Brasil pálido ganha por três mas é vaiado e criticado

Brasil 16-06-2019 10:15
Por João Almeida Moreira

Desta vez, ao contrário do que sucedeu no Mundial de 1950, ninguém atribuiu as culpas da desilusão brasileira às camisolas brancas vestidas pelos seus jogadores, mas nem por isso a pálida exibição dos anfitriões da Copa América deixou de ser notada pelo público - que vaiou a sua seleção ao intervalo - e pela imprensa - que atribuiu, sobretudo ao VAR, o triunfo sobre uma das mais frágeis equipas da competição, a Bolívia.
«No primeiro minuto da segunda parte, o árbitro foi chamado pelo VAR em busca de um penálti para o Brasil e achou», escreve o colunista do jornal Folha de São Paulo Juca Kfouri, num texto sob o título «VAR cala vaias e o Brasil já não ganha facilmente de ninguém». O lance em causa resultou de um remate de Richarlison na área boliviana que bateu no braço de um defesa.


 Chamado pelos colegas de «cowboy», por ter nascido nos Estados Unidos, ao não manter as mãos coladas ao coldre, Jusino abriu caminho à vitória brasileira. Philippe Coutinho, a quem as citadas torcida e imprensa exigem o papel de líder da equipa na ausência do lesionado Neymar, converteu. E três minutos depois, de cabeça, após cruzamento da direita de Roberto Firmino que havia trocado de posição com Richarlison, fez o 2-0.


O jogo seguiu, agora sim, já de acordo com o roteiro: o Brasil a dominar, sossegado, às vezes sossegado em demasia - «Tite é boa pessoa mas chato, mesmo assim, a sua conferência de imprensa talvez tenha sido mais animada do que os 90 minutos», disse o comentarista da ESPN Mauro Cezar Pereira - e a Bolívia completamente entregue - «Alisson poderia ter ficado em Porto Alegre a cuidar do seu filho recém-nascido que seria mais útil», escreveu Kfouri.


Até que Everton Cebolinha, assim chamado pelo penteado idêntico ao do personagem da Turma da Mônica, protagonizou o primeiro momento espetacular da Copa América, num lance individual finalizado com remate poderoso para o 3-0. Alívio para Tite? Não, mais um problema, porque agora torcida e imprensa exigem o jogador do Grêmio no onze titular - ele entrara para o lugar de David Neres, quatro minutos antes do golaço.
O Brasil passa, sem distinção, na cidade tradicionalmente mais dura - São Paulo é conhecida por assobiar a seleção ao mínimo motivo. «Não nos sentimos em casa aqui, em Salvador [onde defronta a Venezuela] o axê [música tradicional baiana] é diferente», notou o capitão Daniel Alves. A Bolívia, cujo maior craque desde a geração de Erwin Sánchez é a altitude dos jogos em La Paz, tem de se conformar em jogar num país quase todo ao nível do mar.
 

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