«Parece que foi fácil, mas na realidade não foi»

Natação 16-04-2019 20:38
Por Miguel Candeias

Pela oitava vez seguida e na história do clube a equipa masculina do Sporting venceu o Nacional de clubes de natação. Triunfo alcançado com inesperados com 57 pontos de vantagem sobre o Benfica e que igualou a série recordista da formação feminina do FC Porto entre 2008/09 e 2015/16. O treinador Carlos Cruchinho conta com se trabalha para alcançar este êxito depois de terem vindo da II Divisão.

 

- Quando construíram uma equipa masculina para lutar por um título - que nunca havia sido ganho pelo Sporting – jamais esperou que passado oito anos ainda o mantivessem e conseguissem uma das mais tranquilas vitórias?

- Começando pelo fim, as expectativas era que não iria ser fácil. Era complicado e preparámo-nos muito bem. Principalmente em termos mentais. Quanto há oito anos, na altura o grupo era muito jovem, o Alexis Santos tinha 18 anos. A questão era apenas tentar mantê-los. E nos últimos anos o que tenho tentado fazer é contar com um grupo experiente, que há umas épocas seria considerada uma equipa velha. Os nadadores mais cotados estão todos acima dos 20 anos, outro tem 29…

 

- E isso significa?

Que os desafios que se colocam para os treinar são completamente diferentes dos mais novos e agora temos uma mescla de atletas muito experientes com mais jovens e alguns juniores que estiveram à beira de ser lançados. Tal como certos juvenis, foram convocados para perceberem o que é necessário. Mas já vencemos o Nacional: em piscina de 25 e em 50 metros; com o campeonato em dezembro ou em março; com um ou dois por prova… Temos encontrado soluções sempre dentro da equipa. É obvio que recebemos nadadores de outros clubes, mas que querem vir para o Sporting. Conseguimos construir um espírito de equipa grande que parece que torna as coisas fáceis.

 

- É talvez a equipa mais homogénea? Além da qualidade deles esse é o segredo?

- Sem dúvida, é uma homogeneidade de qualidade elevada. Temos até uma terceira linha de nadadores juniores muito promissores. Ainda para irem aos Europeus do escalão, ainda, mas que acredito que podem vir a incorporar este espírito e a darem mais tarde um salto e dar continuidade a este êxito. Mas temos consciência que não se ganha sempre. Haverá um dia que as coisas não correm bem. Mas quanto mais tarde melhor.

 

- Mas quando em 2011/12 interrompeu uma década de vitórias do Algés, Amadora e Vilacondense imaginou que volvidos oito anos ainda estaria a manter o título? 

- Não. Como disse, a equipa era jovem e tínhamos acabado de ganhar a II Divisão, para onde havíamos caído duas vezes. Mas levantámo-nos sempre olhando para dentro com uma perspetiva estruturante. Depois no ano seguinte vimos que também tínhamos hipóteses e vai sendo assim. Esta época quando pensámos no Nacional de clubes sentimos que estava complicado pois havia outras equipas com os mesmos objetivos, mas outras filosofias. Mas tentámos encontrar soluções e correu tudo muito bem. Parece que foi fácil mas, na realidade não o foi.

 

- Prefere o Nacional de clubes em piscina de 25 ou de 50 metros?

- Gosto mais em 50m. Para mim a natação é em piscina longa, até pela dimensão, espaço e o à-vontade com que se está. Faz-me confusão como os americanos nadam em 25 jardas. Mas será onde tiver que ser. As regras são iguais para todos e nós vamos a jogo.

 

- E nesta altura da época?

- Esta está bem, mas sempre após o Nacional individual. Nunca antes, como foi no ano passado. Ainda que no geral não tenha corrido mal de todo, foi um erro. Não é experiência a repetir. Há nadadores que no campeonato de clubes fazem sete provas e uma semana depois terem de lutar por um objetivo individual não faz sentido.

 

- Gosta do atual modelo do campeonato que obriga os clubes a apresentarem equipas mais completas?

- Não. Isto obriga a ter equipas para as quais não temos condições. Refiro-me ao geral em Portugal. Os clubes não têm infraestruturas para possuírem um grupo grande e de qualidade em masculinos e femininos. Para se fazer o campeonato com tranquilidade são necessários pelo menos 12. E podemos inscrever 20. Onde existem infraestruturas para ter 20 de cada sexo a treinar para um Nacional? É muito difícil. Alguma coisa irá ficar para trás: ou abdicamos da qualidade para ter quantidade; ou para ter essa qualidade vamos tendo buracos. Podem dizer que nos temos safo bem, mas gostava de me safar melhor. De poder contar com atletas melhores, não com mais.

 

- E o Nacional de clubes estar aberto a estrangeiros, alguns que só fazem três provas em Portugal para puderem competir por uma equipa, mas os resultados não espelham a sua realidade ou da natação portuguesa? Devia ser um número limitado a apenas 1/2 estrangeiros ou nem deveriam entrar?

- Sou completamente aberto a isso. Desde que haja regras as pessoas jogam com elas. Depois cada um tem a sua filosofia e enquadramento. Ir buscar estrangeiros não é a minha visão. Já os tivemos no Sporting, ainda na época passada o espanhol Juan Olazabal. Só que treinou connosco o ano todo [cumpria um mestrado na U. Católica]. Era um dos nossos. Não quero criticar ninguém, mas ir busca-los só por causa do Nacional não é a minha visão. Se me dessem dinheiro preferiria gastar com os portugueses. Dar-lhes melhores condições de treino ou uma bolsa. Talvez se possa colocar algumas limitações para a coisa não se tornar demasiado obscena. Nas outras modalidades, sobretudo nas ‘ligas profissionais’, quase não se vê portugueses. É a globalização e não tenho nada contra. Mas por enquanto vejo desta maneira, não quer dizer que mais tarde a veja doutra. Gosto de dar oportunidade aos nossos.    

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