Mark Williams campeão mundial (18-16)

Snooker 07-05-2018 21:56
Por António Barroso, em Inglaterra
O galês Mark Williams, de 43 anos, é o novo campeão mundial de snooker, após ter vencido o escocês John Higgins, de 42 anos, por 18-16, na final do Campeonato do Mundo, que se concluiu na noite desta segunda-feira no Crucible Theatre, em Sheffield (Inglaterra).

Depois dos títulos mundiais em 2000 e 2003, o welsh potting machine, sétimo da hierarquia, chega assim ao ambicionado , na sua quarta final no teatro dos sonhos, e 15 anos após a sua última vitória, depois de uma final ganha sem discussão ante o velho rival Higgins, tetracampeão mundial (1998, 2007, 2009 e 2011), que, na sua sétima final (segunda consecutiva) não conseguiu fazer melhor do que em 2017, quando também perdeu, para o inglês Mark Selby.

O mesmo Mark Selby que wilo agora igualou com três títulos no templo desta variante da bilhar, palco da prova maior da época 2017/18 da World Snooker - e que fecha a temporada desde 1977 - elevando para 21 o número de títulos em provas de ranking, três deles esta época: Open da Irlanda do Norte e Masters da Alemanha, além do Mundial (venceu ainda o Mundial de Seis Vermelhas, não pontuável para o ranking).

Mas muito sofreu Mark Williams para ganhar a final do Mundial, com Higgins a não se render e a recuperar, tanto de 1-5 para 7-7 como de 10-15 para o 15-15, e o Mundo a ficar a dever-lhe a ambos uma das mais belas finais de que há memória, pelas alternâncias no marcador. Ganhou… o snooker. Fabulosa jornada de propaganda desta variante do bilhar, no jogo mais importante do ano.

Higgins, quinto da hierarquia, vinha pressionado pela desvantagem de 10-15 à entrada desta derradeira de quatro sessões do duelo ante um galês cujo tema de entrada na arena, Delilah, de Tom Jones, arrebatou a plateia desde a primeira hora. Isso… e a promessa de aparecer nu na conferência de imprensa caso ganhasse, o que o escriba de A BOLA irá confirmar já de seguida.

Mark Williams entrou com a imagem de marca sua nesta final: mais uma bola dita impossível, uma vermelha cortada para um dos buracos do meio, para depois falhar a preta logo a seguir e permitir a Higgins continua a esbracejar para se aguentar à tona da àgua. E como: limpou a mesa, centenária (131 pontos) para reduzir para 11-15.

Abertura desastrada do galês no 27.º parcial deu ao escocês a chance de continuar a esgravatar pela parede do poço em busca da luz. Mas Higgins fraquejou, como não se lhe tinha visto ainda neste Mundial até à final – sinais de fadiga, saturação, inconformismo… ou simplesmente não tinha mais para dar no depósito -, e Williams voltou à mesa.

Foi até 58-1… e o galês falhar uma vermelha para o meio, dando ao feiticeiro de Wishaw a chance de ainda resgatar o frame, com os pontos disponíveis na mesa. O que Higgins fez com aquela categoria e classe costumeira: 67 pontos e a reaproximação para três de distância, 12-15.

Mais do mesmo, e terceiro de rajada para Higgins (em três) na sessão noturna no 28.º frame: Williams parou nos 47 pontos (falhou vermelha inesperadamente) e quando o feiticeiro de Wishaw foi à mesa, fez desaparecer as bolas todas, com nova entrada soberba de 82 pontos: 13-15, emoção de volta e a sensação de que a final poderia estar a virar-se. Pior para o galês: terceiro parcial que podería ter conquistado e John lhe roubou, mortífero.

Espantosa combinação de vermelhas permitiu ao escocês continuar um recital de bem jogar no 29.º frame. Deixou Williams em apuros, snooker (branca tapada por outra bola) e, com vermelha longa de encantar, continuou o seu solo no palco e a hipnotizar como o faz há 26 anos: resiliente, a provar que a consistência também pode prevalecer sobe a genialidade que amiúde Williams mostrou.

A confirmação de que era a hora de mais uma épica recuperação de John Higgins veio com o quatro em quatro nesta quarta e última sessão: duas visitas chegaram para selar o encosto: 14-15, intervalo… e os dados relançados. Agora era Williams de olhar baço e perdido: só dava Higgins. Bem-vindos às emoções do Crucible: vai acima, vai abaixo, e nunca está ganho… até estar mesmo.

A reação ou o eclipse total

A segunda e última parte desta quarta e última sessão trazia a incógnita: iria Higgins continuar o jogo de sentido único da noite desta segunda-feira, ou Williams viria recauchutado do intervalo?

O escocês embolsou bela vermelha longa e quando embalava, falhou rosa para o meio: Wilo tinha nova oportunidade de somar o primeiro ponto à noite, para alegrar a família (tinha mulher e filhos nas bancadas, tal como John Higgins).

No 30.º frame, Williams falhou vermelha com 47 pontos e mais do mesmo: mais um parcial que teve na mão e que o escocês, com classe, venceu: limpou a mesa até à rosa, 62 pontos… e 15-15.

Segundo empate na final, após 7-7 na noite de domingo, e passava a ser à melhor de cinco: quem vencesse três, ganhava. Mark Williams manteve a concentração de campeão que também é, apesar dos sucessivos rombos no seu porta-aviões.

Aproveitou abertura displicente de Higgins no 31.º frame e somou 41 pontos, mas sempre sem a consistência de selar vitória numa visita à mesa – a grande diferença para o sublime Higgins desta sessão final -, mas falhou vermelha para o meio.

Novo break do galês, de 32 pontos, e lá conseguiu prova de vida (74-0) e, importante e moralizador, não conceder o sexto parcial de rajada . Mais demolidor teria sido conceder, pela primeira vez em dois dias de final, a liderança a Higgins: avançou para o 16-15.

E após falhanços comprometedores de um e outro lado – a pressão do Crucible, a adrenalina no teto, o silêncio esmagador, a responsabilidade do Mundo em cada tacada -, o welsh potting machine tirou novo coelho da cartola, outra imagem que ficará deste Mundial: vermelha longa e embalou para o 17-15, a limpar a mesa com centenária (100 pontos). John Higgins estava encostado às cordas.

Quando Williams conseguiu posição à mesa para somarm pressentiu-se que o fim estava próximo. Parecía ter o título no bolso, mas falhou a bola de frame e do título, uma rosa, aos 63 pontos, e 67 possíveis na mesa. Higgins não perdoou: 65 pontos e 16-17. Novo frame que o galês teve na mão e vou na direção contrária. Adrenalina ao rubro no Crucible, batidas cardíacas a dispararem.

Mas vermelha de qualidade para o meio permitiu a Wilo, num jogo para homens de barba rija, à segunda, e depois do xeque no parcial anterior, fazer mesmo mate, num jogo em que não devia haver vencedores nem vencidos, tão gigantes foram ambos estes colossos.

Mas não sem antes, a 70 pontos, e com Higgins a precisar de pelo menos três faltas (ou duas de valor de seis pontos ou acima) além dos pontos em cima da mesa (59), ter de sofrer. O drama acabou com nova espantosa vermelha. Magia pura: acabou.

Os filhos de Mark viram, já não precisa de insistir a dizer-lhes, como era seu timbre, que foi um grande jogador, pois não tinham visto o pai ganhar algo de relevante à mesa ainda. Deu-lhes esta segunda-feira o orgulho e a lembrança de uma vida.

O Mundial, prova maior da época 2017/18 da World Snooker, teve transmissão para Portugal (EuroSport) e distribuiu 1,968 milhões de libras (2,22 milhões de euros) de prémios: Mark Williams embolsou 425 mil libras (480.449 euros), John Higgins levou 180 mil libras (203.484 euros).

Final do Campeonato do Mundo, esta 2.ª feira (campeão a negro):

John Higgins-Mark Williams, 16-18
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