SEGUNDA-FEIRA, 29-05-2017, ANO 18, N.º 6330
Paulo Nuno Vieira
Espaço Universidade
Como descobrir talentos desportivos? (artigo de Paulo Nuno Vieira, 1)
21:46 - 17-04-2017
Paulo Nuno Vieira
Que variáveis têm os treinadores em conta na procura por potenciais talentos desportivos? Tradicionalmente, consideram a altura, a força, a velocidade, a técnica ou a resistência dos praticantes. No entanto, todas estas capacidades são influenciadas diretamente pelas capacidades coordenativas dos potenciais atletas, tais como a agilidade, a coordenação, as fintas, as mudanças de direção ou de velocidade, as paragens, os arranques ou os equilíbrios.

O treino das capacidades coordenativas é fundamental para o treino desportivo de qualquer modalidade, sendo muitas vezes negligenciado no planeamento dos treinadores quando comparado com outras componentes do treino, como as capacidades condicionais, a técnica, a tática ou mesmo a componente mental. As capacidades coordenativas são objeto de treino na parte inicial do treino, mais concretamente no aquecimento e na mobilização geral, mas raramente são consideradas progressões nos exercícios, não provocando por isso a evolução devida na performance, o que pode condicionar o plano de desenvolvimento de longo prazo dos atletas.

Planear e avaliar as capacidades coordenativas tem especial importância nos escalões de formação sobretudo porque, hoje em dia, muitos jovens apenas passam por estas experiências motoras no espaço do treino ou das aulas de Educação Física. A bateria de testes de avaliação da aptidão física que se aplica nas escolas não é suficiente para identificar talento desportivo, até porque as capacidades condicionais avaliadas estão associadas a referenciais de saúde, sendo necessário o seu complemento com a avaliação das capacidades coordenativas. É curioso verificar que a investigação demonstra que os estudantes com melhor rendimento escolar, apresentam também melhores índices de coordenação motora.

Numa revisão de diversos estudos que envolveram jovens futebolistas identificou-se a agilidade como uma das variáveis que pode discriminar entre atletas de elite ou de sub-elite. Num outro estudo, em que participaram mais de 300 rapazes basquetebolistas, dos 8 aos 17 anos de idade, concluiu-se que a coordenação geral tem uma importância determinante na melhoria da prestação motora relativa a uma modalidade específica, neste caso o basquetebol.

A existência de métricas quantitativamente mais objetivas relativamente aos parâmetros condicionais dos atletas (velocidade, força, resistência, etc.) não deve condicionar o desenvolvimento coerente, consistente e equilibrado dos diversos fatores de rendimento dos atletas.

Paulo Nuno Vieira
Professor Auxiliar do Departamento de Desporto da Universidade Europeia

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