Trabalhadores do Caminho de Ferro de Luanda iniciaram greve por tempo indeterminado

Angola 18-04-2019 18:10
Por Lusa

Os trabalhadores do Caminho de Ferro de Luanda (CFL) decidiram manter, esta quinta-feira, o início da greve por tempo indeterminado.

 

Em declarações à Lusa, o porta-voz do Sindicato de Trabalhadores do CFL, Lourenço Contreiras, afirmou que a comissão negociadora recebeu na terça-feira um convite para uma reunião com a direção, que, entretanto, foi descartado por ter esgotado o período de negociações.

 

«Recebemos um convite, mas, infelizmente, por o Conselho [de Administração] não estar a ser verdadeiro, estamos a abdicar desses encontros, porque sabemos que foi esgotado o período de negociações. Preferimos até nem realizar esse encontro», declarou.

 

O sindicalista lamentou o facto de o presidente do Conselho de Administração do CFL passar a informação de que já foram cumpridos 17 dos 19 pontos constantes no caderno reivindicativo.

 

«O presidente do Conselho de Administração vai à imprensa dizer uma coisa e depois quer convidar a comissão sindical ou negociadora para tratar do assunto. Acho que não está a ser sério naquilo que são os interesses dos trabalhadores», frisou.

 

Lourenço Contreiras realçou que, a terem sido cumpridos 17 dos 19 pontos reivindicados, os trabalhadores «estariam a ser injustos».

 

«Em comunicado, o CFL diz que «não são verdadeiras» as declarações de Lourenço Contreiras, que «ferem com o princípio da honestidade e da transparência», descrevendo no documento os pontos do caderno reivindicativo resolvidos, os em fase de resolução e os por resolver.

 

Segundo o documento do CFL, estão resolvidos oito pontos, nomeadamente os subsídios de funeral, de alimentação, pagamento de horas extras e o prémio de percurso, entre outros.

 

Em fase de resolução estão sete pontos e por resolver, faltando as partes chegar a acordo, está o aumento salarial na ordem dos 80%.

 

«O aumento dos salários será feito de forma faseada, dependendo do aumento da produtividade da empresa, através do plano de negócios reestruturado e da aplicação do novo tarifário a ser definido pelo Governo», informou a empresa.

 

Num outro comunicado, emitido por altura da declaração de greve, a segunda depois da que aconteceu durante 14 dias, em janeiro, o CFL descreveu a sua atual situação financeira, sublinhando que, mensalmente, recebe do Orçamento Geral do Estado 285.117 euros como subsídio operacional, que cobre apenas 83% do fundo salarial.

 

Adicionados àquele valor, a empresa tem como receitas próprias 83.858 milhões de euros para fazer face a todas as despesas mensais, estimadas em 782.675 milhões de euros).

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