«Serena Williams não tinha qualquer razão, só mau perder»

Ténis 12-09-2018 09:15
Por Célia Lourenço

Mesmo afastado dos grandes palcos que o elevaram, em tempos, à condição de melhor árbitro de cadeira do mundo, Jorge Dias não perde pitada do que se passa no planeta da bolinha de felpo, muito menos no restrito universo da arbitragem, agora tão em voga, face ao recente episódio que envolveu o português Carlos Ramos, «um excelente árbitro e um bom amigo», e Serena Williams na final do US Open. Sem calar o que lhe vai na alma, o primeiro não britânico a mediar uma final em Wimbledon saiu em defesa do compatriota e aponta o dedo à Federação Internacional com a qual Ramos tem vínculo. «Achei o comunicado da ITF pouco condimentado. Pecou por tardio. Ainda assim, surpreendeu-me. Por exemplo, o ano passado, no episódio com o Rafael Nadal em Roland Garros [o português advertiu o espanhol por violar os 25 segundos entre serviços e este ameaçou-o], escrevi uma carta à ITF a manifestar o meu desagrado em relação ao silêncio deles», admitiu Dias, que tem mantido o contacto com o português mais falado no ténis desde sábado.


«Ele está bem, de consciência tranquila. Não há nada que lhe possam apontar daquela final, agiu dentro dos procedimentos. Fez tudo para apaziguar. A sua linguagem corporal foi irrepreensível. Falou com a mão no coração, colocou a mão nos joelhos, curvou-se para ouvir o que jogadora tinha para dizer. Tudo qualidades que evidenciam um árbitro experiente. Foi a Serena que não quis ver a solução e portou-se de forma pouco profissional. Conheço bem essa senhora. Uma vez, tentou pressionar-me numa meia-final em Roland Garros. Não chegou tão longe, mas no US Open sente-se em casa e protegida. Não tinha qualquer razão, só mau perder, quando o correto teria sido endereçar um pedido de desculpas ao Carlos e à Naomi Osaka, a campeã», apontou.


Sem medo de dar a cara, padrão que o caracteriza e que, por ele, não acredita na notícia avançada pelo jornal The Times que dava conta de um eventual boicote dos outros árbitros a encontros da recordista de Grand Slam. «Mantenho contactos com antigos jogadores. O Fernando Meligeni e o Andrey Medvedev, entre outros, defendem o Carlos.  Quanto aos árbitros, gostava de acreditar que há mais com personalidade vincada e a rebelarem-se. Se algum da ITF fizesse isso, não teria vida longa, se for um da WTA menos ainda, dado o comunicado deles a defender a Serena, e os árbitros da ATP não costumam fazer muitos encontros femininos. A ser verdade, davam a cara…», sustenta Jorge Dias.


«Conhecedor do sistema», o árbitro, que voltou à estaca zero e está em Portugal para um ITF de ténis em cadeira de rodas, acredita que «não vão existir retaliações» para Ramos que, no próximo fim de semana, estará em Zadar a arbitrar a meia-final da Taça Davis entre Croácia e Estados Unidos. Confia, assim, que a história não se repita. «Na 3.ª ronda de Wimbledon, em 2002, dei um overrule ao britânico Tim Henman na partida com o sul-africano Wayne Ferreira. Nos jornais ingleses, foi notícia, nada disto como agora. Mas passei o resto do torneio a fazer encontros de courts secundários. Espero que o sistema esteja mudado», rematou.

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