A lenda da corrida da Maratona (artigo de João Marreiros, 6)

Olimpismo 12-11-2017 16:11
Por Redação
Segundo alguns historiadores, a corrida da Maratona teve origens durante as Guerras Médicas ou Pérsicas, quando Gregos e Persas lutavam entre si pelo controlo da Ásia Menor e da Península Balcânica.
Entre os Gregos e os Persas, hoje Irão, existiam havia alguns anos, rivalidades onde os Gregos dominavam, pelas suas numerosas colónias, o litoral da Ásia Menor e mostravam desejos de avançar para o interior. Por seu lado, os Persas dotados de ambições imperialistas, sentiam-se impedidos de caminhar na direção do Ocidente, onde encontravam sempre os helenos a barrar-lhes a passagem (Matoso & Henriques, 1967).
A lenda, uma das mais belas, tem um historial de cerca 26 séculos, quando no ano de 490 a.C. Darío I (550 a.C. - 486 a.C.), terceiro Rei da Antiga Pérsia na dinastia Aqueménida, havia conquistado Erethria aos atenienses.

A cidade rendeu-se, depois de um cerco prolongado a Hippias, um tirano de Atenas que atraiçoou o seu povo, passando-se para o lado do invasor.
Os Persas desembarcaram num ponto perto de Atenas. Os Gregos assustados ante a iminente ameaça de destruição pela força poderosa contactaram o seu campeão olímpico Filípedes (530 a.C. - 490 a.C.) e mandaram-no ir a Esparta pedir ajuda. Era um cidadão ateniense e trabalhava como correio, fazendo longas marchas diariamente para entregar uma mensagem (Sekunda, 2010).
O soldado correu sem descanso durante dois dias e duas noites, cobrindo mais de 240 quilómetros, cruzando rios e montanhas, entregou a sua mensagem e Esparta prometeu a sua ajuda ao povo irmão em perigo, mas negaram a prestá-lo de imediato.
Os espartanos responderam que aquele era o 9º dia do mês lunar e que teriam que esperar até à lua cheia do 15º dia para que o exército pudesse partir (Sekunda, 2010) uma vez que estavam a celebrar uma festividade religiosa, as Carnéades, recusando-se assim a partir (Rodrigues, 2010).
Quando Filípedes voltou, os Persas haviam desembarcado na planície de Maratonas e estava-se travando uma batalha nesta planície da Grécia na Ática, situada a cerca de 30 quilómetros a Nordeste de Atenas.
O nome da planície de Maratonas deve-se às flores com aquele nome que abundavam naquele local, uma longa planície ao longo de uma profunda baía.
Um pequeno exército Ateniense de apenas 9.000 homens formado na sua totalidade pela infantaria pesada hoplita, mais a ajuda da cidade de Plateia, que encaminhou mil guerreiros, opunha-se ao invasor com 60.000 Persas.
Filípides empunha a sua espada e o escudo, lutando. Eram comandados pelo responsável dos planos da batalha de Maratonas, o general Calímaco de Afidna, mas na realidade dirigidos pela estratégia do génio general Milcíades (550 a.C. - 488 a.C.) que foi o coração e a alma da resistência ateniense impôs-se e a batalha que ainda nos dias de hoje se considera como exemplo de tática clássica, derrotaram os Persas e salvaram Atenas. O general Calímaco lutou na batalha e morreu em combate.
Este general conhecia perfeitamente a tática dos Persas, visto já ter servido no exército de Dário I. Sabia que os inimigos costumavam reforçar o centro da frente de ataque, com prejuízo dos flancos tendo adotado a disposição oposta com sinal de avanço.
Ao primeiro embate, os Gregos cederam e os Persas entraram impetuosamente pela brecha, sem grande dificuldade. Mas, tendo acorrido os soldados das duas alas, os Asiáticos viram-se em breve completamente cercados, perderam a disciplina e desorganizaram-se com uma completa derrota que custou aos Persas a perda de cerca de 6.400 homens. Nas escavações arqueológicas efetuadas na planície em 1892, foram achados guerreiros com as armas que eram de uso do império Persa.
Segundo Hannond (1968), é provável que a batalha tivesse lugar no 17º dia do mês metagitnion (segundo mês do ano ático, em que se celebravam as Metagítnias, festas atenienses em honra do deus Apolo), que em 490 a.C. correspondeu a 11 de Setembro.
Da parte dos atenienses houve uma perda de cerca de 192 homens, existindo nos dias de hoje uma pilha funerária no local da batalha, tendo assim terminado a Primeira das Guerras Médicas. De notar que possivelmente o número de mortos não serão reais.
Reunidos em conselho, os vitoriosos generais Gregos pensaram em comunicar a notícia aos seus compatriotas que, refugiados em Areópago esperavam só desgraças.
Segundo a lenda, o soldado Filípedes já esgotado pela sua viagem de ida e volta a Esparta e também pelo combate, foi designado para levar a grande notícia, nesse dia 12 de Setembro. E outra vez com o seu escudo o soldado pôs-se a correr os seus últimos 40 quilómetros, que separam Maratonas de Atenas atravessando colinas, riachos, montes e arvoredos que se encontravam pelo caminho. Nesse dia estava um terrível calor e o caminho era demasiado perigoso, pois havia a hipótese de encontrar Persas tresmalhados do exército de Dario I.
Com os pés ensanguentado e ofegante teve somente forças para exclamar através da sua boca arquejante, com uma palma na mão em sinal de vitória (Carreira, 1949): “Alegrai-vos Atenienses, Grécia venceu”, caindo morto de seguida às portas da cidade com o desgaste que empregou na sua missão, depois do esforço da luta, da fadiga da longa corrida, tendo assim um fim triste este primeiro maratonista.

João Marreiros é Professor Auxiliar no Ensino Universitário

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