Maguire vira e tira Pengfei do Mundial (10-9)

Snooker 22-04-2019 00:14
Por António Barroso, em Inglaterra

O escocês Stephen Maguire, de 38 anos, 15.º da hierarquia, é o quinto apurado para os oitavos de final do Mundial, prova da época 2018/2019 da World Snooker a decorrer até 6 de maio em Sheffield (Inglaterra), ao vencer o chinês Tian Pengfei, de 31 anos, 74.º do ‘ranking’, na ‘negra’ (10-9) no quarto e último jogo dos 16avos de final da prova a concluir-se neste domingo de Páscoa.

 

Após Mark Williams, Ding Junhui, Neil Robertson e Gary Wilson, o escocês - vencedor do Lisbon Open, em dezembro de 2014 - é o quinto a chegar aos 16 melhores no ‘teatro dos sonhos’, na segunda ‘negra’ da prova, também no segundo dia do torneio, depois de Gary Wilson ter sido o único a quebrar a supremacia evidenciada até agora pelos cabeças-de-série, ao bater Luca Brecel por 10-9 num 19.ª parcial que é o mais longo da história do Crucible: tempo retificado, de 75 para 79 minutos, durou a inesquecível, esgotante e mentalmente duríssima 19.ª partida de memorável batalha.

 

Assinalável reviravolta de Stephen Maguire, sempre a perseguir o chinês no marcador durante todo o encontro para ganhar ao ‘sprint’, ao arrebatar as três últimas partidas, desde 7-9, com felicidade à mistura – enorme ‘chouriço’ numa bola azul a permitir-lhe, então, encostar a 8-9 ao asiático ficou na retina – mas sem nunca desistir.

 

O próximo adversário de Stephen Maguire sairá do embate entre os ingleses Ronnie O’Sullivan – o pentacampeão mundial estreia-se na prova - e James Cahill, que jogam segunda-feira (14.30 horas) a primeira sessão do duelo.

 

Um filme já visto: em 2018, foi o ‘Rocket’ a travar o escocês no Mundial logo nos 16avos: após Maguire conseguir vantagem de 6-3 na sessão inaugural, o inglês veio com tudo e aplicou-lhe 7-1 numa sessão matinal, espetacular reviravolta a valer o 10-7 final.

 

O sorriso de orelha a orelha antecipou a meia hora de felicidade estampada no rosto de Stephen Maguire na última das seis conferências de imprensa do dia no Crucible.

 

«Tive uma sorte bestial, naquela azul que entrou para o 8-9. E só aí senti que ainda podia ir buscar o jogo, porque pouco correu a meu favor até então. Mas deve ser horrível para Tian perder assim, já estive do outro lado, uma palavra para ele, enorme jogador! Segunda-feira foi para casa, em Glasgow, e a guiar, sim, descanso, terça-feira e quarta-feira voltou aos treinos no clube, para voltar quinta-feira a Sheffield», afirmou Maguire, cujos olhos brilham a antever novo possível duelo com… Ronnie,

 

«É o melhor de sempre. É especial. Se for ele, terei de jogar a um nível inacreditável. Lembro-me sempre de uma final do German Masters, no Tempodrom, em que fiz tudo bem, ganhava por 4-0 e 6-2 e no fim ele ganhou-me na ‘negra’. Odeio perder, mas daquela vez até eu fiquei maravilhado a assistir. Costumam ser jogos bons sim. Mas cuidado: James Cahill também pode bater qualquer um. Mas nem acredito: cheguei a ter as malas aviadas e ainda estou em prova?! Depois penso nos ‘oitavos’», concluiu em meia-hora de perguntas e respostas que poderiam dar anúncio de dentífrico.

 

Antes, Pengfei mostrara-se conformado. «Foi dificílimo. A 9-9, depois de chegar a 9-7, pensei que o meu momento de fechar o jogo a meu favor poderia já ter passado. Mas tentei. O momento da viragem do jogo foi aquela bola azul de Stephen entrar, com muita sorte, e ele conseguir o 8-9, sim. Para estreia e primeira vez no Crucible, gostei muito. Tão contente estou que quero voltar para o ano, depois de, na qualificação, ter jogado ao melhor nível da carreira», afirmou por seu turno um esgotadíssimo profissional chinês. Pudera…

 

Segunda-feira é dia a prometer emoções fortes, com o inglês Mark Selby, vencedor de três das últimas anteriores cinco edições (2014, 2016 e 2017), a estrear-se de manhã ante outro chinês, Zhao Xintong… e a concluírem o jogo à noite, enquanto o escocês John Higgins tentará, também depois de almoço, confirmar a supremacia com que chega à decisão ante o inglês Mark Davis (6-3).

 

A noite de dia 22 trará outro embate 100 por cento inglês, entre David Gilbert e Joe Perry, e, pela manhã, há a confirmar se Shaun Murphy fecha ou não com o segundo 10-0 na história do Crucible o duelo com Luo Honghao… e se o chinês consegue somar os 113 pontos mais que necessita para que o indesejável recorde de Danny Fowler, do pior saldo de pontos conseguido no ‘teatro dos sonhos’ (num 1-10 ante Stephen Hendry, em 1993, na 1.ª ronda) não vá parar a si: o inglês somou 191 pontos nesse jogo, o asiático tem… 78 pontos dos primeiros nove ‘frames’ no embate com Murphy.

 

O Mundial iniciou-se sábado, dia 20 do corrente mês, em Sheffield, e termina a 6 de maio. Pontua para o ‘ranking’, é transmitido para Portugal (EuroSport) e atribui 2,231 milhões de libras (2,576 milhões de euros) de prémios, das quais meio milhão de libras (577.354 euros) ao campeão.

 

Os 16avos de final são jogados à melhor de 19 possíveis ‘frames’, duas sessões: segue em prova o primeiro a vencer dez (de 10-0 a possíveis 10-9).

 

16avos de final, jogos deste domingo (apurados a negro):

John Higgins-Mark Davis, 6-3

Ding Junhui-Anthony McGill, 10-7

Shaun Murphy-Luo Honghao, 9-0

Luca Brecel-Gary Wilson, 9-10

Neil Robertson-Michael Georgiou, 10-1

Stephen Maguire-Tian Pengfei, 10-9

 

Jogos de 2.ª feira:

Shaun Murphy-Luo Honghao, 9-0 (10 horas)

Mark Selby-Zhao Xintong (10 e 19 horas)

John Higgins-Mark Davis, 6-3 (14.30 horas)

Ronnie O'Sullivan-James Cahill (14.30 horas)

David Gilbert-Joe Perry (19 horas)

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