Presidente turco atirou carta de Donald Trump para o caixote do lixo

Turquia 17-10-2019 17:22
Por Redação

A carta que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou a Recep Erdogan, chefe de Estado da Turquia, foi revelada na quarta-feira pela Casa Branca, para contrariar a acusação de que os EUA deram luz verde à Turquia para entrar na Síria.

 

Segundo os críticos do Presidente Trump, incluindo no Partido Republicano, foi dele a decisão de retirar as tropas norte-americanas da fronteira entre Síria e Turquia que permitiu o avanço do Exército turco.

 

Os críticos da decisão temem que a Rússia passe a ser o principal influenciador na região, juntamente com o Irão, seu aliado, e que os combates levem ao ressurgimento dos extremistas islâmicos do Daesh.

 

Na carta, Trump usa uma linguagem que os seus opositores no Partido Democrata dizem estar «ao nível da escola primária», com ameaças e pontos de exclamação.

 

«Vamos fazer um bom acordo! Você não quer ser responsável pelo massacre de milhares de pessoas, e eu não quero ser responsável por destruir a economia turca – e é isso que farei», disse Donald Trump.

 

«Não desiluda o mundo», continuou o Presidente norte-americano, sugerindo a Erdogan que fizesse um acordo com o general Mazloum Abdi, comandante das Forças Democráticas Sírias, onde as milícias curdas têm um papel de liderança.

 

«A História vai olhar para si favoravelmente se você fizer isto da forma certa e humana. E olhará para si como o Diabo, para sempre, se não acontecerem coisas boas. Não seja um durão. Não seja um louco!», concluiu Trump.

 

Segundo o diretor da BBC no Médio Oriente, Jeremy Bowen, num relato repetido por outras agências internacionais, o Presidente turco atirou a carta para o caixote do lixo, informação que partiu da equipa de Erdogan.

 

A notícia é avançada no dia em que o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, chegaram à Turquia para tentarem convencer Erdogan a decretar um cessar-fogo. Esse apelo dos EUA já foi recusado esta semana pelo Presidente turco, durante uma reunião com o seu partido, em Ancara.

 

A decisão do Presidente norte-americano de retirar as tropas do norte da Síria foi condenada na noite de quarta-feira numa votação na Câmara dos Representantes, com 2/3 dos republicanos a juntarem-se à maioria democrata.

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