Declarações de 'Tchizé' dos Santos são «indicadores do processo de declínio» do MPLA – UNITA

Angola 13-05-2019 19:25
Por Lusa

A UNITA, maior força política da oposição em Angola, considerou hoje que as declarações da deputada do MPLA 'Tchizé' dos Santos, que defendeu a destituição do Presidente angolano, são «indicadores do processo de declínio» do partido no poder.

 

O porta-voz da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Alcides Sakala, que se encontra na província angolana do Cunene (sul de Angola), disse à Lusa por telefone que as palavras de 'Tchizé' dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, «não parecem isoladas».

 

«A posição e as palavras de 'Tchizé' dos Santos não me parecem isoladas e demonstram a existência de contradições internas no MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola] e constituem indicadores do início do processo de declínio do partido no poder desde 1975», afirmou o porta-voz da UNITA.

 

Para Alcides Sakala, que não comentou um eventual 'impeachment' a João Lourenço, a ausência de 'Tchizé' dos Santos do Parlamento é uma questão do foro interno do MPLA e da Assembleia Nacional, embora surja num contexto de "turbulência interna" do partido governamental.

 

«O regimento da Assembleia Nacional e o Estatuto de Deputado são claros quando indicam que não se pode estar ausente do parlamento em três sessões plenárias seguidas», afirmou, indicando desconhecer se 'Tchizé' dos Santos, também membro do Comité Central do MPLA, apresentou justificações oficiais.

 

Hoje, Alcides Sakala afirmou que a UNITA está a seguir «com muita atenção as atuações internas do MPLA», sobretudo pelo «clamor pela mudança» que vem da população angolana, que está cada vez mais preocupada por o país «estar a ir de mal a pior», com a «manutenção das dificuldades para obter o básico de uma vida digna».

 

Insistindo na ideia do «início do declínio» do MPLA, Alcides Sakala salientou que o partido no poder em Angola «não soube aproveitar os anos da paz», alcançada em 2002 após 17 anos de guerra civil,«nem combateu as assimetrias regionais», lembrando que a UNITA defende a criação de uma «frente ampla para uma alternância com base em princípios democráticos».

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