Mozer explica saída do projeto do Fátima

Campeonato Portugal 11-09-2020 11:50
Por Redação

Carlos Mozer foi anunciado em julho como novo treinador do Fátima, mas está agora de saída ainda antes de começar o campeonato.

 

O ex-jogador escreveu um longo testemunho em que justifica o porquê, abordando os problemas que encontrou - desde a falta de equipamentos até um estádio para jogar: 

 

«Em Portugal tenho metade da minha idade de vida, em Portugal tenho parte da minha família e amigos. Em Portugal aprendi a viver a verdadeira paixão de ser treinador, em Portugal assisti ao crescimento do Futebol e da capacidade organizativa e ao que ela conseguiu transformar um País “pequenino” em dimensão geográfica numa referência mundial do Futebol, onde é ainda o campeão Europeu em título e atual vencedor das Taças das Nações.

Sou carioca de “gema”, amo de verdade o meu Brasil, mas nunca escondi o quanto sou feliz em Portugal. Não lamento o dia em que saí, porque tive o privilégio de regressar ao meu País de origem, de voltar a “vestir” a camisola do Mengão, desta vez não foi para calçar as chuteiras, mas com a mesma paixão com que vivia cada pedaço do retângulo do gramado do mítico Maracanã, com muito orgulho aceitei o desafio de ser Gerente do Futebol do Flamengo alguns anos atrás. Mas agora estava pronto a regressar a Portugal, e mais concretamente a Fátima como ainda alguns dias atras referi na entrevista a RTP, pois não há outro lugar tão especial para regressar como a Portugal.

 

A história é simples de contar. Recentemente, em Maio surgiu a oportunidade de participar num projeto do qual me orgulho e não me arrependo de o ter feito. O projeto que nasceu denominado de Fátima 20.30, foi como dizem por aí em Portugal “amor a primeira vista”, e aproveito este momento para demonstrar a minha gratidão para duas pessoas, que para além de serem profissionais de excelência, são das duas melhores pessoas que conheci, e quem considero família. Estes dois irmãos como carinhosamente os trato, nunca desistiram de mim, e tudo fizeram para que pudesse regressar a Portugal e ao Futebol Português. Eles foram determinantes para confiar e encantar-me pelo projeto, que acima de tudo nasceu com a missão de apoiar o desenvolvimento do jovem jogador Português e do futebol amador, e no sentido de valorizar com a minha experiência em todo o excelente trabalho que tem vido a ser realizado em Portugal no que respeita à formação e ao futebol não profissional. Os títulos e os talentos que os clubes Portugueses e as seleções tem vindo acumular, falam por si, o Futebol Português tem que se sentir orgulhoso pelo que tem vindo a fazer, seria uma honra para mim voltar neste momento, e estava pronto e determinado a voltar, diria que tenho as malas feitas desde de Maio. O Campeonato Nacional organizado pela Federação Portuguesa seria a minha próxima casa, uma competição que foi recentemente foi alvo de restruturação com a missão de valorizar ainda mais a competição e o Futebol não profissional.

 

No entanto, infelizmente como alguns projetos, que no papel e nas intenções são uma coisa, e depois nem sempre são executados como foram idealizados. O que ocorreu foi precisamente esse o motivo que levou-me adiar, o regresso a Portugal e com muito custo a não levar para a frente o projeto no Fátima. Foi uma decisão ponderada, e que é tomada em respeito essencialmente aos jogadores e a dignidade que é necessário defender no Futebol Português. Confesso, depois de tantos anos no Futebol, já não estava a espera ainda de ser surpreendido e, infelizmente fui. E pela negativa. Do encantamento inicial, sobra apenas um pesadelo, tanto para mim, como a restante equipa técnica. Sem saber o que informar os jogadores, continuávamos até o início desta semana, a aguardar pelas condições mínimas para trabalhar, tais como campo treino, ferramentas e equipamento, bem como, também não estava assegurado o Estádio onde estava previsto decorrer os nossos jogos ao domingo. A menos de mês do primeiro jogo nem os equipamentos de jogo existem, o pesadelo tornou maior ainda para mim, quando tenho a minha família em suspense para mudar para Portugal, semana após semana, as promessas não passavam de de promessas, fossem do Presidente ou Vice-Presidente. Na última vez que conversei com o Presidente, prometeu-me que iria tratar pessoalmente da minha viagem e da minha estadia, para estar tranquilo que ele estaria a tratar de tudo, e que poderia estar assegurado que nada me iria faltar em Portugal, no entanto, até ontem nem viagem, nem casa. O tempo passou, e como tudo na vida, e como o Pedro Major, ontem comunicou «é sábio aceitar  quando  uma  fase  está a  terminar  e  dar  espaço  para  que  o  resto  se  faça …».

 

É assim a história de um projeto que nasceu com tudo para dar certo no meu regresso a Portugal, ao Futebol, as gentes da Associação de Santarém (curiosamente a minha mulher antes de vir para o Brasil vivia em Santarém), fica assim adiado o meu regresso, num projeto que para mim nunca chegou a iniciar-se, e que nasceu com boa fé e muita vontade da minha parte, mas terminou numa enorme desilusão. 

 

Por fim, quero demostrar ao Pedro e ao Miguel a minha gratidão e os parabéns pelo projeto Fátima 20.30 que idealizaram e que me encantou. À Federação Portuguesa de Futebol agradeço o voto de confiança pelo Projeto Fátima 20.30 do qual participei e ajudei a crescer, mas que infelizmente não vou concretizar, e que hoje pouco ou nada tem haver com o projeto Fátima 20.30. Aos Portugueses e mais concretamente as gentes da região de Leiria-Santarém, se Deus quiser talvez um dia tenha oportunidade de trabalhar na vossa região, e por último uma palavra para os jogadores que possam com o meu ato e decisão conseguir ter atenção e o respeito da administração da SAD para vós garantir o mínimo de condições para poderem trabalhar durante a semana e jogarem ao domingo, foi por vocês e pelo respeito ao Miguel, ao Pedro e restante equipa técnica que esperei até ontem para tomar a minha decisão, despeço-me com o desejo que vós deixem e permitam trabalhar para serem felizes.

 

Por mim, sei que um dia vou regressar, pois o futebol Português significa muito para mim.»

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