‘Predador’ Ronnie na 2.ª final seguida em Xangai

Snooker 14-09-2018 16:55
Por António Barroso

O inglês Ronnie O’Sullivan, de 42 anos, pentacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012 e 2013) e terceiro do ranking mundial, apurou-se na tarde desta sexta-feira para as meias-finais do Xangai Masters, prova da época 2018/19 da World Snooker, que se iniciou o dia 10 do corrente mês e irá concluir-se domingo (dia 16) na cidade chinesa, ao vencer o compatriota Kyren Wilson, de 26 anos, oitavo da hierarquia, por 10-6, na primeira meia-final da prova a concluir-se.

 

Na sua 27.ª época como profissional desta variante do bilhar, o Rocket, que já somava 950 tacadas centenárias (de 100 ou mais pontos) na carreira - 951 agora, após os 135 pontos de rajada para Ronnie no quinto parcial desta meia-final, única tacada centenária (de 100 ou mais pontos) do jogo - e que se estreou na época 2018/19 precisamente em Xangai, a defender o título conquistado em 2017 (10-3 a Judd Trump na final) após quatro meses de ausência, teve pela frente um Warrior (Guerreiro, alcunha de Wilson) invicto há 19 jogos, e triunfador no Paul Hunter Classic, em Furth (Alemanha) e no Mundial de 6 Vermelhas, em Banguecoque (Tailândia) já esta temporada.

 

O duelo entre um dos maiores predestinados para a prática desta variante do bilhar e o jogador em forma, o homem do momento, Kyren Wilson – que o próprio Ronnie já apontou, há dois anos, como futuro campeão mundial, e que tem tido meteórica ascensão no circuito profissional, a confirmar-se (já disputou as meias-finais do Mundial no corrente ano, batido pelo escocês John Higgins, por 13-17-)…- não frustrou as expetativas, antes as suplantou.

 

Kyren Wilson, que viu findar-se série de 19 vitórias seguidas em jogos na temporada (e dois torneios no bolso) foi temível e sólido, e assustou Ronnie, que por várias vezes fez cara feia e poderia muito bem ter concluído a primeira das duas sessões do encontro em larga desvantagem, talvez de 3-6 ou até 2-7, mas viu o compatriota de Kettering acusar a pressão, e saiu em vantagem tangencial (5-4) para a metade final do duelo, após arrebatar na raça e classe pelo menos três frames que um Kyren Wilson temível e fortíssimo pareceu ter na mão... mas deixou fugir o pássaro, ante a lenda vida do snooker.

 

Depois do intervalo, mais do mesmo: erros infantis e displicentes de um Ronnie mal encarado mas cínico, frio, resiliente, capaz de tirar coelhos da cartola a qualquer altura, a fazer 6-5, para Wilson, também a conseguir bolas de alto calibre e igualmente a falhar quando menos se esperaria - acusou mais a pressão - igualar a 6-6. Desde o início que Kyren não mais liderou o marcador: enferrujado por falta de competição (não jogava há quatro meses) e tradicionalmente demorado a aquecer os motores em todos os encontros e se adeptar, quando olhou para o lado já Ronnie perdia por 0-2... e teve o 0-3 bem perto.

 

Mas o inglês de Chigwell prevaleceu na hora de os nervos aparecerem. E se Kyren poderia facilmente ter chegado até a 3-1, exímio cinismo e arte de Ronnie a roubar parciais que pareciam destinados ao prato contrário da balança permitiram-lhe chegar a 4-2, antes de Wilson igualar 4-4 e ter o 5-4 nas mãos… para fraquejar e O’Sullivan não perdoar, antes do intervalo.

 

Decisivo no duelo entre o génio de Ronnie e a consistência de Wilson (fantástico jogo longo, embolsava tudo lá do meio da rua!) foi o 13.º parcial, em que, com 6-6, Wilson desperdiçou duas oportunidades de voltar a liderar, e, com 35 pontos possíveis na mesa e 34 de desvantagem do compatriota, o Rocket limpou a mesa e venceu mesmo, por um ponto, e passou para a frente do marcador (7-6).

 

Um desaire que fez mossa psicológica (e de que maneira) no compatriota, que não mais se levantou e somou erros inesperados para Ronnie, com mais três parciais, a somar quatro frames de rajada para si, vencer, autoritário. O Rocket espera agora pelo rival na final da prova, que sairá do duelo entre o ídolo local, o chinês Ding Junhui, de 31 anos, sexto do ranking, e o inglês Barry Hawkins, de 39 anos, sétimo da hierarquia, sábado.

 

A prova, por convite e reservada aos melhores profissionais do planeta, não pontua para o ranking mas distribui 725 mil libras (813.189 euros) de prémios, e avultado prémio de 200 mil libras (224.328 euros) para o campeão, que poderá ser de novo Ronnie O’Sullivan, que não irá estar presente nas duas próximas provas da época, o China Championship e o European Masters.

 

O duelo Ding Junhui-Barry Hawkins, segunda meia-final do torneio, transmitido em direto para Portugal (EuroSport) será jogado também à melhor de 19 parciais, com a vitória a surgir ao décimo parcial (de 10-0 a possíveis 10-9). Já a final disputa-se domingo, em duas sessões, até um dos jogadores conquistar 11 frames, à melhor de 21 parciais (de 11-0 a possíveis 11-10).

 

Xangai Masters, meias-finais (hora portuguesa, apurado a negro):

Ronnie O'Sullivan-Kyren Wilson, 10-6

Ding Junhui-Barry Hawkins (sábado, 7 e 12.30 horas)

 

Final:

Ronnie O’Sullivan-Ding Junhui/Barry Hawkins (domingo, 7 e 12.30 horas)

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