«No dia seguinte é muito duro, mas iremos tentar de novo»

INGLATERRA 12-07-21 1:34
Por Redação

Gareth Southgate fez esta segunda-feira um balanço da prestação inglesa, no Euro-2020, poucas horas depois da derrota em Wembley diante da Itália no desempate por penáltis. O selecionador mantém o desejo de orientar a seleção dos três leões no próximo Mundial, em 2022, no Catar, e para já não gosta muito da ideia de se comprometer para lá dessa data, apesar de ser esse o desejo expresso de Mark Bullingham, diretor executivo da federação, que pretende oferecer ao técnico um novo contrato.  

«Não acho que seja a altura de se pensar num novo contrato. Temos de qualificar-nos para o Catar. Preciso de tempo para me afastar um pouco e refletir no Euro-2020. É uma experiência incrível liderar o nosso país nestes torneios, mas tem o seu impacto. Disse na altura que era importante ter este apoio internamente, é algo a que os treinadores dão muito valor. No entanto, não quero comprometer-me por mais tempo do que deveria, nem ficar mais tempo no cargo do que as pessoas desejariam, por isso tudo isto precisa de ser levado em consideração», afirmou, antes de confirmar o futuro imediato: «Quero levar esta equipa ao Catar. Sinto que fizemos progressos nos últimos quatro anos, tivemos um quarto, um terceiro e um segundo lugar, e isto é muito bom para qualquer técnico.»

Bukayo Saka, Jadon Sancho e Marcus Rashford foram alvo de abusos racistas nas redes sociais depois de ter falhado os respetivos penáltis no desempate. Southgate considera a situação «imperdoável». «Temos sido um farol para unir as pessoas e uni-las à volta da sua seleção, e a seleção é de toda a gente, por isso essa união tem de continuar. Demonstrámos o poder que tem o nosso país quando há união, energia e pensamento positivo por parte de todos. A decisão sobre quem marcou os penáltis foi minha, não foi o caso de jogadores que não se voluntariaram ou dos mais experientes que recuaram. Vamos curar-nos agora enquanto equipa, e vamos estar lá para estes jogadores, tal como irão estar 99% dos adeptos. O Bukayo [Saka], em particular, foi uma estrela absoluta neste campeonato, com uma maturidade incrível. A forma como jogou colocou um sorriso nas caras das pessoas. Tornou-se um elemento tão popular do grupo que eu sei que tem o apoio de todos», considerou.

O técnico admite que ainda é cedo para extrair o lado positivo da campanha: «Sei que o conseguiremos fazer no seu tempo, mas no desporto as oportunidades de se estar numa final são raras. Estar tão perto, saber o que custou e que nos temos de levantar e ir tentar de novo é algo muito duro logo no dia seguinte. Mas iremos tentar novamente de certeza.» 

Gareth Southgate garante que o seu nível de ambição e de entusiasmo não baixou. «[O Mundial d]A Rússia foi o início. Tínhamos sete dessa equipa no nosso onze inicial e a sua experiência foi crítica durante os jogos deste Europeu. Por isso, ao acrescentarmos os jovens no momento em que o fizemos criámos outro grupo com mais conhecimento e entendimento. Pelo que passámos nestes torneios eles acreditarão que podemos chegar perto. Pelo ciclo que atravessa e pelas expetativas que criou dentro de si próprio, o grupo saberá o que é necessário para estar ao nível das vitórias e isso coloca-nos numa boa posição para chegarmos longe nos próximos objetivos», concluiu.