Sindicato denuncia «clima cada vez mais claustrofóbico e intimidatório» no futebol português

Futebol 01-07-2019 15:02
Por Redação

Em comunicado, o Sindicato de Jogadores, presidido por Joaquim Evangelista, reagiu às críticas de que foi alvo por parte das Associações Distritais no seguimento da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol, realizada a 22 de junho último, na qual foram aprovadas alterações ao regulamento disciplinar respeitantes à verificação salarial de treinadores e jogadores ao longo da época.

 

Comunicado na íntegra:

 

Face ao comunicado das Associações Distritais e Regionais de Futebol sobre a tomada de posição do presidente do Sindicato dos Jogadores no decurso da última Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), vem esta instituição esclarecer:

 

- O Sindicato dos Jogadores respeita todos os sócios da FPF, mas não abdica, porém, de manifestar as suas posições, mantendo tudo quanto afirmou em sede de Assembleia-Geral, na defesa dos jogadores, da transparência e independência dos órgãos de controlo e fiscalização que são a base do modelo de desenvolvimento do futebol português.

 

- Embora contundente nas suas afirmações, como não poderia deixar de o ser, em momento algum o presidente do Sindicato dos Jogadores desrespeitou as Associações Distritais e os clubes que delas fazem parte, aliás, como o próprio Exmo. Senhor presidente da Mesa da Assembleia-Geral da FPF deixou claro quando tal argumento foi trazido a discussão na referida Assembleia.

 

- A não ser que emitir opinião ou ter opinião diferente dos demais seja ofensivo. Há, infelizmente, quem promova este clima cada vez mais claustrofóbico e intimidatório no futebol português e são muitos os que se conformam com isso. O Sindicato dos Jogadores não deixará de afirmar a sua identidade e apresentar os seus argumentos, recusando que outros o façam por si.

 

- As Associações Distritais são, salvo o devido respeito, muito mais do que simples associações de clubes. São organizações da maior relevância, que garantem a filiação e o acesso à prática desportiva por milhares de praticantes, profissionais e amadores, mas também de treinadores e árbitros que exercem as suas funções a nível local e merecem, todos eles, a mesma consideração. Limitar uma tomada de posição, numa matéria tão importante, a seguir a vontade dos clubes, não podia merecer outra reação da parte do Sindicato dos Jogadores.

 

- Além disso, é inacreditável que as Associações Distritais, que se apresentaram de forma acrítica na última Assembleia-Geral, venham agora, e não em sede própria, tecer considerações sobre o regulamento e o controlo das obrigações salariais no futebol profissional. Gostaria o Sindicato de ver o mesmo empenho na defesa dos milhares de jogadores que militam nas competições não profissionais, desprovidos de qualquer sistema eficaz que proteja os seus direitos e garantias. Sobre esta realidade, como constatámos ao longo da época, com o Freamunde, Leiria, Cesarense ou Vilafranquense, este a disputar uma final do Campeonato de Portugal, só para dar nota dos casos mais mediáticos, os dirigentes associativos nada disseram ou propuseram, nem emitiram posição pública na defesa das competições e dos seus intervenientes.

 

- O Sindicato mantém duras críticas, reitera-se, sem ter intenção de ofender pessoalmente qualquer dirigente associativo ou clube, ao “seguidismo” e “unanimismo” com que se debatem este e outros temas. Não aceita, igualmente, lições de moral na matéria das infrações salariais contra as quais lutou, isoladamente, durante anos e que a muito custo foram produzindo o aumento de garantias para os praticantes. Nesta matéria, se existe um quadro legal e normativo mais eficaz deve-se ao Sindicato dos Jogadores.

 

- Finalmente, regista-se que as Associações Distritais fizeram “prova de vida” para criticar o presidente do Sindicato dos Jogadores. Espera-se que mantenham esta dinâmica e proatividade, desejável em qualquer sistema democrático, relativamente aos outros assuntos estruturais que exigem a intervenção da família do futebol.

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