]. Por isso, é uma equipa que tem bons jogadores, como tinha quando veio aqui para a Taça da Liga. Já os vencemos, mas sabemos que os jogos não são iguais, e isso nada quer dizer. Teremos de estar no máximo de concentração para conseguir o nosso objetivo, que é, claramente, vencer o Moreirense.

 

- Espera um Moreirense mais motivado por esse resultado negativo no Bonfim para a Taça da Liga, à procura da desforra da eliminação dessa prova? Poderá surgir um adversário mais espicaçado?

- Espero um Moreirense dentro daquilo que analisámos: uma equipa muito competitiva, com bons jogadores, e que vêm com essa moral de ter ganho um jogo em casa por 3-0. O fato de terem perdido no Bonfim para a Taça da Liga é irrelevante: penso que vão querer ganhar o jogo, como nós vamos querer. Tudo vamos fazer para o conseguir. Temos de fazer aquilo que tão bem tínhamos vindo a fazer até ao jogo do Dragão. O jogo do Dragão está ultrapassado: sabemos que as armas não são iguais. As pessoas, às vezes, criam uma expetativa muito grande daquilo que podemos fazer. Por mais ambiciosos que possamos ser, não podemos esquecer que o FC Porto é um candidato ao título. Tem as suas armas, nós temos as nossas. Estamos com os pés bem assentes no chão. Sabemos aquilo que queremos e para onde vamos.

 

- Conseguiu criar ocasiões de golo diante do FC Porto, apesar da goleada. O que pediu aos seus jogadores, mais concentração na hora de finalizar?

- Se formos analisar o jogo do Dragão, o FC Porto teve uma excelente entrada, faz o 1-0, e o momento crucial do jogo é a nossa oportunidade claríssima que não conseguimos concretizar: ninguém mais do que o jogador que lá estava, o Hachadi, queria fazer golo [Marchesin defendeu]! Não conseguiu, e há que dar mérito ao guarda-redes do FC Porto. A partir daí poderia ter sido um jogo completamente diferente. Não fizemos o 1-1, e na jogada seguinte num lance de bola parada sofremos o 2-0. Houve coisas positivas, acho. Mais negativas, mas houve coisas positivas. É a isso que temos de nos agarrar. Analisámos aquilo que fizemos, corrigimos. Agora, estamos cientes do que temos de fazer. E tudo vamos tentar fazer para que as coisas corram de maneira diferente.

 

- O último triunfo do V. Setúbal aconteceu fará na sexta-feira 103 dias. Em Chaves, por 2-1, e valeu a permanência na Liga. Já tem saudades de celebrar uma vitória no campeonato?

- Volto a repetir: há que ter os pés bem assentes na terra e analisar bem aquilo que é a equipa do Vitória. A partir daí tirem as ilações que quiserem. Agora saudades… de ganhar, é o que queremos todos! Nas peladas, os jogadores tudo fazem para ganhar, e é igual nos jogos. Agora, friso, há que ter os pés bem assentes na terra.

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