Bingham vence (10-9) mas fica a épica recuperação de Dott

Snooker 23-04-2019 23:04
Por António Barroso, em Inglaterra

O inglês Stuart Bingham, de 42 anos, 13.º da hierarquia, é o 11.º apurado para os ‘oitavos’ do Mundial de Snooker, ao vencer  na noite desta terça-feira o escocês Graeme Dott, de 41 anos, 23.º da tabela, na ‘negra’ (10-9) no último jogo dos 16avos de final a concluir-se neste dia em Sheffield, que recebe a prova maior da época 2018/2019 da World Snooker, até 6 de maio.

 

Após Mark Williams, Ding Junhui, Neil Robertson, Gary Wilson, Stephen Maguire, Shaun Murphy, John Higgins, Mark Selby, James Cahill e David Gilbert, é a vez de Stuart Bingham chegar aos melhores 16, e aumentar para meia dúzia o número de profissionais já campeões do Mundo que carimbaram o passaporte, juntando-se a Mark Williams, Neil Robertson, Shaun Murphy, John Higgins e Mark Selby neste lote de… estatuto.

 

Stuart irá defrontar nos oitavos de final o escocês John Higgins, de 43 anos, sétimo da tabela em… novo duelo de campeões mundiais, a sua regra sem exceção nesta edição da prova mundial – e que continuará nos ‘quartos, onde o vencedor do duelo enfrentará ou Shaun Murphy, ou Neil Robertson –, pois Graeme Dott vencera em 2006. Bingham tenta bisar em triunfos, após a vitória de 2015, e Higgins tenta o penta (venceu em 1998, 2007, 2009 e 2011) e igualar Ronnie.

 

Um jogo cujo destino quase todos pensariam ter ficado traçado na sessão matinal, onde Bingham pulverizou o escocês e saiu a vencer por 8-1, com Dott a somar três dos quatro parciais de rajada no reatamento noturno do encontro, a atenuar até bem mais composto marcador de 8-4, mas cuja conquista, por Stuart, do último parcial antes do intervalo, a encostar Graeme às cordas (9-4), previa noite mais curta no Crucible e fim rápido.

 

Nada mais falso, com o brioso escocês a conseguir uma boa briga, a reclamar quinto ‘frame’ para si, no recomeço como sucedeu. Graeme começou a acreditar - Stuart, na inversa, caiu de rendimento - quando Dott conseguiu, logo depois, o 6-9.

 

O chão fugia a Stuart, a claudicar… e o escocês a somar mais dois parciais de rajada (cinco no total), para relançar a emoção e tudo em aberto no jogo ao encostar em Bingham a 8-9: pairou no Crucible o fantasma da terceira ‘negra’ da prova… que se comprovou no 18.º parcial.

 

Espantoso espírito de sacrifício e bravura do escocês, que dera o sinal da sua confiança ao nem deixar que lhe fizessem sequer ‘cócegas’ numa qualificações para o Mundial a merecer nota máxima e reflexão: 10-2 a Hamza Akbar, 10-4 a Xu Si e de novo 10-2 a Kurt Maflin.

 

A fibra e tenacidade evidenciadas por Dott nesta épica, porque memorável, jornada, só engrandecem o profissional e o snooker: impressionante recuperação, hino ao estoicismo, tenacidade e crença, com cinco parciais de rajada desde 4-9, com paciência e serenidade, bola após bola, parcial após parcial, até à ‘negra’. Onde fraquejou e o inglês farejou sangue. Predador e mais experiente, mas de aflitos, cortou primeiro a meta, ao sprint.

 

«Não podia ter perdido 1-8 na sessão da manhã, tornou a minha missão quase impossível. Stuart jogou muito bem, mas custa sempre perder na negra. Estou frustrado, pois tinha feito uma boa qualificação», disse Graeme Dott. 

Já Bingham estava «aliviado» e reconheceu que na próxima ronda, ante John Higgins, vai ter de subir o nível. «Quando Graeme chegou a 9-6 comecei a preparar-me para ir à negra. Agora só quero ir para casa descansar uns dias com a família. Será duríssimo defrontar John Higgins, um dos maiores de sempre, mentalmente brilhante. Mas se perder já fico contente, já foi uma boa época, pois ganhei dois títulos. Estou ciente que tenho de subir a qualidade de jogo», afirmou um profissional extasiado pela proeza de James Cahill ao bater Ronnie O'Sullivan: «É inacreditável. É o maior choque de sempre no Crucimble, talvez desde que eu venho aqui e pela primeira vez venci o Stephen Hendry. Mesmo a perder pensei que o Ronnie iria ganhar 10-6, mas James mostrou a sua fibra.»

 

Nesta sessão noturna, o norte-irlandês Mark Allen, de 33 anos, quinto do ‘ranking’, e o chinês Zhou Yuelong, de 21 anos, 36.º da hierarquia, ainda continuam à mesa na sessão inaugural do seu duelo, que se vai concluir apenas na quarta-feira.

 

E mais surpresa: o asiático faz gato sapato de outro cabeça-de-série: as hostilidades acabaram com larguíssima vantagem (7-2) para Yuelong, à partida para a decisão final.

 

Da tarde, e além do choque da surpreendente vitória (10-8) do amador inglês James Cahill sobre o número um da hierarquia, o seu compatriota Ronnie O’Sullivan, ainda a qualificação de David Gilbert, que bateu o compatriota Joe Perry (10-7).

 

«A rosa que falhei para o meio, quando tinha o 8-8 nas mãos, liquidou-me. A 7-9 ficou tudo muito mais difícil. Parabéns a David, um jogador completo, evoluiu bastante. Falhei nas alturas cruciais, em que não poderia. Estou cansado, não vejo os meus filhos há duas semanas. No próximo ano tentarei qualificar-me de novo, o Crucible é especial. Não gostaria de me reformar sem concretizar um objetivo: realizar um 147 [tacada máxima]», afirmou o ‘cavalheiro’ Joe Perry aos jornalistas.

 

Já David Gilbert quer continuar a ascensão e voltar a causar surpresa neste Mundial, onde enfrentará em seguida… o campeão em título, o galês Mark Williams. «É o melhor que podia pedir. Deixem-me saborear esta vitória. Perry é especial, uma palavra para ele, classe de ‘top’, é à parte, jogador dos 16 ou 20 melhores. Fico contente por me estar a sedimentar nos 16 primeiros da hierarquia, e quero ficar por cá. Não sou tão experiente no Crucible como Williams, grande  jogador e pessoa, mas quero chegar ainda mais longe. Agora tenho é de ir comprar uns balões e bolo para a festa de anos do meu filho», afirmou.

 

O Mundial iniciou-se sábado, dia 20 do corrente mês, em Sheffield, e termina a 6 de maio. Atribui 2,231 milhões de libras (2,575 milhões de euros) de prémios, das quais meio milhão de libras (577.135 euros) ao campeão. Os 16avos de final são jogados à melhor de 19 possíveis ‘frames’,em  duas sessões: segue em prova o primeiro a vencer dez (de 10-0 a possíveis 10-9).

 

16avos de final, jogos desta terça-feira (apurados a negro):

Stuart Bingham-Graeme Dott, 10-9

Ronnie O'Sullivan-James Cahill, 8-10

David Gilbert-Joe Perry, 10-7

Judd Trump-Thepchaiya Un-Nooh, 3-6

Mark Allen-Zhou Yuelong, 2-7

 

Oitavos de final, quarta-feira:

Barry Hawkins-Li Hang (10 h)

Judd Trump-Thepchaiya Un-Nooh, 3-6 (10 h, conclusão)

Mark Allen-Zhou Yuelong, 2-7 (14.30 h, conclusão)

Kyren Wilson-Scott Donaldson (14.30 h)

Barry Hawkins-Li Hang (19 h)

Jack Lisowski-Ali Carter (19 h)

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