O fim do calvário de Ricardo Ferreira

BELENENSES SAD 03-07-20 9:38
Por João Pimpim

Chegou ao fim o drama vivido por Ricardo Ferreira nos últimos dois anos e meio. Até ao regresso aos relvados, durante toda a segunda parte do empate com o Tondela (1-1), ficaram para trás 30 meses, isto é, 130 semanas, ou seja, 910 dias, todos os que passaram entre 3 de janeiro de 2018 e 1 de julho de 2020, todos os que passou a recuperar de graves lesões no joelho direito.

Pelo meio, a 7 de janeiro de 2019, ainda viveu uns minutos de sonho. Foi titular pelo SC Braga B frente ao V. Guimarães B, mas, aos 35’, chegava novo pesadelo: caiu no relvado, outra vez com problemas nos ligamentos… Pelo meio, também, três intervenções cirúrgicas, sempre ao mesmo joelho direito - a primeira foi anterior a esta última paragem e aconteceu após lesão em julho de 2016 durante jogo particular com os ingleses do Wigan (seis meses de paragem); a segunda na sequência de recaída a 3 de janeiro de 2018 no duelo com o Boavista (um ano ausente); e a terceira, a já referida de 7 de janeiro de 2019, com ausência dos relvados até anteontem.

Um quadro clínico que, para muitos, significaria o final de carreira, mas não para o defesa-central que, em janeiro deste ano seria contratado pelo Belenenses, continuando nos azuis a fase final da recuperação. Até, anteontem, quando, após o intervalo do encontro com o Tondela, foi a jogo, finalmente. E, à luz do observado, está praticamente a 100 por cento. Ainda não tem a velocidade de outros tempos, é certo, mas a forte impulsão e elevação estão lá - que o diga Ronan, autor do golo beirão, mas que, na segunda parte, perdeu quase todos os duelos para o defesa-central -, bem como a capacidade de antecipação.

No final do encontro, Petit estava feliz por ter patrocinado o regresso de Ricardo Ferreira. «É um lutador, o que passou não é fácil. Quer sempre jogar, pois acredita que vai ultrapassar tudo. Fico feliz por ter reaparecido, é internacional, entrou bem no jogo, mas o mais importante é dar continuidade ao trabalho e saber gerir. Temos de estar sempre de olho nele», disse o treinador do Belenenses.Tentámos obter ao longo do dia de ontem uma reação do jogador sobre o seu regresso ao ativo, mas este, educadamente, recusou, alegando que, no início de janeiro do ano passado, também falou e, logo depois, lesionou-se gravemente outra vez. Ficou, assim, em silêncio desta vez para… não dar azar.

E, ao que A BOLA apurou, no dia seguinte ao jogo com o Tondela, Ricardo Ferreira não se ressentiu, nem fisicamente, nem a nível muscular, o que é um excelente sinal de que, desta vez, a recuperação será mesmo plena.

Aos 27 anos, o internacional português - tem uma internacionalização somada - volta assim a olhar com esperança para o futuro e para uma carreira que se espera ainda longa. Antes do Belenenses, recorde-se, Ricardo Ferreira, jogador formado no FC Porto, vestiu as camisolas de Milan (sub-20, em 2011/2012), Empoli (2012/2013), Olhanense (2013/2014) e SC Braga (2015 a 2019).