SEXTA-FEIRA, 28-04-2017, ANO 18, N.º 6299
Espaço Universidade
O indomável e imprevisível futebol (artigo de Aníbal Styliano, 15)
21:39 - 16-03-2017
O jogo da segunda mão da "Champions" entre o Mónaco e o Manchester City de ontem (15.03.2017) era aguardado com enorme e justificada expectativa em função do brilhantismo da 1.ª mão, por muitos designada como "Um Hino ao Futebol".

Desta vez, aguardava-se não uma sinfonia mas a criação de uma pintura única, genial, onde os diversos artistas e respetivos Mestres (o catalão Pep e o lusitano Leonardo) deixassem impressas nas memórias do planeta uma marca impressiva, cubista, geométrica e profunda que a perpetuasse sem limites.

O cenário estava criado: o verde do fundo misturado com o mar de gente, de emoções e de cores indecifráveis, fazia antever pinceladas intensas, paletas contrastantes, dribles mais ou menos esbatidos, velocidade de execução, momentos de caos e inspiração, movimentos inimitáveis.

Esperavam-se sorrisos abertos, fixação de olhares, abraços, gritos, aplausos, até comoção e lágrimas.

Os protagonistas faziam prever processos talentosos, modelos e estratégias únicas que fossem para além do produto.

Havia a curiosidade de descobrir como se poderiam superar barreiras, limites, ultrapassar o que já tinha sido feito.

Tudo estava pronto para o nascimento de uma das maiores obras de arte de todos os tempos.

Começou o jogo. O futebol foi excelente, de grande qualidade, com pormenores de encantar, mas um grande jogo de futebol.

Na 1.ª parte a inquietação, velocidade e criatividade do Mónaco, a irreverência da juventude, a genialidade, seduziu auditório e surpreendeu adversário. Ao intervalo, Mónaco 2 - City 0.

Na 2.ª parte, Manchester City dominou, perfumou passes, descobriu espaços, envolveu o jogo com a cor que mais lhe convinha.

Mónaco, surpreendido ou cansado, sentiu-se aprisionado, algo temeroso.

City desperdiçou diversas oportunidades, pintou fora dos limites da tela. Mas sem desistir.

Mestre Leonardo mexeu. Tentou dar alma, pulmão e confiança.

Mestre Pep não desarmava e insistia na pressão, na velocidade, na mobilidade, na crença até ao fim. E assim conseguiu reduzir a desvantagem:
marcador registou 2 - 1 (cerca do minuto 70).

A imagem criativa do Mónaco da 1.ª parte tornou-se uma tela inexpressiva, algo estática, em função do jogo do adversário que mantinha domínio absoluto.

Então, ao minuto 76, num livre a meio campo, o Mónaco marca o terceiro golo, num assomo de brio à campeão, reforçando a discussão da eliminatória.

City nunca desarma, tenta acabar a obra que pretendia, sem paragens, com intencionalidade e plano definido.

Mesmo nos últimos segundos, City marca um livre à entrada da área do Mónaco, qual último fôlego, mas Guarda-redes adversário agarra a bola, o resultado e a eliminatória.

Duas grandes equipas.

Duas partes distintas.

Parabéns ao vencedor e honra para o vencido.

Mestre Leonardo e mais alguns jogadores portugueses continuam a perfumar o futebol internacional.

Foi um excelente jogo de futebol.

A obra-prima da pintura fica para uma próxima oportunidade.


Aníbal Styliano é Professor licenciado em História; treinador de futebol nível IV UEFA Pro Licence; diretor pedagógico da Associação de Futebol do Porto; membro da comissão de formação da Federação Portuguesa de Futebol e do conselho consultivo da Associação Nacional de Treinadores de Futebol.

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