De Alhos Vedros a Lisboa: Travessia no Tejo exalta 600 anos de História

Cultura 19.07.2015 17:03
Por Filipa Santos Sousa
«Real, real, D. João I, el rei de Portugal está de regresso à capital do reino», anuncia o arauto, alto e bom som. O mote está dado e as sonoridades medievais não deixam margem para dúvidas: estamos perante uma viagem no tempo. Dos trajes da época às embarcações tradicionais nada foi deixado ao acaso, este domingo, na hora de fazer a reconstituição histórica do desembarque d’O de Boa Memória — cognome atribuído ao primeiro monarca da dinastia de Avis — no Cais das Colunas, junto ao Terreiro do Paço, em Lisboa

A Câmara Municipal da Moita e a Associação Cultural História e Património Alius Vetus, em parceria com a Marinha do Tejo e o município de Lisboa, foram os responsáveis pela iniciativa que assinala os 600 anos da passagem de D. João I por Alhos Vedros. Na altura, el rei refugiou-se, a pedido do seu Conselho, naquela localidade para se proteger da peste bubónica que tinha já vitimado mortalmente a rainha D. Filipa de Lencastre.

«Procuramos dar relevância a um acontecimento que vai cruzar-se com um dos momentos mais importantes da nossa História: a partida e a conquista de Ceuta», contou A BOLA a técnica superior do setor do Património da Câmara da Moita, salientando que a decisão final foi tomada em Alhos Vedros. Para Maria Clara Santos, a expansão marítima portuguesa equipara-se à «viagem à Lua em termos de conhecimento final». Neste sentido, «isto é uma chamada de atenção», explicou, salientando que reconstituição é uma «forma de cativar as pessoas com a música e o espaço» e de «redirecionar a História».

Perpetuar uma recordação

A armada real, composta por 15 embarcações, incluindo o varino Boa Viagem, iniciou a travessia do Tejo cerca das 7 horas da manhã. Do lado de cá do rio, os restantes participantes e turistas acorriam, cada vez, em maior número para assistir de perto ao desembarque. Flashs e os típicos selfie sticks revelavam o interesse geral e a animação subia gradualmente de tom.

Na reconstituição histórica, dos atores aos músicos, estiveram envolvidas algumas dezenas de pessoas, destacando-se as personagens de D. João I e dos seus três filhos, os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, a famosa ‘ínclita geração’. «Gosto destas recriações, porque me fazem voltar atrás no tempo», revelou o ator profissional, Nuno Nogueira, que assumiu o papel de el rei.

Balanço da iniciativa? «Muito positivo. Isto é algo que marca. Vai ficar a recordação. Vão ficar as imagens. Agora, vamos dar continuidade às atividades da Associação [responsável, há oito anos, pela organização da Feira Medieval de Alhos Vedros]», disse a A BOLA, o presidente da Alius Vetus, Vítor Cabral, que também deu corpo e voz ao arauto. Desta feita, o presente vestiu-se a preceito para celebrar com rigor o passado. Ficam as memórias.

Fotografias de Alexandre Pona/ASF
Ler Mais

Últimas Notícias