O conselho de Fernando Santos a João Félix

Seleção 10:45
Por Redação

Em conversa com A BOLA, Fernando Santo revela o que disse a João Félix quando o jovem avançado chegou à Seleção Nacional. O selecionador entende que é decisivo libertar a cabeça dos jovens jogadores que são afetados pelo ruído de transferências e de muitos milhões.

 

«Quando o João Félix chegou à Seleção falei com ele. Tenho sempre essa preocupação de falar com os novos jogadores, quando chegam pela primeira vez. Eu, pessoalmente, não os conheço bem e eles não me conhecem a mim. Por isso falo sempre com os novos, até para lhes retirar o peso de uma responsabilidade que pode ser nociva. Por vezes, como também é o caso de João Félix, há um ruído muito grande sobre hipóteses de transferências, muitos milhões, e isso, por vezes, traz uma responsabilidade acrescida a um jovem jogador que pensa que pode ser decisivo para o seu futuro jogar muito bem na Seleção, fazer grandes exibições.»

 

«O João tem 19 anos e eu sei como é. Não se esqueçam que eu trouxe o Guedes, pela primeira vez, à Seleção, quando ele tinha 18 anos, era mais novo do que o João. Sei o que eles pensam, quando chegam à Seleção Nacional e já se fala de muitos milhões, têm medo de que as coisas corram mal e que isso tenha influência no futuro. O que eu lhes digo é que devem tirar esse peso da consciência: ‘A tua vida vai ser o que tiver de ser e melhor será se estiveres mentalmente bem. Por isso, liberta-te dessa pressão’ - é o meu conselho. Eu sei que se o jogador não se conseguir libertar dessa obsessão, as coisas vão correr mal no jogo.»

 

«A escolha do João Félix para titular no jogo com a Suíça teve essencialmente a ver com a minha ideia de que iríamos ter muito mais tempo de jogo ofensivo organizado. Se assim tivesse sido, o resultado teria sido outro, porque o João conseguia melhor articulação ofensiva. Mas não foi assim e se eu soubesse, antecipadamente, o que iria acontecer, teria, muito provavelmente, feito outra escolha, até porque para o jogo de ataque rápido, além do Guedes, tenho jogadores que são muito fortes nessas características, como é o caso do Rafa e do Jota. Tal como em jogos em que vamos estar quase sempre a atacar preciso de um ponta de lança fixo, como o André ou o Dyego. Tenho, felizmente, muitas opções. Num clube, há doze ou treze jogadores essenciais. Numa seleção, porque são escolhidos entre todos os melhores, temos vinte opções, todas elas da mais alta qualidade.»

 

«Perguntam-me o que penso sobre uma eventual saída do João Félix para outro clube, no estrangeiro. A minha opinião é mais generalizada. Acho que muitos jogadores jovens ganhariam em não ter tanta pressa de sair, mas eu não critico os que optam de forma diferente. Nem os jogadores nem os clubes que os deixam sair, com enormes proveitos financeiros. É muito difícil julgar. Na minha perspetiva, o João beneficiaria muito em ficar. Joga numa equipa grande, terá oportunidade de jogar na Champions e nesta fase de crescimento seria melhor que ficasse. Temos exemplos que justificam também esta opinião. O João Mário, o Renato Sanches, o André Silva. Também há que ter muito cuidado com a escolha dos clubes, em função dos seus campeonatos. Itália tem um futebol muito tático e é muito difícil para os mais criativos. A Inglaterra tem uma enorme intensidade e obriga a uma disponibilidade permanente e em todos os jogos. Enfim, há que avaliar bem.»

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