«Vitória deve aproveitar péssima fase do Steaua» – Filipe Teixeira

Liga Europa 21-08-2019 16:22
Por Pedro Cadima

Filipe Teixeira, de 38 anos, podia falar durante horas do futebol romeno, das suas particularidades, polémicas, debitando histórias únicas, arrancadas de um trajeto de quase uma década no país, vestindo cinco camisolas: Brasov, Rapid Bucareste, Petrolul Ploiesti, Astra Giurgiu e, finalmente, nas últimas duas temporadas, o gigante Steaua de Bucareste, o mais proeminente e titulado emblema da Roménia. O campeão europeu de 1985/86, de Duckadam, Belodedici, Boloni, Piturca e Lacatus – Hagi chegou mais tarde – está longe desse padrão glorioso, vivendo algo pior que a falta dos resultados, uma gritante e aflitiva crise de identidade exatamente semelhante ao Belenenses. O velho Steaua mora na 3ª Divisão, voltou a ser propriedade do exército como está dentro da sua génese, e o adversário do Vitória é o FCSB. Filipe Teixeira chegou ao clube com a história virada do avesso.

 

«É embaraçoso, é complicado e desolador em muitos jogos com fracas assistências. É algo igual ao que se passa com o Belenenses, é mau para o Steaua, para a Roménia e para os adeptos. Deixaram de acompanhar a equipa, mas também não vejo que se envolvam muito com a que está na 3ª Divisão. É um assunto de tribunais, o Becali perdeu todos os direitos sobre o uso do nome, do símbolo e do património», relata o médio português, que defrontou o Sporting na época transata e ainda pondera, enquanto goza férias em Portugal, um regresso ao futebol romeno onde é um dos jogadores mais conceituados.

«Há muita divisão e controvérsia, bocas e recados pelos jornais, mas ao representar o Steaua, senti que o clube era o mesmo. Os jogadores sentem a história e o peso da camisola mas quando se chega ao jogo o ambiente é diferente. E posso comparar com o que vivia quando os defrontava. O normal seria o Steaua valer 30 ou 40 mil adeptos nas bancadas, hoje há jogos com três mil ou quatro mil. Até estive num jogo com 1500 pessoas. Decidem vir aos jogos quando são realmente importantes e mais com espírito de ver bom futebol. Podem nem ser os adeptos, são apenas residentes de Bucareste. Acho que é o vai acontecer agora com o V. Guimarães. Aponto para umas 15 mil», atira Filipe Teixeira, vendo o Vitória de Guimarães em condições privilegiadas de assegurar o acesso à fase de grupos da Liga Europa.

 

«Em condições normais o Steaua seria favorito, mas nas atuais condições não o é. O Vitória pode aproveitar a má fase no campeonato, é mesmo péssima com 4 pontos em seis jogos, há uma onda de lesões anormal, com nove ou dez jogadores de baixa, que levou já ao despedimento do preparador-físico. O treinador, que era adjunto na época passada, despediu-se, agora é o adjunto do adjunto. Não conseguem contratar ninguém, porque são poucos os que aceitam as condições do Gigi Becali», confidencia o médio formado no Felgueiras, não querendo entrar em polémicas com o infame dirigente, diversas vezes acusado de homofobia e racismo, que entre algumas das suas surreais manifestações já vociferou um certo dia que pagava a quem levasse o guarda-redes Carlos, ou que, mais recentemente, apontou mira a Diogo Salomão, dizendo «que voltem os lesionados e vá com Deus».

 

«Tive uma relação de respeito com ele mas claro que ele faz o que lhe apetece, faz e desfaz a equipa. Também sei que tenho um estatuto que permite que não se estiquem comigo», avisa o médio, recuperando o duelo latino, agendado para Bucareste. Filipe Teixeira disseca os jogadores talhados para desequilibrar.

 

«Vejo o Vitória como uma belíssima equipa, competitiva e muito bem treinada. Vi o jogo com o Boavista e do meio-campo para a frente tem grandes executantes. O meu preferido para mexer com este jogo é o Davidson. Do lado do Steaua é preciso ter cuidado com o Coman», sublinha Filipe Teixeira, confessando-se dividido para o embate da Liga Europa.

«É complicado responder, joguei as últimas duas épocas no Steaua, senti a sua grandeza e deixei lá alguns amigos, que já me perguntaram coisas sobre estes jogos. Mas metade da minha família é do Vitória. Que ganhe o melhor!», reage Filipe Teixeira, garantindo que foi sondado para se fazer conquistador. «Nunca foi um sonho mas é certo que existiram mais que uma vez algumas conversações», conclui.

 

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