QUINTA-FEIRA, 30-03-2017, ANO 18, N.º 6270
João Paulo Ramos
Espaço Universidade
Ginástica em Equipas? TEAMGYM!!! (artigo de João Paulo Ramos)
15:07 - 12-01-2017
Decorreu no passado mês de outubro, em Maribor - Eslovénia, a 11ª edição do Campeonato Europeu de Teamgym. É a mais jovem modalidade competitiva da ginástica, em equipas constituídas por 8 a 10 ginastas (+2 suplentes), e neste caso do campeonato europeu é realizado pelas seleções nacionais.

Portugal participou na categoria de Seniores Masculinos, existindo também as categorias de Femininos e Mistas e estas também no escalão de Juniores. A nossa seleção foi apurada para as finais, obtendo a quarta posição nas qualificativas, tendo mantido essa posição na final. Esta classificação é de enorme destaque, pois se retirarmos as 3 superpotências (Dinamarca, Suécia e Noruega), a distância pontual para o 3º foi sempre menor do que para o 5º. Inclusive nas qualificações ultrapassamos a pontuação da Noruega em duas das três disciplinas.

Esta modalidade, é composta por 3 disciplinas: Minitrampolim (três séries com 6 ginastas); Tumbling (três séries com 6 ginastas) e Solo (coreografia entre 2’15” e 2’45” onde participa toda a equipa). A pontuação é o somatório de 3 notas (C+E+D) da responsabilidade de três painéis de juízes em cada disciplina: Composição (C - até um máx. de 4 pontos no solo e 2 pontos no Tumbling e Minitrampolim); Execução (E - 10 pontos que sofrem deduções ao longo da execução) e Dificuldade (D - sem limite de pontuação a refletir as dificuldades acrobáticas).

Esta terá sido até à data a melhor participação nacional, mas o que foi diferente desta vez? O investimento na disciplina de Solo, através da colaboração com um dos mais conceituados coreógrafos da área, sueco e também juiz internacional nesta disciplina, sendo que o seu profundo conhecimento do código, bem como a expertise na área da Dança, possibilitaram a construção de uma coreografia ao nível dos nórdicos. É de referir que a Federação de Ginástica de Portugal conjugou a presença deste coreógrafo para os treinos da seleção com uma formação para treinadores e a possibilidade de estes assistirem aos 4 dias de intensos treinos da seleção. Por outro lado, a evolução da modalidade em Portugal, já começa a contar com ginastas formados especificamente na modalidade (40 equipas no último campeonato nacional), ao invés da importação de ginastas de outras áreas. Os ginastas da seleção nacional (entre os 16 e os 34 anos de idade), revelaram um misto de experiência por participações anteriores e elevadíssimos níveis de dificuldade técnica apresentados também pelos mais jovens. Provenientes de 4 clubes, os 17 ginastas inicialmente convocados mostraram-se altamente focados no trabalho desenvolvido ao longo dos 48 treinos de conjunto, até à decisão dos 12 que representaram Portugal. No entanto, esta representação ainda foi mais extraordinária porque começou a desenhar-se apenas 5 meses antes, com a nomeação de um selecionador nacional e equipa técnica, iniciando os treinos de preparação 4 meses antes da prova. Até à data não tem existido um projeto plurianual com metodologias, planeamento e metas definidas de forma sistemática e continuada, o que, como sabemos não possibilita aspirar à elite da competição (lugares do pódio). Não podendo contar com competições de elevado nível e provas de controlo regulares, a realização dos poucos momentos competitivos tem dependido da vontade de alguns clubes e treinadores.

Esperamos que o próximo ciclo seja diferente, até porque Portugal está muito bem posicionado para ser o próximo anfitrião do Campeonato da Europa. Este poderá ser o fator catalisador de medidas de desenvolvimento desportivo, como o investimento numa equipa técnica ao longo de todo o ciclo, criação de momentos competitivos nacionais e internacionais com uma regularidade estimulante para os ginastas e clubes. Para além do investimento numa intensa divulgação e promoção da modalidade que já começa a ter direitos televisivos em países como a Dinamarca, Suécia, Islândia e Eslovénia.

Esta jovem modalidade da ginástica é envolta de uma atmosfera vibrante, com uma dinâmica espetacular para os espetadores, apresentando todos os ingredientes que desejamos na assistência a uma competição: risco aparente transmitido pelas acrobacias de elevadíssimo grau de dificuldade como os duplos e triplos mortais com piruetas, ausência de paragens, trabalho de equipa. Tudo num crescendo de emoções que nos faz saltar do assento na bancada e aplaudir no final de cada série de trampolins ou Tumbling ou no final duma coreografia bem desenhada e sincronizada.

Parabéns à seleção nacional e vamos a isto, que 2018 é já ali!!!

João Paulo Ramos
Professor Assistente da Universidade Europeia

comentários

1
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cmaia04
12-01-2017 17:27
Este artigo só ficaria completo se o seu autor acrescentasse um detalhe importante, foram os atletas que custearam a deslocação e estadia do seu bolso para representar o seu país...

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