Borboletas cinzentas

O Mundo dos Guarda-Redes 18-02-2019 18:29
Por Roberto Rivelino

Chico Anysio senta-se ao lado de Jô Soares (1995). Este, de bate-pronto, pergunta-lhe: «que negócio é esse, de atacar de Sílvio Caldas e fazer uma despedida em cada teatro e cidade em que já atuou?» Entre tantas questões para abrir a entrevista, Jô Soares começou pela despedida. 2019 – terça-feira de Champions League -, Iker Casillas no Olimpico de Roma e Gianluigi Buffon em Old Trafford. Um no Porto, outro no PSG. Nenhum a envergar o manto com que sonhara terminar a carreira. Ambos a respaldar a inevitável do último voo, mas sempre com algo por acrescentar. Cada data é uma nova oportunidade e um novo frio na barriga no momento de ouvir o hino da prova-mor. Enquanto Chico Anysio se foi reinventando até ao seu último trabalho em 2011, fintando a despedida, Casillas e Buffon têm de dominar uma arte bem diferente.

Desafiando-se, o espanhol deu passos em frente para sair a cruzamentos e a bolas aéreas – com e sem eficácia -, inflexível nos posicionamentos (positivo e negativo), e tirou o guardanapo mágico para mostrar a velocidade de execução que o notabilizou em tantas terças e quartas-feiras europeias. Em Manchester, Gianluigi agarrou-se ao poste para intercetar um cruzamento atrasado, defendeu já em queda – traço da intuição que já lhe granjeou momentos espetaculares e outros olvidáveis nos anos recentes, com outra camisola -, e deixou o perfume do seu estatuto num palco que gosta de reconhecer senhores da vida que é o futebol.

Sei que na nossa Liga (Liga 2 e Campeonato de Portugal), não houve um guarda-redes que não se imaginasse a calçar as luvas de terça e quarta-feira que Iker Casillas ou Gianluigi Buffon já calçaram em qualquer uma das etapas da carreira, ser uma borboleta cinzenta por um dia. Que, nessa visualização, tenham percebido a essência da longevidade do jogo de ambos – conhecimento e perceção sobre a prática do futebol tático, técnico, mental e psicológico (acima de tudo o que aprenderam na exercitação da defesa de baliza).

 

DEFESA DA JORNADA (21.ª)

 

Renan Ribeiro – CD Feirense 1-3 Sporting CP – 36’ – Desvio superior

Avaliação da defesa: 9 (nove)

Critério: A defesa da jornada é escolhida por um critério de pesagem entre execução técnica, interpretação tática e complexidade da tomada de decisão.

 

Canto fechado (pé direito), com desvio ao primeiro poste; Neste momento, Renan Ribeiro encontra-se em posição-base média, com os apoios de perfil para o deslocamento da bola (instante do cabeceamento de Briseño), centrado com a baliza;

 

Após o cabeceamento de Briseño, a bola ultrapassa colegas e adversários rumo às imediações do primeiro poste; Renan Ribeiro (posição-base média baixa), crava os apoios ao ficar sem chance para uma possível interceção à bola na zona diagonal ou frontal;

 

Fábio Sturgeon aparece em incursão e toca na bola na direção de Renan Ribeiro; O guarda-redes do Sporting defende a bola com a mão esquerda, a pouca distância da linha de baliza em pura velocidade de execução

 

 

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