«Quando perde ninguém lhe pode dizer nada»

Benfica 03-12-2018 10:27
Por Nuno Paralvas

Como qualquer pai, António Silva estava dominado pela «ansiedade» por ver o filho começar de início na equipa do Benfica com o Feirense, anteontem, no Estádio da Luz, sobretudo pelo contexto negativo que envolvia a equipa, que esteve para perder o treinador Rui Vitória mas acabou por continuar com ele. Nas bancadas do palco dos encarnados, o estado de espírito só se transformou depois da certeza de que o triunfo não fugia aos encarnados. E depois de mais uma exibição de alto nível do filho - Rafa, 25 anos, voltou a ser um dos melhores em campo, assinou um golo, ofereceu outro (desperdiçado) a Jonas, forçou Bruno Nascimento a marcar na própria baliza proporcionou alguns dos melhores momentos ofensivos da equipa, entregou-se a defender. Mais um jogo a confirmar o melhor momento desde que chegou à Luz, ascensão já reconhecida pelos adeptos. Foi um dos mais aplaudidos logo no anúncio das equipas, antes do início do jogo.

 

António Silva assume que ficou «bastante contente» com a exibição da equipa e, claro, de Rafa. Prefere, porém, que outros o elogiem. Talvez, aqui, um pouco de modéstia a mais. Prefere discutir as exibições do filho em privado, sempre na perspetiva de uma «crítica positiva». E Rafa «aceita bem» todos os conselhos, mesmo do irmão, José Carlos, 33 anos, «o maior crítico» dele. Na família tem o porto de abrigo, sobretudo quando podem prevalecem as dúvidas. «É muito agarrado aos pais, ao irmão, à namorada, aos tios. Tentamos sempre dar o máximo de apoio. Já basta quando as coisas correm mal», conta António Silva, que revela as «duas facetas» do avançado do Benfica: «Quando ganha, a satisfação é grande, quando perde ninguém lhe pode dizer nada, fica chateado, não gosta nada de perder.»

 

Contratado pelo Benfica ao SC Braga no verão de 2016 por €16,8 milhões, Rafa só esta época está a conquistar os corações dos adeptos. «Está a perguntar se só agora está parecido ao Rafa do SC Braga?», pergunta António Silva, que até compreende quem possa fazer essa dedução ou até quem possa concluir que mudar do Minho para a Luz foi um salto que justificou adaptação. «Foi para o Benfica, uma realidade diferente, mas a dedicação e a qualidade dele são as mesmas. Esta época a principal diferença tem sido a sorte, a bola não bater na trave ou nos poste da baliza, não bater no boneco, como se costuma dizer no futebol. A vontade dele é igual. E quando joga, joga, quando não joga, apoia», argumenta António Silva, que identifica uma razão para que todos olhem, agora, para o filho de maneira diferente: «O golo é essencial. Claro que isso tem muita influência.» Não só como olham para ele, como também para a própria afirmação na equipa.

 

Rafa é o melhor marcador do Benfica, com oito golos em todas as provas, superando Jonas e Pizzi, ambos com seis. Quando foi titular, foi avaliado por A BOLA uma vez com nota 8 (assinou os dois golos da equipa em Chaves), duas com 7, cinco com 6 e três com 5 - nada mau considerando a instabilidade da equipa. Só foi titular em 11 dos 19 jogos em que participou. A continuidade no onze inicial poderá contribuir para Rafa continuar a levantar voo. «Acredito que sim, que ainda vai melhorar», disse António Silva, com tanto desejo quanto certeza.

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