Grandes eventos desportivos, mediatização e espetáculo (artigo Vítor Rosa, 44)

ESPAÇO UNIVERSIDADE 22-06-19 4:22
Por Vítor Rosa

Como poucas atividades, o desporto tem explorado desde o início o potencial da globalização. Neste âmbito, importa realçar os grandes eventos desportivos, sobretudo os Jogos Olímpicos e os Campeonatos Europeus e do Mundo de Futebol. Estes eventos maiores assumem um interesse económico, político, comunicacional e turístico. 

Os Jogos Olímpicos, “ressuscitados” por Pierre de Coubertin, em 1894, são um grande evento internacional, com desportos de Verão e de Inverno, em que milhares de atletas participam em várias competições. Os primeiros Jogos Olímpicos Modernos foram celebrados em Atenas, em 25 de março de 1896, com a presença de milhares de espetadores. Os Jogos Olímpicos assumiram uma grande notoriedade entre as duas Guerras Mundiais, com o aumento constante do número de atletas e de nações participantes. O Olimpismo tornou-se uma filosofia de vida, que combina um conjunto equilibrado de qualidades do corpo, de vontade e de espírito. Aliando desporto, cultura e educação, o Olimpismo pretende criar um estilo de vida. 

No caso do futebol, ele é o “estádio supremo da mundialização”. O seu império não conhece fronteiras nem limites. É a “futebolização” da sociedade. Nem todas as modalidades desportivas conseguem vingar no mercado do espetáculo desportivo. De sublinhar também que os meios de comunicação modificam a relação de tempo e de espaço. De fato, os médias, em primeiro lugar a televisão, oferecem o acesso ao desporto a um grande público e, por esta via, assegura o sucesso comercial das competições e a notoriedade dos desportistas e dos clubes. No entanto, a retransmissão do espetáculo desportivo pelos canais privados, depois de uma longa época do “desporto público”, construiu uma obrigação de resultados que reforça a lógica de concorrência entre os diferentes canais (tipo de emissões desportivas, horas de difusão, exclusividade dos direitos de retransmissão). O surgimento de novos média, a multiplicar as possibilidades de retransmissão em direto dos eventos desportivos, com os satélites, contribuíram amplamente para ajudar na globalização do desporto. 

O espetáculo desportivo tem uma antiguidade secular. No entanto, ele apresenta nas sociedades contemporâneas desenvolvidas uma singularidade. Os megaeventos assumem uma importância considerável em termos de trocas, transferência e difusão de informação, valores e tecnologias. Na pré-era da televisão, eram o principal veículo da globalização da cultura. Os megaeventos, na sua argumentação, exibem simultaneamente três características principais. Eles são “modernos e não modernos”, “nacionais e não nacionais”, “locais e não locais”.

Vítor Rosa Sociólogo, Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares de Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona de Lisboa