A tarde diferente do Sporting, em estágio para a «negra»

Futsal 15-06-2019 23:04
Por Rui Miguel Melo

Um dia antes do quinto jogo e decisivo do apuramento de campeão de futsal, este domingo, na Luz, entre Benfica e Sporting. a equipa de futsal dos leões viveu, este sábado, uma tarde diferente. Parte do estágio para a «negra» foi passada numa palestra organizada pela coach Susana Torres, na Aula Magna da Cidade Universitária, em Lisboa. O treinador de futsal do Sporting, Nuno Dias, trabalha com Susana Torres há seis meses, e foi um dos convidados da coach que trabalhou, entre outros, com Jonas, Luisão e Éder.

 

A tarde foi passada a escutar intervenções, como a do escritor Pedro Chagas Freitas. Nesta altura, já Luisão tinha falado, mas o antigo jogador do Benfica teve que sair de seguida para rumar ao Brasil. A intervenção mais aplaudida foi a de Nuno Santos, alguém que venceu um cancro nos ossos aos 16 anos, depois de lhe terem dado 5 a 7 por cento de taxa de sobrevivência. Após anos a fio em tratamentos, e mais de dez operações depois, Nuno Santos venceu a doença, mas a perna esquerda deixou de estar operacional. Nuno Santos tomou uma decisão radical e amputou a perna. Hoje é uma pessoa completamente saudável a contar uma experiência brutal de vida. No auditório, os jogadores do Sporting observaram atentamente.

 

De seguida, os jogadores foram chamados ao palco por terem sido vencedores da Liga dos Campeões de futsal. Aqui João Matos partilhou uma história. Há seis meses, Nuno Dias percebeu que o estilo reivindicativo não estava a ser eficaz no banco. O treinador recorreu a Susana Torres e tirou uma certificação em alta performance. O Nuno Dias mais calmo e ponderado no banco e suplentes em parte deve-se a isso.

 

«No final do último jogo, puxei-o à parte e dei-lhe os parabéns. Tínhamos tido aquele desaire com o Elétrico, para a Taça da Liga, e ele sentiu que tinha de alterar o comportamento dele. Dei-lhe os parabéns pelo esforço, tem-nos ajudado muito», contou João Matos.

 

Nuno Dias participou numa palestra com Nuno Santos e Nuno Pires, administrador da SportTV. O treinador do Sporting explicou porque sentiu necessidade de recorrer a Susana Torres. «Quando fui à certificação, aprendi que o que somos e atingimos traz-nos onde estamos. Se queremos ser melhores, temos de desenvolver competências, senão podemos ser ultrapassados. Naquela altura, reclamava com tudo e todos: adversários, equipa e árbitros. Já não estava a ser eficaz. Precisava de trabalhar a comunicação», referiu Nuno Dias.

 

Hoje o treinador tem um comportamento diferente, mas ninguém o apanha sentado no banco. «Se isso acontecesse, iam pensar que estava choné», gracejou Nuno Dias. O treinador leonino explica o que mudou nos últimos meses. «Há duas mensagens que me marcaram. Primeiro a de me colocar no papel do outro. Depois fazer o que de melhor sabemos. Se fizermos o que de melhor soubermos, a probabilidade de sucesso é maior», vincou o técnico.

 

Os jogadores estranharam a mudança de comportamento de Nuno Dias. O treinador contou um episódio ocorrido na final da Liga dos Campeões, entre ele e Cardinal. «Estávamos a ganhar 2-1, a um 1.50 minutos do fim e o Cardinal estava eufórico. Ele puxava-me, só lhe faltava bater-me. Dizia-me aos gritos: Vamos ganhar! Olhei para ele e disse-lhe: Vamos ganhar, tem calma. Qual é o teu problema? Ele ficou a olhar para mim», sorriu Nuno Dias.

 

Fotos de Miguel Nunes/ASF

Ler Mais
Comentários (5)

Últimas Notícias