Arbitro vs. Vídeo-árbitro: duas faces…de moedas diferentes!

Espaço Universidade 28-01-2019 21:47
Por Bruno Travassos

Na passada semana o grande protagonista da Allianz CUP foi o VAR. Nesta competição verificaram-se os 4 erros possíveis de intervenção: i) chamar o VAR quando não era necessário (Seferovic); ii) não chamar o VAR quando era necessário (Oliver v Gabriel), iii) após consulta do VAR, marcar indevidamente falta (Acuña v Diego Sousa); iv) após consulta do VAR, não marcar falta quando se deveria marcar (Coates).

 

Mas olhemos para o VAR com mais atenção. Após as primeiras 11 jornadas da Liga foram 27% do total de intervenções do VAR terminaram em avaliações erradas. Falta saber se estas situações resultaram de alteração da avaliação face à intervenção do VAR ou qual o resultado destas avaliações erradas no resultado final do jogo, pois no final será isso que interessa… Para além dos resultados até ao momento, interessa olhar o futuro. 

 

Como poderá ser melhorada a atuação do VAR de modo a diminuir as avaliações erradas?

Investigação científica demonstra que o modo como o árbitro perceciona e avalia a mesma situação em campo ou em vídeo é completamente diferente. Enquanto em campo a expertise do árbitro passa por movimentar-se de forma a recolher a melhor informação para decidir, a expertise do vídeo-arbitro passa apenas pelo foco do olhar na informação relevante para a decisão segundo diferentes perspetivas. Num estudo científico que procurou avaliar a tomada de decisão no desporto, verificou-se que o tempo de resposta e a exatidão da resposta variam em função do modo como o estimulo é captado (campo ou em vídeo) e em função do objetivo da ação a realizar (julgar uma decisão em campo num dado instante ou julgar uma decisão em vídeo e verbalizar se esta é correta ou errada). Estes dados significam que a ação do árbitro ou do VAR são diferenciadas e consequentemente que o seu treino deve ser diferenciado, de modo a que a capacidade de intervenção no cumprimento das suas funções seja maximizada. Neste momento, imagina-se a dúvida do dia-a-dia de um árbitro… como deverei treinar? Tenho condições para treinar VAR? Como deverei olhar para o jogo de modo a preparar-me para o jogo do próximo fim-de-semana… como árbitro, como VAR?

 

Do mesmo modo, investigação científica com árbitros de futebol já demonstrou que o número de monitores e a disposição desses mesmos monitores, bem como o ângulo de visão utilizado e a sua velocidade afetam a perceção e avaliação do árbitro. De forma interessante, jornalistas desportivos com vasta experiência na análise do jogo de futebol, na experimentação do VAR, erraram na avaliação e enganaram o árbitro. Não é que lhes seja estranho o visionamento de vídeos sobre futebol ou o escrutínio de avaliações de árbitros no decorrer do jogo, mas porque olhar um televisor com diferentes imagens e em diferentes planos, com diferentes velocidades de visionamento e ter que realizar uma avaliação num curto espaço de tempo encerram exigências próprias que obrigam à especialização nessa mesma função.

 

Face ao exposto, questionamos o porquê de os árbitros auxiliares e os árbitros possuírem carreiras distintas dentro da própria equipa de arbitragem, enquanto no VAR existe uma constante alternância de funções entre o desempenho de árbitro e VAR e entre equipas de arbitragem? A especialização de funções e a melhoria dos processos de comunicação são fundamentais para potenciar a atuação em momentos críticos de atuação! Cada um com as suas funções para como preconizado tenhamos um VAR com “mínima interferência para máximo beneficio”.

 

Bruno Travassos

Professor Auxiliar e diretor de mestrado em Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior. Investigador CIDESD.

 

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