Um todo, nunca uma ilha

O Mundo dos Guarda-Redes 27-05-2019 17:38
Por Roberto Rivelino

O campeonato aperta. As emoções ficam ao flor da pele e o profissional sente tudo isso, disputando um jogo com a mente nesse e nos jogos seguintes, a calcular pontos para os objetivos. Além da pressão extrínseca, surge a intrínseca – com ela vêm os erros, as abordagens com menos qualidade e sobriedade. Creio que imaginam isto em qualquer jogador, mas na função do guarda-redes esta pressão é extrapolada ou multiplicada várias vezes. Não é coincidência a sucessão de erros que surgem (com ou sem golo sofrido), nas jornadas finais dos nossos campeonatos.

Nesta ronda (33ª), foram 40 os golos marcados em nove jogos e são dez aqueles em que se pode interpretar lacunas de relevo na abordagem dos guarda-redes aos lances (quatro dos quais são considerados erros com golos sofridos). Percebe-se a natureza humana do profissional neste tipo de situação – seja a lutar para a conquista do campeonato ou a batalhar pela manutenção (ou jogar contra qualquer um destes) -, e depois de se compreender (ou aceitar), esta complexidade deve desafiar-se o pensamento para interpretar o porquê de estes momentos serem atos recorrentes: questionar-se o investimento no guarda-redes, pensar-se como podemos (treinadores, praticantes e entidades responsáveis), qualificar e ampliar o conhecimento do treinador de guarda-redes (não só perceber os exercícios mas também perceber o jogo e quem o joga), e reconhecer que a resposta para se ganhar jogos começa com alguém a garantir que a nossa baliza é menos violada do que a do adversário.

Digo que quem percebe o jogo a partir da baliza tem mais condições para o sucesso do que aqueles que o percebem da área para a frente, contudo, para isso, tem de se lutar para que o guarda-redes seja reconhecido com a importância que o digna e nunca com que a classe de guardiões e técnicos específicos se transformem uma ilha. A partir daí, Portugal vai produzir guarda-redes que conhecem o jogo, antecipam os movimentos do adversário e estão um passo à frente para se chegar ao sucesso (individual e coletivo) – com eles, treinadores de guarda-redes serão pensadores do Jogo.

 

 

Defesa da jornada

Quentin Beunardeau – CD Aves 0-1 Moreirense FC – 89’ – Desvio lateral

Avaliação da defesa: 5 (cinco)

Critério: A defesa da jornada é escolhida por um critério de pesagem entre execução técnica, interpretação tática e complexidade da tomada de decisão.

 

 

Momento do passe atrasado de Heriberto para Pedro Nuno, que surgirá na marca de penalti; Quentin Beunardeau encontra-se com apoios de perfil, adiantado em relação ao poste e em posição-base média-baixa (prevendo incursão no bico da peq. área);

 

Momento do remate de Pedro Nuno, na marca de penalti; Quentin Beunardeau surge neste posicionamento após deslocamento lateral sem cruzamento de apoios, encontrando-se com os mesmos no ar no momento da investida (mantém posição-base);

 

Mesmo desenquadrado do lance, Quentin Beunardeau beneficia da ineficácia e falta de perceção no remate de Pedro Nuno (este só olha para a bola durante a jogada), e protagoniza uma defesa com a mão esquerda graças à sua velocidade de execução

 

 

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