O ex-portista que joga ao lado de uma lenda que fala português

JAPÃO 28-04-21 1:59
Por Pedro Cadima

Kléber deixou marca em Portugal no FC Porto, Marítimo e Estoril e atualmente faz a terceira época no Japão, sendo um dos grandes reforços do Yokohama FC, o clube que conta desde 2006 com a maior lenda do Japão, o icónico Kazu Miura, ativo aos 54 anos, marcando a cada ano que passa um dos mais extraordinários recordes do planeta futebol. Em 2017 quebrou, por exemplo, a lendária marca de Stanley Matthews como jogador mais velho a marcar um golo em campeonatos nacionais. Nunca foi um jogador qualquer e agora muito menos; é ídolo e fora de série, é o verdadeiro japonês que parece deter super poderes, um Tsubasa real. Foi internacional nipónico 89 vezes e marcou impressionantes 55 golos. Perdeu o Mundial de 1994 por 45 segundos, quando o Iraque marcou um golo sobre a hora e arrumou com as pretensões da primeira participação do Japão. Uma depressão seguida de uma frustração, a exclusão por problemas com o treinador do Mundial de 1998. Mas só se faz justiça indo muito mais atrás.

A carreira começou-a no Brasil, em 1982, como menino, de 15 anos, na Juventus de São Paulo. Como profissional começou por sê-lo no Santos, com 19 anos. Aos 23 encerrava a sua passagem pelo Brasil para virar figura do Tokyo Verdy. Nunca mais parou, goleador intratável no Japão, passou ainda por Vissel Kobe e Kyoto Sanga, procurou rasgar horizontes na Europa em passagens discretas pelos italianos do Génova e pelos croatas do Dínamo Zagreb e também projetou a sua fama na Austrália. São 37 épocas como futebolista sénior. Com ele joga agora Kléber, internacional brasileiro, de 30 anos, que nasceu em 1990 quando Miura alinhava pelo Santos com 23 anos. A passagem pelo FC Porto deu-lhe o passaporte para a canarinha, quando procurava fazer esquecer Falcao. Depois de já ter andado na China, encontrou a felicidade no Japão, estando há onze jogos em ação pelo Yokohama, após ter atuado no JEF United. No ataque da nova equipa encontrou Kazu Miura e o impacto não poderia ter sido mais estimulante.

«Kazu é uma lenda como pessoa e como jogador. Toda a sua história é algo fascinante. Quando cheguei foi das primeiras pessoas a falar comigo, como fala português, estendeu-me a mão e deu-me as boas-vindas. ‘O que precisares, o que quer que seja, pessoal ou profissional, vem até mim e farei tudo para te ajudar’. Com esta frase fiquei logo paralisado, quando chegas a um clube e um atleta que é ídolo nacional, conhecido mundialmente, famoso e profundamente querido por todo o Japão, e sentes esta proximidade…é uma sensação fora do comum. Sentir o apoio de uma pessoa assim dá um conforto enorme. Bastou o Miura falar comigo para me sentir em casa», destaca Kléber, derretido por tudo o que envolve o atacante, de 54 anos, afastando qualquer visão acomodada ao lugar em regime de recorde. 

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