Um líder não o é só no papel

O MUNDO DOS GUARDA-REDES 19-03-19 3:59
Por Roberto Rivelino

Janeiro de 2019. Maurizio Sarri: “Talvez seja minha culpa [os resultados inconsistentes do Chelsea]. Talvez eu não seja capaz de motivá-los.”

Março de 2019. Senol Günes: “Ele [Loris Karius] teve culpa nos golos que sofreu. Estagnou, perdeu vontade de jogar futebol. Alguma coisa está mal e nós ainda não conseguimos pensar numa forma de resolver isso.”

Estas declarações distam dois meses. Mas também distam dois mundos. Um mundo em que, no topo do futebol, um líder pensa em querer motivar para ganhar e outro mundo em que, na segunda cena do futebol, um treinador aponta o dedo e afirma-se como incapaz (de motivar, de potenciar e de corrigir).

A situação que o treinador do Besiktas expõe – após uma vitória -, mostra uma forma de atuar e de tentar liderar muito recorrente, até nas tentativas de liderança em Portugal. Por meias palavras, a culpa é do guarda-redes. Na Turquia vai-se para a imprensa, por cá atira-se pedras atrás dos arbustos e coloca-se o guardião no banco de suplentes ou até na bancada. E isto acaba por ser um problema social por imitação de pensamento e longe dos capítulos de liderença.

Por estas páginas já afirmei que “quem não percebe da vida, também não percebe o guarda-redes” e cada vez a afirmação torna-se mais forte, porque o guarda-redes não defende sozinho – há um trabalho específico (normalmente dado por um treinador de guarda-redes), há a confiança e relação dos companheiros do sistema defensivo e também a segurança que o líder da equipa passa aos próprios guardiões (quantos e quantos guarda-redes passam semanas sem receber uma palavra do treinador principal?).

Manuel Sérgio diz que “é o Homem que se é que triunfa no treinador que se pode ser” e parte desse triunfo começa no estado mental e psicológico do guarda-redes para o jogo (e não, não basta a palavra do treinador de guarda-redes), em elo com tudo o resto. Como pode um treinador olhar para os jogadores ou ter a confiança dos mesmos (guarda-redes e afins), quando estica o dedo para apontar e não abre as mãos para ajudar?

Frase a destacar: Como pode um treinador olhar para os jogadores ou ter a confiança dos mesmos (guarda-redes e afins), quando estica o dedo para apontar e não abre as mãos para ajudar?

Defesa da jornada

Léo Jardim – GD Chaves 1-1 Rio Ave FC – 79’ – Desvio lateral

Avaliação da defesa: 7 (sete)

Critério: A defesa da jornada é escolhida por um critério de pesagem entre execução técnica, interpretação tática e complexidade da tomada de decisão.

01 – Momento do cruzamento de Lionn; Léo Jardim encontra-se com os apoios de perfil perfil, no centro da baliza em posição-base média baixa

02 – Momento do cabeceamento de André Luís; Léo Jardim encarou a situação de frente para a bola, reposicionando-se na baliza num deslocamento com cruzamento de apoios; Aqui, encontra-se em posição-base média-alta com poucas chances de defesa

03 – Execução de Léo Jardim; O guarda-redes do Rio Ave viu a bola bater no chão e reagiu em velocidade de execução, protagonizando o desvio lateral (depois a bola resvalou no poste), já depois de dois saltos durante o trajeto da ofensa adversária

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