«Dificilmente treinarei a Académica na próxima época»

Académica 22-05-2019 18:11
Por Eduardo Pedrosa Marques

João Alves está de saída da Académica. A decisão ainda não é oficial mas ficou claramente inclinada nesse sentido após as declarações proferidas esta quarta-feira pelo Luvas Pretas.
 

Em conversa informal com os jornalistas, numa iniciativa que o próprio João Alves teve a cordialidade de tomar, o técnico abordou estes últimos meses ao leme da Briosa e deixou a porta da saída completamente escancarada. A ligação umbilical à Académica já vem de há muitos anos, é sabido, mas hoje, mesmo no momento do quase certo adeus, voltou a ficar bem vincada.
 

«Estou muito agradecido à Académica peço convite que me fez em outubro. Ganhei anos ao vir para Coimbra, rejuvenesci e estou grato por isso. Gostei de voltar a sentir a adrenalina de ser treinador. Sabia que seria muito difícil subir de divisão, o milagre esteve perto, mas houve momentos decisivos em que as coisas falharam e foi pena. Houve muito trabalho e dedicação de muita gente para que o milagre acontecesse e esteve quase… Em relação ao meu futuro, a minha perspetiva é que dificilmente treinarei a Académica na próxima época. Numa situação em que precisarem de mim, e se estiver disponível, nunca direi que não. Mas quero manter-me completamente de lado em relação à luta eleitoral. A Académica está livre de procurar outro treinador e eu também estou livre para procurar o meu futuro. E não quer dizer que vá continuar a treinar. Confesse que estou bastante indeciso, é uma fase confusa. Recebi dois convites de clubes da Liga 2 mas, para já, não aceitei. Só admito a hipótese de continuar a trabalhar se for num clube que me ofereça condições para poder lutar para ganhar. Se não for assim, não vou pegar em equipa nenhuma».
 

O antigo internacional português voltou a falar sobre o «caso Júnior Sena» que, no seu entender, mexeu muito com o grupo numa altura absolutamente decisiva na luta pela subida de divisão.

«Fizemos uma recuperação fantástica até ao jogo com o Famalicão, que era decisivo na nossa luta pela subida. É perfeitamente sabido o que se passou. Houve um jogador que deu cabo do trabalho coletivo, no caso, o Júnior Sena. Foi à seleção de Cabo Verde – eu até tive uma grande influência nesse aspeto porque falei telefonicamente com o Rui Águas, o selecionador -, treinou toda a semana em campo sintético e depois aconteceu a tal semana do jogo de Famalicão. Apostámos tudo, era uma partida decisiva. O Júnior Sena nessa semana participou no primeiro treino, depois fez trabalho de recuperação e comecei a aperceber-me que havia coisas estranhas. Dois dias antes do jogo liguei ao Júnior e perguntei-lhe se podia contar com ele. Garantiu-me que estava a 100 por cento, no máximo para ajudar a equipa. Fomos para estágio e no dia do jogo, quando dou a palestra e digo a equipa titular, diz-me que tinha uma dor no joelho e não podia jogar. É evidente quer era um jogador fundamental na Académica… Se houve coisas por trás? Claro que sim, sem sombra de dúvidas», concluiu.

 

 

 

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