FIBA Women´s Basketball World Cup  (Artigo de Eduardo Monteiro, 32)

Espaço Universidade 09-09-2018 19:56
Por Eduardo Monteiro

O próximo Campeonato Mundial de Basquetebol Feminino vai realizar-se de 22 a 30 de Setembro de 2018, na cidade de Tenerife (Comunidade Autónoma das Canárias) da nossa vizinha Espanha, com a participação das 14 selecções nacionais seniores apuradas nos respectivos campeonatos continentais:

 

 - FIBA Eurobasket Women´s (16 a 25 Junho) República Checa-2017

França, Bélgica, Grécia, Turquia e Letónia (5 equipas).

 - FIBA Women´s Asia Cup (23 a 29 Julho) India-2017

Japão, Austrália, China e Coreia do Sul (4 equipas).

 - FIBA Women´s AmeriCup (6 a 13 Agosto) Argentina-2017

Canadá, Argentina e Porto Rico (3 equipas).

 - FIBA Women´s AfroBasket (18 a 27 Agosto) Mali-2017

 

Nigéria e Senegal (2 equipas), a que se juntam a selecção de Espanha na qualidade de país organizador e a dos Estados Unidos da América por serem as actuais campeãs olímpicas, num total de 16 representações nacionais.

As grandes surpresas são o apuramento das equipas representativas da Letónia e da Bélgica que ocupam a 12ª e 14ª posição no ranking europeu. A classificação da Grécia também pode ser considerada uma proeza na medida em ficaram de fora selecções melhor cotadas como as da República Checa, Sérvia, Rússia, Bielorússia e Croácia. Na Ásia Cup juntaram-se as formações da Ásia e da Oceania não se registando qualquer alteração significativa em relação aos habituais apuramentos. Na AmeriCup a não participação da selecção do Brasil (no âmbito da suspensão imposta pela FIBA à Confederação Brasileira) impediu que uma das melhores selecções internacionais ficasse apurada para o mundial. Em relação ao AfroBasket o apuramento da Nigéria também surpreendeu pelo que ficaram fora da prova mundial as senhoras de Angola, Mali e Moçambique com melhor ranking no contexto africano.

 

Sistema de Competição

Fase de Grupos

Entretanto, as 16 selecções participantes na prova máxima do sector feminino foram divididas em 4 grupos (cada um com 4 equipas) que jogarão entre si.

Grupo A – Coreia do Sul, Grécia, Canadá, e França.

Grupo B – Austrália, Turquia, Argentina e Nigéria.

Grupo C – Japão, Porto Rico, Bélgica e Espanha.

Grupo D – Letónia, USA, Senegal e China.

Nesta fase serão efectuados um total de 24 jogos e elaborada uma classificação (do 1º ao 4º lugar) em cada grupo. As equipas que ficarem na 1ª posição, em cada grupo, ficam apuradas directamente para a fase  denominada Quartos de final.

Fase de qualificação para os Quartos de final

As oito equipas classificadas em 2º e 3º lugar na fase de grupos disputarão uma eliminatória directa, entre si, de acordo com a seguinte fórmula (2A-3B)(2B-3A)(2C-3D)(2D-3C). Os vencedores serão apurados para os Quartos de final e os vencidos são eliminados da competição.

Quartos de Final

As quatro selecções apuradas directamente da fase de grupos e as quatro apuradas da fase de qualificação para os quartos de final irão jogar entre si a eliminatória referente aos quartos de final.

Apuramento do 5º ao 8º classificado

 As quatro equipas vencidas irão efectuar os jogos referentes à definição do 5º ao 8º classificado.

Semi-finais, definição do 3º e 4º classificado e Final

 As 4 selecções vencedoras avançam para as Semi-finais, definição do 3º e 4º classificado e jogo final da competição para a atribuição do título de campeão mundial.

 

TOP 10 – FIBA -  Candidatos ao título mundial

1 – Estados Unidos da América

A selecção norte americana é, como sempre, a principal favorita à conquista do título mundial atendendo a que a sua composição é baseada em atletas da liga profissional da WNBA, ainda por cima encabeçadas por Maya Moore (considerada a melhor jogadora do mundo).

2 – Austrália

 A Austrália, 4ª posição no ranking mundial, continua a ser um grande viveiro de basquetebolistas e apresenta argumentos do ponto de vista técnico e atlético capaz de ultrapassar qualquer favorito. Têm em Liz Cambage uma lançadora temível, de meia distância, que pode fazer a diferença nos momentos decisivos.

3 – Espanha

As líderes do ranking europeu e segundas a nível mundial, logo a seguir aos USA, podem ser um perigo para a concorrência a jogar em casa. A influência de Astou N´Dour, que já mostrou a nível internacional do que é capaz, e o talento de Alba Torrens podem desequilibrar a balança a favor de “Nuestras Hermanas”.

4 – Bélgica

Parece-nos arriscado apostar forte na selecção belga que foi a grande surpresa no apuramento para o mundial quando ocupa apenas a posição 14ª no ranking europeu. No entanto, temos que ter em conta que possuem jovens talentosas como Emma Meesseman e Ann Wauters que podem surpreender as equipas mais distraídas.

5 – França

A selecção francesa, posicionada na 2ª posição no ranking europeu e 3ª no ranking mundial é, à partida, uma equipa favorita face à sua categoria a nível internacional e experiência das suas jogadoras. Possuem atletas talentosas que a qualquer momento podem fazer a diferença na obtenção de bons resultados e conquista de uma classificação prestigiante.

6 – Canadá

De há alguns anos a esta parte a selecção canadiana tem mostrado uma evolução assinalável. Contudo, os resultados obtidos recentemente na preparação para o mundial não corresponderam às expectativas criadas. No entanto, o regresso previsto de Kia Nurse e Katherine Plouffe serão fundamentais na conquista de bons resultados desportivos.

7 – Japão

Vencedoras surpreendentes do Asia Cup fez com que se tornassem na mais valiosa equipa asiática. Para além de possuírem uma capacidade competitiva muita intensa, a entrada da sua estrela Ramu Tokashiki, jogadora profissional na WNBA, vai aumentar consideravelmente o leque de opções estratégicas da formação japonesa.

8 – China

Embora ocupe a 10ª posição no ranking mundial a derrota face à equipa japonesa trouxe uma onda de descrédito que acreditamos ser passageira. As jogadoras chinesas, dotadas de um enorme potencial, não têm apresentado a necessária intensidade competitiva. Pensamos que a entrada em jogo de Yueru Li pode funcionar como o motor de arranque para a recuperação da referida intensidade de forma a garantir melhores prestações.

9 –Letónia

Outra grande surpresa no apuramento para este mundial. Com uma equipa mesclada de juventude e experiência podem atrapalhar muita gente. A presença da veterana Gunta Basko e da nova estrela da companhia Kitija Laksa podem representar argumentos suficientes para levar de vencida gente mais experiente mas menos ambiciosa.

10 - Coreia do Sul

Liderada pelo enorme talento de Kingpin Park Jisu, uma nova estrela da WNBA, a equipa coreana disfruta de um cinco inicial com muita qualidade e competitividade. Contudo, existe uma enorme diferença de valor entre estas e as jogadoras que começam no banco das suplentes, pelo que este facto pode comprometer a prestação final do conjunto coreano.

 

Jorge Garbajosa, antigo internacional espanhol e ex-jogador dos Toronto Raptors da NBA, é Presidente da Federação Espanhola de Baloncesto há 2 anos e foi o principal impulsionador da organização do Campeonato Mundial  Feminino de Basquetebol em Espanha-2018, na ilha de Tenerife. Está convencido que este mundial será o melhor de sempre e, ao mesmo tempo, uma festa do desporto feminino e  ponto de partida para o desenvolvimento e consolidação do basquetebol feminino em Espanha. Funcionará, igualmente, como referência para o lançamento de um projecto que pretende criar condições idênticas de prática desportiva para homens e mulheres no basquetebol e no desporto espanhol.

 

Entre nós, o êxito alcançado na organização de provas internacionais femininas de selecções jovens, em Matosinhos, e os bons resultados das nossas equipas de meninas, eram indícios de uma mudança no comportamento futuro da nossa selecção senior, foi uma decepção. Com tantas jogadoras nacionais a frequentar e jogar em universidades norte americanas e umas tantas profissionalizadas em diversos clubes europeus, já era tempo dessa melhoria qualitativa das nossas jogadoras ter reflexos positivos na selecção senior, de maneira a podermos figurar, pelo menos, no ranking europeu.

 

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais

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