A mensagem de Noronha Lopes no dia do 117.º aniversário

BENFICA 28-02-21 11:1
Por Redação

João Noronha Lopes, um dos candidatos derrotados nas últimas eleições do Benfica, divulgou mensagem sobre o 117.º aniversário do clube, celebrado este domingo, recordando o nome de Borges Coutinho, presidente entre 1969 e 1977.«Devo-lhe a minha homenagem. Mas esta evocação de um dos nossos maiores não é apenas um sinal de reconhecimento e de saudade. Olhar a grandeza do nosso passado, em dia do aniversário do clube, é também o melhor caminho para projetar os dias de amanhã. Na liderança pelo exemplo de Borges Coutinho, encontraremos sempre uma inspiração para o Benfica cuja mística celebramos: um Benfica com identidade, com valores, com paixão e com uma enorme ambição de vencer», destaca-se na mensagem, que transcrevemos na íntegra:«Celebramos hoje o 117º Aniversário do Sport Lisboa e Benfica. Bem sei que o período que o nosso Clube atravessa não parece dado a festejos, mas é nos momentos difíceis que é mais importante celebrar o Benfiquismo. Festejar este dia faz-nos recordar como, ao longo duma história extensa, formámos a nossa identidade. A identidade dum clube popular, forjado desde a primeira hora com uma ambição: a Glória! Hoje é dia de celebrar a nossa já longa pertença a este clube incomparável e é dia de avivar a chama imensa entre os mais novos. É dia de lembrar com alegria as figuras do passado e de, a partir delas, sonhar com as conquistas que ambicionamos.

Neste ano de 2021, nada mais a propósito do que relembrarmos, no aniversário do Clube, o centenário do nascimento de Duarte Borges Coutinho, nosso Presidente entre 1969 e 1977. Com ele estão o pensamento e a memória dos benfiquistas, não porque parece bem dizê-lo, mas porque a sua vida nos ensina o fundamental sobre ser Benfica. Não podemos construir nem o presente, nem o futuro, sem conhecer, respeitar e honrar o legado que nos fez gloriosos. Esta é uma responsabilidade quotidiana do Sport Lisboa e Benfica e de quem tem o privilégio de o representar.

Borges Coutinho tornou-se benfiquista ainda criança, no velho Estádio das Amoreiras, mas só muito mais tarde, já nos anos 50, se fez sócio do Clube. Trazia consigo uma sólida formação académica, cívica e profissional que viria a ser posta, com fervor, ao serviço do Benfica, numa dedicação desinteressada. Na década seguinte, seria eleito diretor de assuntos administrativos e das instalações sociais na presidência de Adolfo Vieira de Brito e, em duas eleições seguintes, viria a ser candidato a diretor em listas derrotadas. Em Abril de 1969 é eleito, pela primeira vez, Presidente do Sport Lisboa e Benfica.

Na sua presidência, o Benfica viveu um período de verdadeira hegemonia no futebol português, com sete campeonatos conquistados em oito anos, um dos quais - em 1973 - sem qualquer derrota. Nas modalidades, conseguimos numerosos troféus, fortalecendo ainda mais a nossa tradição eclética. Foram também anos de enriquecimento do património e de modernização do Clube, com o Benfica a tornar-se proprietário dos terrenos do Estádio da Luz, onde se começou a erguer uma extraordinária Cidade Desportiva.

A liderança indiscutível de Borges Coutinho deixou uma marca profunda. Soube afirmar o prestígio do Benfica em todo o mundo e, com elevação, foi intransigente na defesa dos interesses do clube, dando sempre a cara nos momentos difíceis. Ele, que atravessou nos seus mandatos a turbulência da revolução e momentos de verdadeira crise económica e social, nunca procurou desculpas e nunca transigiu na defesa da democracia. Rejeitou por isso a criação de qualquer órgão que escolhesse indiretamente o presidente e o Benfica continuou a eleger o seu presidente e demais dirigentes com o voto livre dos sócios. Com a sua liderança, o Benfica foi um exemplo para Portugal, ao manter eleições democráticas e transparentes quando o país não as tinha, e ao ceder as instalações do Clube para as primeiras assembleias de sindicatos livres.

Em 1977, com o Benfica de novo em 1º lugar do campeonato e uma reeleição assegurada, decide não se apresentar a eleições. Estava no Benfica para servir e, sem apego ao poder, soube escolher o momento para sair.

Em Borges Coutinho viviam juntas a elegância e a determinação em vencer, a liderança e a sobriedade, a elevação de princípios, o estatuto moral, o entusiasmo e o sentido de missão de alguém que nunca viu na responsabilidade um fardo, mas sim um enorme motivo de orgulho. Deixou-nos cedo demais.

Era ele o Presidente quando entrei pela primeira vez no Estádio da Luz e foi nesses anos que me habituei a ver o Benfica ganhar. Devo-lhe a minha homenagem. Mas esta evocação de um dos nossos maiores não é apenas um sinal de reconhecimento e de saudade. Olhar a grandeza do nosso passado, em dia do aniversário do clube, é também o melhor caminho para projetar os dias de amanhã. Na liderança pelo exemplo de Borges Coutinho, encontraremos sempre uma inspiração para o Benfica cuja mística celebramos: um Benfica com identidade, com valores, com paixão e com uma enorme ambição de vencer. 

O Benfica de todos. O Benfica de 1904.»