Os segredos do "rei" das subidas, que já merece um grande

Paços de Ferreira 22-04-2019 13:59
Por Pedro Cadima

Trepidam tambores na Mata Real, mesmo na paz da quadra pascal. O castor vai voltar a roer a paciência dos grandes na Liga. O projeto de subida, desenhado com a contratação de Vítor Oliveira, foi materializado a quatro jornadas do fim, ficando à vista o retrato de uma festa para emoldurar, mas havendo ainda um título por pincelar na tela das memórias de 2018/2019. Sucesso temperado pelo mesmo obreiro de 1990/1991, quando o Paços se fez senhor convidado para um baile na elite. Passaram 28 anos desde a primeira aliança entre o Paços e Vítor Oliveira, que da capital do móvel arrancou para uma dezena de subidas e ao mesmo clube voltou para marcar mais um ciclo de promoções. A primeira de outras dez?


Aos 65 anos…Vítor Oliveira não é técnico de grandes euforias e preserva uma imagem inatacável. O jogo com o Académico terminou, autorizando a festa da multidão, num apressado beijo da relva, tudo certo numa enleante e sagrada manifestação de júbilo dos adeptos junto dos jogadores. Distante desta temperatura abrasiva…um homem: Vítor Oliveira. O técnico ficou mais encolhido junto o túnel, contemplando cada momento, agrafando mais um capítulo na mente. São já onze subidas, todas prazerosas, intimamente mais poderosas do que exteriorizadas. Percebê-lo é fácil pela competência, responsabilidade e clareza de ideias. Cúmplice do seu sucesso no Moreirense e Arouca, Tó Ferreira não esconde a felicidade de ter abraçado mais um projeto com Vítor Oliveira.


«Para ele, é uma cultura de vitória enraizada. É uma pessoa calma e tranquila que não precisa de extravasar a satisfação e a realização. É um hábito, lida bem com isto, melhor do que eu, que vou na terceira subida. É muito objetivo. Na viagem dizia-me, isto quando não recebia chamadas de felicitações, que o principal está feito, mas falta a cereja em cima do bolo: sermos campeões», invoca Tó Ferreira, de 47 anos, que é também quem acompanha o treinador nas viagens diárias, entendendo-o de forma privilegiada.


«É o líder máximo deste sucesso, mas a ideia dele é que o jogo é dos jogadores e a festa pertence aos atletas e aos adeptos. Quando o árbitro apitou, viemos para o túnel e o que ele queria era que os jogadores festejassem, aliviassem uma época muito desgastante. É mais um momento indescritível, pois subir não é para qualquer um, é uma montanha dura com altos e baixos», garante o antigo guarda-redes, gabando os atributos naturais de Vítor Oliveira.


«Ele torna as coisas muito simples com uma liderança natural. Pede apenas responsabilidade. É um prazer estar com ele. Não carrega o trabalho 24 horas sobre 24 horas. Desliga para estar com a família e amigos. É muito raro falarmos de futebol no carro», partilha Tó Ferreira, juntando aquela que entende ser a definição exata do rei das subidas.


«É o líder dos treinadores, é respeitado por todos dentro do futebol. Gosta de confraternizar e, por esta altura, deve estar a pensar numas férias e numas jantaradas com os amigos», sublinha Tó Ferreira, incapaz de adivinhar o futuro, que só a Vítor pertence…


«Ele respeita a entidade patronal e sobra ainda uma etapa. Nunca se sabe o que ele vai decidir. Como ele diz  ‘bom é treinar na Liga, é onde está o potencial, mas há projetos e projetos e há coisas que se querem ou não fazer’», explica Tó Ferreira.


Campeão europeu pelo FC Porto, Frasco é das pessoas que melhor conhece Vítor Oliveira, pois fez parte da mesma geração, enquanto bebé do Leixões. Faz uma vénia ao amigo e ao treinador de sucesso.


«É muito competente e tenho de lhe dar os parabéns mais uma vez. Quando se sabe que ele vai treinar uma equipa da Liga 2 já se sabe o que vai dar. Vencer faz parte do ADN dele. Tem a perspicácia de saber escolher os jogadores que podem proporcionar a subida», elogia Frasco, voltando a um doce Leixões para traçar o perfil de um líder prematuro.


«Já quando jogava com ele, via-se como sabia conduzir quem estava por perto no campo. Conservou sempre os seus amigos, é alguém que gosta de conversar de tudo, um grande companheiro e uma pessoa divertida, que gosta de mandar umas boas piadas», revela Frasco, mágico de Viena, ciente que há mais vias para o sucesso de Vítor Oliveira.


«Gostava mesmo muito de o ver treinar um grande pois acredito que iria ter o mesmo sucesso. Tem todas as condições, mas é preciso quem lhe dê as possibilidades de demonstrar o trabalho. E é preciso recordar que manteve o Portimonense na Liga com alguma facilidade», junta.

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