«Em dois anos na Turquia não me pagaram 12 meses»

Entrevista 21-05-2019 16:11
Por Miguel Cardoso Pereira

Tiago Pinto voltou há dias a Portugal depois de ter rescindido com Ankaragucu reclamando seis meses de salários em atraso. No ano anterior, noutro clube, o Osmanlispor, sucedeu o mesmo: seis meses de salários em atraso. A BOLA falou com o lateral-esquerdo de 31 anos.

 

Rescindiu há poucos dias o contrato que o ligava aos turcos do Ankaragucu. O que o levou a tomar essa decisão?

Oficializei a rescisão no passado dia 14 de maio e sou agora um jogador livre. Cheguei a um ponto de saturação e tive de tomar esta medida. Não podia continuar a trabalhar sem receber. Já eram demasiados salários em atraso.

 

Quantos meses de atraso?

Seis. Eu receberia pelo meu contrato 10 meses por ano e só recebi quatro, pelo que não me pagaram seis. Inaceitável.

 

Procurou outra solução para o problema junto do clube?

Procurei e mais do que uma vez. De há uns três meses a esta parte que tentei que me pagassem pelo menos dois ou três meses para poder organizar-me, cumprir com as minhas obrigações, manter a minha estabilidade familiar, mas nem assim as coisas se resolveram. Acabei por rescindir o contrato, ficando agora o assunto a ser tratado pelos advogados e nos devidos locais da justiça.  Não quis cometer o erro que cometera no Osmanlispor na época anterior, precisamente.

 

A que erro se refere?

Foi ter sido de certa forma demasiado complacente com uma outra situação de salários em atraso. Pois também não me pagaram seis meses. Note que nos últimos dois anos na Turquia não me pagaram 12 meses! Ninguém aguenta uma coisa assim. Nessa altura, como o Osmanlispor estava a lutar para não descer de divisão e a situação do clube era frágil - e eu por outro lado já lá estava desde 2015 - acabei por deixar ir andando, na esperança de que o assunto se resolvesse, contudo no final da temporada, para tratar da minha saída, acabei por deixar lá ficar os tais seis meses de salários. Agora não quis cometer o mesmo erro e rescindi o contrato.

 

Como perspetiva o próximo passo na carreira?

Estou livre para assinar, em todo o caso não me parece que possa voltar a jogar em Portugal, pois - não vejo qualquer necessidade para escondê-lo - atingi um nível salarial que em Portugal muito provavelmente só os três grandes poderiam suportar. De qualquer forma estou satisfeito pelos convites que tenho recebido de outros países e alguns deles até me têm surpreendido um bocadinho. Acredito que nas próximas semanas terei o futuro resolvido.

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