«Despedimento coletivo no Sporting é ato desumano e cruel»

SPORTING 13-01-21 11:24
Por Redação

Paulo Lopo, antigo presidente da SAD do Leixões, que chegou a ponderar avançar com uma candidatura às eleições do Sporting, veio a público apontar o dedo ao processo de despedimento coletivo iniciado no clube de Alvalade.«O despedimento coletivo é não só uma vergonha para a instituição “Sporting”, mas também nesta época de pandemia um ato desumano e cruel para com aqueles que ao longo de vários anos deram o seu trabalho, a sua dedicação e empenho ao nosso emblema», pode ler-se numa publicação feita por Paulo Lopo na rede social Facebook.Leia na íntegra:

«Caça as bruxas 

Fomos confrontados hoje por uma notícia no mínimo estranha. O SCP avançou com um despedimento coletivo acima de 20 colaboradores, sendo que um deles tem mais de 35 anos de casa, e outro é por coincidência a mulher de Miguel Albuquerque, sob o pretexto de redução de custos que se estimam em 1 milhão de euros por ano. Curiosamente, e face aos resultados financeiros apresentados por Salgado Zenha, eu alertei para a deterioração do património financeiro do SCP, e da minha preocupação pelo caminho em que nos estavam a colocar: 

• Dividas a empresários – Aumento de 60%

• Dividas a fornecedores – Aumento de 60%

• Dividas a clubes – Aumento de 13%

• Divida financeira – Aumento de 16%

• Passivo total – Aumento de 6%

• Receitas antecipadas – Mais 30%

• Clientes a receber – Diminuição de 9% 

O despedimento coletivo acontece após o Sporting ter aderido ao regime de lay-off do Governo entre abril e junho que afetou 95% dos trabalhadores e foi apresentado após o prazo legal que impedia o clube de despedir funcionários sob pena de ter de ressarcir o Estado dos montantes recebidos ao abrigo do referido lay-off. 

Não deixa de ser curioso e até sarcástico que um clube como o nosso cuja política de contratações, à exceção da última janela de mercado, foi desastrosa e onde foram deitados fora mais de 40 milhões de euros (alguns exemplos: Ilori 2.4K, Borja 3.6K, Mees de Wit 2.9K, Rosier 5.3, Jesé 2.0K, Camacho 5.6K, Fernando 5,5, Doumbia 4.4K, Eduardo Henrique 3.5K), venha agora sob pretexto de redução de custos pouco relevantes no budget do clube “varrer” algumas pessoas indesejadas ou que não estejam na disposição de ser “servidores” da nova ditadura instalada no nosso clube. 

O despedimento coletivo é não só uma vergonha para a instituição “Sporting”, mas também nesta época de pandemia um ato desumano e cruel para com aqueles que ao longo de vários anos deram o seu trabalho, a sua dedicação e empenho ao nosso emblema. 

Sei que vamos em primeiro, espero que sejamos campeões, e agradeço o excelente trabalho da equipa técnica de Ruben Amorim, mas o Sporting é e sempre foi mais do que ganhar campeonatos. O Sporting é um clube de todos e para todos, agregador e não separatista, com princípios sociais de responsabilidade e um exemplo de caracter coletivo e infelizmente Frederico Varandas não só tem contribuído para desagregar o clube, dividir os sócios e passar uma imagem “pobre” deste clube rico de ideais. 

Infelizmente sejamos ou não campeões, e acredito que seremos, e sei que muitos vão dizer que isto é dividir, não me revejo de todo neste comportamento e este não é o clube que os meus antepassados me ensinaram a gostar. Poupem o milhão de euros do vosso ordenado e demitam-se que é o melhor que podem fazer pelo clube que vocês dizem que amam.»