João Lourenço diz que «corrupção, nepotismo e bajulação são inimigos públicos»

Angola 09-09-2018 10:55

O novo presidente do MPLA, João Lourenço, reiterou sábado o combate à corrupção, nepotismo e bajulação em Angola, que declarou como «nimigos públicos número um», elogiando o líder cessante, José Eduardo dos Santos.

 

João Lourenço, eleito hoje no VI Congresso Extraordinário do MPLA com 98,59% dos votos, agradeceu a sua eleição como quinto presidente do partido, depois de Ilídio Machado, Mário Pinto de Andrade, António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, para os quais pediu efusiva salva de palmas.

 

Tratou-se da primeira vez, em várias décadas, que, publicamente, foram feitas referências aos primeiros líderes do partido, Ilídio Machado e Mário Pinto de Andrade, por um alto dirigente do MPLA.

 

No seu primeiro discurso como presidente do MPLA, João Lourenço saudou José Eduardo dos Santos, que se manteve por 39 anos à frente do partido, «por ter dedicado toda uma vida ao partido e ao país, numa conjuntura difícil da chamada guerra fria, com a ameaça constante do regime do apartheid», da África do Sul.

 

«Neste momento em que deixa a política ativa, os militantes do MPLA e o povo angolano em geral guardarão para sempre na sua memória a imagem de estadista que, entre outros feitos, trouxe a tão almejada paz definitiva, o perdão e a reconciliação nacional entre irmãos antes desavindos», disse.

 

João Lourenço lembrou, neste momento de passagem de testemunho, o 'slogan' do conclave do MPLA - "Com a força do passado e do presente, construamos um futuro melhor" - para realçar que a evolução apenas será possível «se houver coragem» para «realmente corrigir o que está mal e melhorar o que está bem», palavra de ordem usada na campanha eleitoral um ano antes.

 

O também Presidente de Angola, desde 26 de setembro de 2017, elegeu como os males a corrigir, mas sobretudo a combater, «a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade» que «se implantaram» em Angola nos últimos anos, causando à economia angolana «muitos danos» e afetando «a confiança dos investidores, porque minam a reputação e credibilidade do país».

 

Num discurso frequentemente interrompido com palmas entusiásticas - vários jornalistas na sala de imprensa também aplaudiam -, João Lourenço realçou que os males apontados passam a ser «o inimigo público número um» contra o qual o partido tem «o dever e a obrigação de lutar e de vencer».

 

«Nesta cruzada de luta, o MPLA deve tomar a dianteira, ocupar a primeira trincheira, assumir o papel de vanguarda, de líder, mesmo que os primeiros a tombar sejam militantes ou mesmo altos dirigentes do partido, que tenham cometido crimes ou que pelo seu comportamento social estejam a sujar o bom nome do partido», defendeu João Lourenço, que tem o combate à corrupção como discurso constante.

 

Segundo o presidente do MPLA, a história do partido esteve sempre associada a causas nobres que orgulham os militantes, como a conquista da independência, a defesa da soberania nacional, a contribuição significativa na luta vitoriosa dos povos da África Austral contra o regime do apartheid, a paz e a reconciliação entre os angolanos.

 

«Não se pode confundir, nunca, a necessidade de se promover uma classe empresarial forte e dinâmica, de gente honesta que, com seu trabalho árduo ao longo dos anos, produz bens e serviços e cria empregos, com aqueles que têm enriquecimento fácil, ilícito e, por isso, injustificável, feito à custa do erário público, que é património de todos os angolanos», avisou o novo líder do partido no poder em Angola desde a independência (1975).

 

«No caso de [os prevaricadores] serem militantes, responsáveis ou dirigentes do MPLA, não permitiremos que comportamentos condenáveis dessa minoria gananciosa, manchem o bom nome deste grande partido que foi criado com suor e sangue para defender uma causa nobre», frisou.

 

Na sequência do congresso, João Lourenço disse que será reunido o Comité Central do partido para a eleição do vice-presidente, do secretário-geral e dos membros do Bureau Político.

 

E, para esses cargos, o presidente do MPLA disse esperar que venham a ser eleitos militantes com «idoneidade e capacidade de trabalho comprovadas, mas sobretudo corajosos e comprometidos com a causa do partido».

 

«Que me ajudem a fazer uma governação virada para a resolução dos principais problemas da nossa sociedade, da economia e dos cidadãos», frisou.

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