Trump bate Ronnie (9-7) e conquista 14.º título em Belfast

Snooker 17-11-2019 21:14
Por António Barroso

O inglês Judd Trump, de 30 anos, campeão mundial, cimentou na noite deste domingo a sua condição de número um da hierarquia e conquistou o 14.º título de ‘ranking’ da carreira, ao renovar o cetro ganho em 2018 no Open da Irl. Norte, de novo na final com o compatriota Ronnie O’Sullivan, de 43 anos, segundo da hierarquia e pentacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012 e 2013), com uma vitória, e tal como na edição anterior, de novo por 9-7, na final do evento da época 2019/2020 da World Snooker, que neste dia se concluiu no Waterfront Hall, em Belfast.

 

Ronnie O’Sullivan, com 36 títulos em provas de ‘ranking’, vai mesmo ter de esperar para ser recordista absoluto e deixar a companhia do escocês Stephen Hendry, o único heptacampeão mundial da história (já retirado, joga o circuito de Seniors), que, como o ‘Rocket’, profissional há 28 anos (desde 1992), soma, também, 36.

 

Impressionante demonstração do momento de Judd Trump, na sua terceira final consecutiva da temporada, depois de vitória no World Open (10-5 a Thepchaiya Un-Nooh na final), derrota no duelo decisivo na Champion of Champions (9-10 ante Neil Robertson), a conquistar terceira prova em 2019/2020, depois de International Championship e desse mesmo World Open, e logo diante do ídolo que o inspirou a tornar-se profissional: Ronnie. Em 18 jogos em 3 semanas, perdeu… um. Intratável. E vai em 661 centenárias, 45 esta época: o recorde das 103 numa época (Neil Robertson) sob ameaça.

 

A final começou com um ‘frame’ de nervos, que, com entrada de 68 pontos, Judd arrebatou, com Ronnie a falhar na sua grande arma, jogo ofensivo longo, e Trump implacável na defesa e a aproveitar cada lapso. O’Sullivan parou ‘break’ nos 40 pontos no parcial seguinte, Judd foi para a mesa... e 2-0. Uma centenária, a 1022.ª da sua carreira (126 pontos) permitiu logo após a Ronnie encostar 1-2, mas Judd respondeu com… centenária, de 123 pontos, para o 3-1 ao intervalo da primeira sessão.

 

Com entrada de 89 pontos, O’Sullivan não deixou fugir Judd e materializou o 2-3… que num ápice passou a 5-2 para Trump (entradas de 57 e de 56 pontos na sexta partida, e de 88 pontos na sétima, em que tentou a tacada máxima, o 147) e deu fulcral importância ao oitavo e último da sessão inaugural: 6-2 seria bem diferente de 5-3. Ronnie disse presente, e com entradas de 38 e 43 pontos, foi para a segunda parte a apenas dois de distância do número um… e com esperanças, ainda.

 

A mesma pressão nos ombros dos dois maiores magos do taco do planeta da atualidade a abrir a segunda sessão recomeço: o 6-3 permitiria a Judd fugir. Mas foi Trump a acusar em demasia, com três erros permitirem a O’Sullivan 19, 22 e 16 pontos, e de novo encostar ao rival, a 4-5. Pronta resposta do mais novo inglês: a sua 43.ª centenária da época (Mark Selby, segundo melhor vai em… 27) e segunda sua na final, 106 pontos, e descolar: 6-4.

 

A displicência recorrente de Ronnie no ataque longo, no que toca a deixar a branca na metade inferior da mesa e vermelhas acessíveis a Judd após falhar – imagem do épico duelo – continuou na 11.ª partida, com Trump a não se fazer rogado e a disparar no marcador para 7-4 e traçar o destino da final no ‘frame’: aproveitou, com entrada de 113 pontos, e novamente a tentar o 147 pelo meio, na sua 44.ª centenária da época e 660.ª da carreira.

 

Com a final inclinada para Judd, Ronnie aproveitou alguma descompressão prematura de Trump para o 5-7 ao intervalo da sessão decisiva. Mas O’Sullivan deixou a branca, de novo, em baixo, e Trump não vacilou no ataque a vermelha difícil para o meio rumo ao 8-5, com entrada de 55 pontos. Falhou de forma incrível vermelha… para o ‘Rocket’ não perdoar: limpou mesa, 76 pontos, e encostou: 6-7.

 

Tensão no ar, Judd arriscou em segurança (branca para cima) vermelha longa que lhe permitiu defesa atrás de bola de cor na metade superior da mesa, Ronnie falhou e Trump embalou, com sua quarta centenária da final (45.ª da época) para o seu lado, para o 8-6: 124 pontos, e O’Sullivan encostado às cordas, sem poder perder mais um ‘frame’ no jogo.

 

Se O’Sullivan adora jogar sob pressão, aí estava ela. Resposta veio de pronto, a encostar a 7-8 com centenária: 135 pontos. Drama, tensão ao rubro

 

Final época, fabulosa, para lembrar daqui por muitos anos, com sete (!) centenárias (cinco de Judd, duas de Ronnie) em 16 parciais, terminou com o mesmo resultado (9-7) de 2018, com Judd a disparar mais um tiro lá do fundo para embolsar vermelha no último parcial e embalar para entrada ganhadora de 84 pontos em batalha estonteante, enorme jornada de propaganda: hino ao snooker.

 

O Open da Irl. Norte iniciou-se no dia 11 do corrente mês e acabou este domingo. Distribuiu prémios de 405 mil libras (472.408 euros), das quais 70 mil libras (81.651 euros) para Judd e 30 mil libras (34.993 euros) para Ronnie, que esta época, e até agora, venceu uma prova - o Xangai Masters (evento não de ‘ranking’).

 

Segue-se o UK Championship no próximo dia 26

 

A prova seguinte da época 2019/2020 da World Snooker será o UK Championship, uma das três da Triple Crown (com Masters e Mundial), pontua para o ‘ranking’ e disputa-se de 26 do corrente mês a 8 de dezembro, no Barbican Centre, em York (Inglaterra).

 

Um dos três ‘majors’ da época (a par do Masters e do Mundial), o ‘UK’ distribui total de 1,009 milhões de libras (1,177 milhões de euros) em prémios, das quais 200 mil libras (€233.288) ao campeão, e também é transmitida para Portugal (EuroSport), mas apenas a partir de dia 30. O inglês Ronnie O’Sullivan, vencedor do torneio em sete edições (outro recorde), defende o título conquistado em 2018 (10-6 a Mark Allen na final).

 

Final do Open da Irl. Norte, este domingo (campeão a negro):

Judd Trump-Ronnie O’Sullivan, 9-7

Ler Mais
Comentários (2)

Últimas Notícias