Uma casa não se começa pelo telhado

O Mundo dos Guarda-Redes 01-08-2019 18:38
Por Roberto Rivelino

O defeso tem sido repleto de cogitações nas balizas de FC Porto e SL Benfica: os dragões procuram um sucessor de Iker Casillas enquanto os encarnados viram em Mattia Perin uma evolução de Odisseas Vlachodimos. Se este último continua a mostrar rendimento na defesa da baliza, no caso do clube azul e branco a situação é agravada por várias questões – Agustín Marchesin parece estar encaminhado, Diogo Costa lesionou-se e Vaná oscila sem chegar ao nível pretendido.

Estamos no dia um de agosto e as equipas já entraram em 2019/2020 há um mês. Engane-se o leitor que pensa que qualquer guarda-redes de nível chega, vê e vence de forma estanque (olhem para Thibaut Courtois no Real Madrid; De Gea até entrosar no Manchester United; Cláudio Bravo no Manchester City…). Dificilmente estarei errado ao dizer que todos os treinadores da nossa Liga incluíram no primeiro microciclo da pré-temporada os trabalhos de organização defensiva, defesa da área ou até trabalho setorial defensivo com esquemas táticos defensivos (livres ou cantos). Nesta organização e exercitação é indubitável a presença e participação do guarda-redes: a baliza do meio-campo defensivo é a principal preocupação de qualquer equipa e quem a protege é o começo e final de tudo, portanto, no treino não pode ser diferente nem distante desta realidade.

Nestes momentos de treino, o guarda-redes começa a ganhar entrosamento com a linha defensiva, define abordagens e controlos de espaço, percebe as rotinas exigidas pelos treinadores (do principal, adjunto até ao treinador de guarda-redes), e estabelece o seu jogo em função destes princípios. Nas alterações de comportamento da equipa – zonas de pressão ao adversário ou zonas de contenção -, o guarda-redes também participa e move-se em uníssono com o bloco e começa a construir as bases do sucesso da equipa – que começa sempre em tentar manter a baliza a zero.

Num plantel com mais de vinte indivíduos – logo, vinte personalidades, estilos, vícios e abordagens diferentes -, o trabalho requer requinte e até chegar ao requinte desejado o tempo leva o seu… tempo. Onde entra o guarda-redes que vai ser apresentado nesta fase tardia da pré-época? Entra no dia zero e a partir desse momento tentará recuperar o tempo em que esteve ausente de tudo o que é o entendimento do jogo coletivo, de trás para a frente – da baliza para a baliza adversária -, com o acréscimo da pressão resultadista (incutida nos clubes do nível de FC Porto ou SL Benfica), nos píncaros.

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