Costa do Sol do português Horácio Gonçalves é o novo campeão

MOÇAMBIQUE 04-12-19 6:13
Por Alexandre Zandamela, Maputo

Jogo inolvidável, espectáculo inesquecível. Tarde ‘canarinha’ de quarta-feira que parou Maputo, com a conquista do Campeonato Moçambicano de Futebol da 1.ª Divisão (Moçambola) pelo Costa do Sol.

Tarde em que o técnico português Horácio Gonçalves, qual herói, subiu ao céu por dezenas de pares de mãos de adeptos anónimos, eufóricos e que gritaram e festejaram até à rouquidão este feito que acontece precisamente 12 anos depois do último título.

E, para complementar o espectáculo que se viveu nas quatro linhas, a vitória do Costa do Sol, essa, foi super maravilhosa, ante uma União Desportiva (UD) do Songo que entregou o canecão ao seu adversário com muita galhardia, classe e grandeza de um verdadeiro campeão.

Os números falam por eles: 4-2, isto é, seis golos num desafio disputado a um ritmo alucinante.

E os golos? Que beleza, meus senhores! Chawa, pelos canarinhos, e Luís Miquissone, pelos hidroeléctricos, fizeram as delícias do público.

No seu segundo tento, na sequência de um livre, Chawa fez a bola viajar primorosamente da esquerda para a direita, anichando-se junto ao vértice superior da baliza do impotente Leonel.

Numa autêntica parada e resposta entre duas grandes estrelas – ou melhor, entre as estrelas mais cintilantes do dia – Luís Miquissone mostrou como também sabe muito bem assinar lances daquela natureza. Curiosamente, fazendo o inverso, o capitão da UD Songo rematou da direita para a esquerda, e o bom do guarda-redes Victor ainda tentou fazer o impossível, todavia, aquele tiro adornado era mesmo indefensável.

Mas este encontro em atraso, a contar para a 27.ª jornada do Moçambola, não se resumiu a esses dois momentos magníficos. Foi, isso sim, uma partida que teve um pouco de tudo, a premiar os artistas de ambos os conjuntos. Muita entrega, muita luta, renhidas disputas de bola e irreverência de alguns futebolistas – já nos referimos a Chawa e a Luís Miquissone como os exemplos mais dignos dessa realidade –, tudo isto acabou por se encaixar perfeitamente naquilo que já se cognominava: o jogo do ano!

E este jogo do ano teve também uma outra característica: o público. É que, a despeito de se tratar de um dia chuvoso em Maputo e o jogo se realizar em pleno período laboral, a coroação do Costa do Sol contou com a maior enchente verificada em desafios do Moçambola este ano.

E nenhum adepto terá saído defraudado do Ma Tchiki Tchiki. Os do canário, claro, festejando de forma rija; os da UD Songo felizes com o garbo dos seus jogadores. E os das outras equipas encantados com o espectáculo.

Para além de Chawa, também marcaram, pelo Costa do Sol, Isac e Eva Nga. Ou melhor, o tridente de sonho de Horácio Gonçalves se encarregou de selar o triunfo da conquista do título.

Ora, depois da realização deste embate, o Costa do Sol passou a somar 66 pontos e a UD Songo 60.

Na última jornada do Moçambola, no próximo domingo, ambos visitam adversários que lutam pela sobrevivência, designadamente Ferroviário de Nampula e Clube do Chibuto.

Já o ponta-de-lança camaronês Eva Nga, neste seu ano de glória, marcou o 24.º golo, cimentando a sua posição de líder da lista dos goleadores.

Agora, está a três tentos de igualar o recorde de 27 golos que pertence a Chababe, temível ponta-de-lança que fez brilhante carreira no Desportivo de Maputo - chegou a essa cifra no campeonato de 1983, ganho pelos alvinegros, então treinados por Cândido Coelho.