«O que Portugal está a fazer para combater a corrupção no futebol?»

Justiça 08-10-2019 17:55
Por Redação

A francesa Eva Joly, advogada, ex-juíza e membro do Parlamento Europeu, lançou esta terça-feira questões em torno do processo relacionado com o hacker Rui Pinto, detido desde março e à espera de julgamento, sob acusação de 147 crimes por acesso ilegítimo, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão,

«Numa altura em que a União Europeia acaba de criar uma diretiva para uma maior proteção aos denunciantes, Portugal está a tomar uma decisão errada ao tratar Rui Pinto desta forma.Enquanto Rui Pinto está preso em Portugal, promotores de nove países (incluindo França, Bélgica, Espanha, Holanda e Inglaterra) iniciaram investigações com base nas divulgações no Football Leaks», pode ler-se num artigo de Eva Joly, publicado no jornal norueguês Verdens Gang (VG).

A antiga magistrada revela ainda que a Signal Network, organização sem fins lucrativos que apoia denunciantes, estima que foram passadas já multas no valor de 35 milhões de euros, como resultado de informações baseadas neste processo.

«O que Portugal está a fazer para combater a corrupção na indústria do futebol? Nada? Portugal investiga a corrupção revelada pelo Football Leaks?», ?», questiona, então, Eva Joly, apontando de imediato: «A resposta curta é não.»

«As autoridades portuguesas afirmam que não podem usar as revelações do Football Leaks, uma vez que são consideradas como obtidas ilegalmente. Quando o quadro jurídico não é bom o suficiente para combater a corrupção, é tempo de Portugal considerar se a legislação deve ser alterada», prossegue, terminando:
 

«Portugal deve atualizar a sua legislação para combater efetivamente a corrupção no futebol. Caso contrário, Portugal será visto apenas como um país com um sistema legal antiquado, que protege os poderosos e corruptos e aprisiona aqueles que escolhem falar. Cabe a vocês, Portugal.»

 

Este artigo coincide no dia em que a defesa de Rui Pinto anunciou que vai requerer a abertura de instrução, fase facultativa que visa decidir se o processo segue para julgamento.


 

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