Nyusi pede relações com Portugal mais focadas na economia

Moçambique 06-07-2019 11:09
Por Lusa

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu o reforço das relações económicas com Portugal, promovendo a transformação das matérias-primas no país e a criação de empresas locais que exportem para a África Austral a partir de Moçambique.

 

Numa entrevista à Lusa e à Euronews, à margem do Fórum EurAfrican, que decorreu em Carcavelos, Cascais, até sexta-feira, Filipe Nyusi afirmou que «as relações [entre Portugal e Moçambique] estão impecáveis», mas é necessário «um pouco mais para a progressão, para produzir resultados» e que os dois países estejam «orientados para a economia».

 

«Precisamos de mais formação. Precisamos de tecnologia porque a matéria-prima em Moçambique tem de ser transformada em Moçambique», defendeu o chefe de Estado, salientando que esta solução permite empregar mais pessoas e acrescentar «valor às exportações».

 

«Esta é a condição principal para todo o tipo de investimento. O país tem de ser respeitado. As pessoas têm de acreditar que os seus investimentos têm continuidade», disse Nyusi, que deu exemplos dos produtos em que o país é competitivo.

 

«Queremos entrar na Europa a partir daqui. O nosso camarão não tem concorrente, o nosso algodão, o nosso sisal», disse, acrescentando a castanha de caju ou o feijão como produtos que Moçambique pode exportar para outros países.

 

Nesse sentido, Nyusi desafiou as empresas portuguesas a investirem no país em parceria com empresários locais.

 

«Queremos que Moçambique seja a porta de entrada de Portugal para a África austral», disse, acrescentando que esta aposta no incremento das relações económicas deve estender-se à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

«Tenho estado a falar com o Presidente [João] Lourenço [de Angola] muitas vezes» sobre «mover a CPLP» e «criar ebulição» dentro da organização, tendo em conta as «potencialidades económicas» que existem.

 

Nesse sentido, devem existir mais «incentivos para aliciar investidores» no seio da CPLP, defendeu o chefe de Estado moçambicano.

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