Consumidores e consumos de suplementos alimentares (artigo de Vítor Rosa, 23)

Espaço Universidade 04-04-2019 18:41
Por Vítor Rosa

Ter uma “memória de elefante”, um ventre delgado, um bronzeado antes da hora... As promessas dos suplementos alimentares são atrativas. Nestes últimos anos, estes produtos “inundaram” as prateleiras das farmácias, parafarmácias, grandes superfícies, lojas especializadas. São amplamente divulgados e vendidos através da Internet e da televisão, quer em Portugal, quer no estrangeiro. O seu consumo generalizou-se e encontra-se em crescimento.

 

A União Europeia define-os como géneros alimentícios que se destinam a completar (e não substituir) o regime alimentar normal. No entanto, as empresas procuram vender estes produtos para prevenção da doença, melhoria da saúde, desempenho físico, obtenção ou redução de peso corporal, etc. Constituem uma fonte concentrada de determinados nutrientes ou outras substâncias que têm efeito nutricional ou fisiológico. Podem ser combinados e apresentam uma forma doseada, ou seja, em cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílula, ampola, frasco, ou outras formas, que se destinam a ser tomadas em unidades de medida em quantidade reduzida. São preparações de reposição de vitaminas, nutrientes, minerais, fibras, ácidos gordos, aminoácidos, para as pessoas. Boa parte dos suplementos alimentares ainda não foi alvo de exaustiva investigação clínica exigida pelas autoridades e, noutros casos, os resultados obtidos não são iguais para todas as pessoas, em situações aparentemente semelhantes.

 

Os suplementos alimentares são vendidos sem prescrição médica, mas não são medicamentos. Eles situam-se entre o medicamento e o alimento. Não sendo um medicamento, passa nas malhas do controlo rigoroso. Cabe, no fundo, à empresa garantir a conformidade com a legislação em vigor. Alguns resultados têm revelado problemas na rotulagem e no material de divulgação. Conhecem-se poucos estudos científicos sobre o assunto. O uso destes produtos tornou-se normal. Não se sabe ao certo os seus benefícios ou malefícios, mas há pessoas que não podem passar sem eles.

 

Distinguem-se três famílias de suplementos alimentares:

·         os nutrientes essenciais: aqueles que o organismo humano não sabe sintetizar, mas que são indispensáveis para viver. Eles devem ser dados pela alimentação... ou por suplementos alimentares.

·         os nutrientes não essenciais: como todos os nutrientes, eles são derivados dos alimentos e têm uma ação no nosso corpo. Eles são considerados “não essenciais” porque o organismo sabe produzi-los ou eles não são indispensáveis para a vida.

·         Os extratos de plantas ou de produtos naturais: muitas vezes, a sua utilização remonta a origens ancestrais, baseada na experiência dos antigos. Eles contêm uma ou várias substâncias ativas, mas nem sempre identificáveis. Note-se que a partir de certos produtos naturais, a pesquisa científica isolou diversas moléculas, dando origem a vários medicamentos. Segundo os produtos e segundo as doses, os seus componentes podem ter um efeito benéfico sobre o organismo, um efeito nefasto ou nenhum efeito.

 

No caso dos praticantes de desporto, este tipo de produtos é procurado para ajudar a obter um melhor rendimento nos seus exercícios físicos, beleza, saúde, etc. Ao falar de suplementos alimentares, deve-se abordar também a questão da dopagem, que leva à alienação do Homem.

O que nos provam os estudos científicos é que os efeitos benéficos de uma alimentação são superiores aos dos suplementos alimentares. Por isso, uma alimentação variada e equilibrada é primordial para a saúde, a boa forma física, a tonificação e o equilíbrio. Quando se come bem, não é necessário, a maior parte do tempo, de suplementos alimentares. Por outro lado, nenhum “cocktail” de suplementos alimentares pode substituir uma alimentação equilibrada.

 

Vítor Rosa

Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado no CPES – Centro de Pesquisa e Estudos Sociais, da Universidade Lusófona de Lisboa

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