«Otávio dá um toque na bola e põe o avançado na cara do golo»

FC PORTO 15-07-20 1:19
Por Pascoal Sousa

Dia de clássico no Dragão, dia especial na vida de Otávio. Faz hoje precisamente oito anos que o médio do FC Porto fez a estreia como profissional, pelo Internacional de Porto Alegre. Tinha 17 anos e 43 dias. A coincidência de datas remete-nos para outro clássico, no Brasil: Internacional-Santos, disputado a 15 de julho de 2012, que terminou empatado a zero.

Otavinho, assim era chamado no Inter, entrou aos 76 minutos para o lugar de Mike. Do banco saiu também Maurides, irmão de Maicon, que jogou no Belenenses entre 2016 e 2018.

Naquela época tornou-se no segundo jogador com tão tenra idade a jogar na equipa principal dos gaúchos. Antes dele fora Alexandre Pato, em 2006. A sua qualidade técnica, capacidade de drible e raciocínio rápido cativaram de imediato os adeptos. Atributos que refinou quando jogava futsal no Santa Cruz do Recife, Estado de Pernambuco, que ficava a cerca de 130 quilómetros de casa.Tal como Soares, o portista é da Paraíba, mas nasceu na capital João Pessoa, a segunda cidade mais arborizada do mundo depois de Paris. O investimento do pai no filho foi de tal ordem que percorria diariamente 260 quilómetros por uma estrada nacional para levá-lo aos treinos. Aos 13 anos, passou da quadra para os campos de futebol. Um ano mais tarde fez um teste no Internacional e foi aprovado.

Começava a aventura profissional de Otavinho, o menino loirinho de finta fácil e sorriso tímido, que no relvado não tinha pudores nem se encolhia perante adversários mais atléticos que ele.

A BOLA falou com Dorival Júnior, conceituado técnico, de 58 anos, conhecido no Brasil por lançar, lapidar ou recuperar talentos que hoje são alguns dos futebolistas mais categorizados do planeta. Neymar e Philippe Coutinho são dois dos casos mais mediáticos, mas Dorival lançou jovens uma escala nunca vista no país e alguns deles jogaram em Portugal. É dele o carimbo do Santos de 2010 que encantou o Mundo e foi ele quem «com 80 por cento de garotos» devolveu, um ano antes, o Vasco da Gama à serie A do Brasileirão.

Otávio não foi projeto isolado. O Internacional tinha em paralelo outro nome pelo que o Man United pagou 55 milhões de euros ao Shakhtar Donetsk: Fred. «O Otávio sempre chamou muito a atenção. Fazia treinos muito interessantes e vê-lo singrar numa equipa com o calibre do FC Porto e construir uma carreira tão sólida é, para mim, uma grande satisfação. Ele aparece num momento importante do Internacional. Ele e o Fred surgem numa fase em que a equipa precisava de ser reformulada e foi com estes atletas de eleição que começou a mudança no perfil e estrutura do Internacional», relata Dorival Júnior. 

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