O desporto ´soft power` (artigo de Vítor Rosa, 36)

Espaço Universidade 19-05-2019 18:08
Por Vítor Rosa

O desporto tornou-se o novo terreno de confronto, pacífico e regulado, dos Estados. É a forma mais visível de mostrar a bandeira, de existir aos olhos dos outros e de estar presente no mapa do mundo. Quando a globalização parece apagar as identidades nacionais, o desporto torna-se o meio identificável, na esperança de uma vitória ou de uma proeza, de uma amplificação variável, segundo os estatutos, as experiências históricas e as expetativas relativas. Como refere Boniface (2014, p. 11), «o desporto é atualmente mais do que o desporto. É emoção, claro, do prazer, das vibrações, dos momentos de desespero, de fraternidade, de partilha, etc. Mas também é da geopolítica».

 

No caso do olimpismo, por exemplo, onze lições podem ser apresentadas:

— é um meio de comunicação entre os Estados;

— é um instrumento de relações internacionais;

— a adesão de um país no Comité Olímpico Internacional (CIO), instituição fortemente hierarquizada, com as suas filiais, as suas organizações nacionais, as suas publicações, as suas manifestações, as suas tradições e os seus ritos, é um sinal importante de reconhecimento internacional, sobretudo quando as fronteiras são redefinidas ou existe descolonização;

— o olimpismo está no coração das civilizações;

— os JO são utilizados como um interessante indicador de força de um país no plano internacional;

— o olimpismo é um local de contestação, de informação e de evolução relativamente aos Direitos do Homem;

— os Estados utilizam os JO como arsenal das suas “armas” (diplomacia “soft power”);

— a escolha das cidades candidatas pela organização dos JO é política;

— as questões económicas-financeiras ligadas à organização dos JO são consideráveis;

— os JO constituem uma montra excecional de um país organizador relativamente aos meios televisivos e tecnológicos colocados à disposição;

— o olimpismo é um vetor interessante de comunicação para as organizações não governamentais.

 

Se o desporto continua a ser para muitos uma distração, às mãos de um grande número de indivíduos, ele é também, atualmente, uma atividade de compensação indispensável a um Homem maltratado pelos múltiplos constrangimentos da vida moderna. Ele é um espetáculo popular com dimensões grandiosas. É a alegria da ´alma` na ação.

 

Referência:

Boniface, Pascal (2014). Géopolitique du sport. Paris : Armand Colin.

 

Vítor Rosa

Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado no CPES – Centro de Pesquisa e Estudos Sociais, da Universidade Lusófona de Lisboa

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