Silly season: quatro apontamentos (artigo 2 de Armando Neves dos Inocentes)

Espaço Universidade 17-08-2018 18:16
Por Redação

Eduardo Galeano no seu livro «Futebol: sol e sombra» (2006, Livros de Areia) perguntava-nos quantos teatros estão metidos no teatro do futebol…

 

Após o jogo entre o Boavista e o Porto, realizado a 6 de Maio de 2006, foi instaurado um processo sumaríssimo ao jogador Ricardo Silva, do Boavista, sendo este acusado de ter agredido com uma cotovelada o portista Anderson. A época desportiva terminou vindo-se a conhecer só em Outubro, 5 meses depois, a decisão da Comissão Disciplinar da Liga: suspensão de um jogo para o agressor. Ficou assim o Boavista impedido de contar com o mesmo para o primeiro confronto perante o Nacional na época de 2007/2008. O comportamento do jogador foi sancionado mas só teve reflexos no campeonato seguinte…

 

Em Itália, o Parma acedeu à Série A na época 2017/2018, mas no último jogo da Série B, contra o Spezia, um dos seus jogadores pretendeu influenciar o resultado, tendo enviado mensagens a um dos adversários tentando convencê-lo a não dar o seu melhor nessa partida. Resultado: o mesmo foi suspenso por dois jogos e foi-lhe aplicada uma multa de 20 mil euros… e o Parma foi penalizado iniciando a época seguinte com cinco pontos negativos. Mais um caso ocorrido numa época e numa série, com reflexos na época seguinte e numa outra série… Teria o Parma subido se o ilícito tivesse sido sancionado do mesmo modo na época respectiva? Não!

 

E o mesmo Eduardo Galeano dizia-nos que “a moral do mercado, que é, no nosso tempo, a moral vigente, autoriza todas as chaves do sucesso, mesmo as que tenham a forma de um pé de cabra”.

 

O COI estabeleceu que, para os Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires 2018, cada país poderia apenas participar com uma selecção, por género (uma equipa masculina ou uma equipa feminina), nas modalidades colectivas que integram o respetivo quadro competitivo – e são quatro as modalidades. O COP definiu como critério prioritário que se mais do que uma modalidade estivesse qualificada, participariam duas modalidades e não apenas uma única, garantindo uma maior diversidade da representação nacional. Acontece que apenas se apuraram para participar as selecções de Portugal de Andebol de Praia (feminina e masculina) e de Futsal feminina.

 

Curioso é o facto de “género” ser um critério de apuramento…

 

Foram assim escolhidas as selecções de Portugal de Andebol de Praia masculina e de Futsal feminina, ficando de fora a selecção feminina de Andebol de Praia.

 

Entretanto, Carlos Resende, treinador de andebol do Benfica e pai de uma das jogadoras desta última, veio a terreiro afirmar (DN, 14.08.2018) que “a FIFA ou a UEFA é que decidiram. Isto do Futsal masculino não se qualificar é uma falácia, porque também se apuraram e depois houve ordens para que fosse retirada a candidatura”.

 

E o mesmo Eduardo Galeano dizia-nos que “o futebol profissional é intocável porque é popular. «Os dirigentes roubam para nós», dizem, e acreditam, os adeptos”.

 

Inês Henriques e Nélson Évora venceram, respectivamente, as provas de 50Km Marcha e de Triplo Salto, no recente Campeonato Europeu de Atletismo. Ambos se revelaram os melhores da Europa, a primeira aos 38 e o segundo aos 34 anos.

 

“Somos porque ganhamos”, disse-nos Eduardo Galeano. “Se perdemos deixamos de ser”, disse-nos o mesmo Galeano…

 

As excepções vão dando a ideia que tudo está bem! Numa comitiva com 35 atletas para 2 medalhas de ouro (é pouco mas é ouro, exulta-se!) Portugal ficou-se por um 11º lugar no medalheiro e 94,3% dos mesmos não chegaram ao pódio nem perto dele ficaram…

 

“Todos os sucessos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis” dizia Pangloss a Cândido (sim, o Cândido de «Cândido e o Optimismo» de Voltaire), ao que este retorquia: “tudo isso está certo, mas é preciso cultivar a nossa horta”. Cultivemos pois a nossa horta: como a temos cultivado até aqui, ou de maneira diferente…

 

E apesar do mesmo Eduardo Galeano nos ter dito que os ideólogos amam a humanidade mas desprezam as pessoas, Tiago Brandão Rodrigues, ministro português responsável pelo desporto, veio declarar que “não é obviamente necessário ter a mesma profundidade de conhecimento quando estamos a treinar jogadores num escalão de iniciados do que quando estamos com equipas seniores”…

 

Pois não, nem é obviamente necessário ter a mesma profundidade pedagógica…

 

 

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