TERÇA-FEIRA, 17-01-2017, ANO 17, N.º 6198

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Pedro Martins
«Soares? Estamos preparados…» - Pedro Martins
Pedro Martins recusou alongar-se em comentários quando confrontado com a possibilidade de Soares trocar o Vitória de Guimarães pelo FC Porto neste mercado de transferências de janeiro. «Essa pergunta vai ser feita até ao fecho do mercado. Está aberto, é volátil e nós estamos preparados para todas as situações», afiançou o treinador dos vimaranenses, esta terça-feira, no lançamento do jogo da Taça de Portugal com o Covilhã. «Temos a noção de que vamos defrontar uma equipa de um escalão inferior, mas sabemos que não iremos encontrar facilidades. Os jogos da Taça de Portugal são sempre complicados. De qualquer forma, queremos vencer», vincou Pedro Martins, acrescentando: «Traçámos dois objetivos no início da época: o primeiro passa por atingir um lugar europeu no campeonato, o segundo por marcar presença no Jamor. E nunca fugimos a essa ambição.»
Vitória de Guimarães
12:54 - 17-01-2017
Bruno de Carvalho
Abílio Fernandes diz que Bruno de Carvalho errou com Leonardo Jardim e Marco Silva
Abílio Fernandes, membro da comissão de honra da candidatura de Bruno de Carvalho, diz que o presidente do Sporting está agora mais maduro depois de ter cometido vários erros no passado, entre os quais as saídas de Leonardo Jardim e Marco Silva. «Do meu ponto de vista, Bruno de Carvalho cometeu alguns erros, como foram os casos de Leonardo Jardim e Marco Silva. Mas são coisas do passado, já amadureceu e está devidamente preparado para seguir em frente», afiançou, em declarações à Antena 1, negando liminarmente qualquer desencontro entre o presidente e Jorge Jesus: «Conheço-os muito bem e tenho a certeza que não passa de uma calúnia do candidato à presidência do Sporting [Pedro Madeira Rodrigues].» Para Abílio Fernandes, a presença de Bruno de Carvalho no balneário no final do jogo com o Chaves «é uma coisa banal». «Todos os presidentes o fazem, Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa, António Salvador e outros», notou, considerando «normalíssimo» que o líder leonino tenha falado aos jogadores «depois de um resultado menos agradável para o clube.» «Não há qualquer tipo de problemas entre o grupo de trabalho e o presidente», asseverou, projetando o jogo desta noite com o Chaves, para a Taça de Portugal: «Não é nenhuma tragédia se o Sporting perder, tem acontecido a grandes equipas, como o FC Porto no ano passado.»
Sporting
12:43 - 17-01-2017
Claudio Ranieri (Foto AP)
«Temos de esquecer a época passada» - Ranieri
Depois de viver autêntico conto de fadas na época transata, coroada com a inédita conquista da Premier League, o Leicester vê-se agora mergulhado no pesadelo da luta pela permanência entre os grandes do futebol inglês. «Temos de apagar a última época da nossa memória e focar-nos na difícil tarefa que temos pela frente: garantir a manutenção», frisou Claudio Ranieri. O confronto com o Sevilha nos oitavos de final da Liga dos Campeões é, por isso, relegado para um plano secundário. «Não vai ser fácil, mas o presidente já me transmitiu que o mais importante é ficar na Premier League», revelou o italiano.
Leicester
12:24 - 17-01-2017
Foto Manchester United FC
Mourinho tem «sala dos milagres» no centro de treinos
José Mourinho passa a maior parte do tempo em Carrington, centro de treinos do Manchester United, distante de Ed Woodward, diretor executivo e homem forte das contratações que trata do futuro do clube essencialmente a partir Londres. Porém, os mais de 300 quilómetros de distância entre ambos não impedem uma regular e profícua comunicação. «A tecnologia faz milagres. Caso seja necessário, temos uma sala aqui em Carrington, equipada com ecrãs, que é um verdadeiro milagre. Falamos muito lá, mas também nos encontramos muitas vezes, o que é muito importante» revelou o treinador português, em resposta a adeptos dos red devils.
Manchester United
12:03 - 17-01-2017
Gonzalo Higuaín
«Casillas ou Buffon? Senti-me seguro com os dois» - Higuaín
Na antecâmara do reencontro com Iker Casillas, por ocasião do confronto entre Juventus e FC Porto na Liga dos Campeões, Gonzalo Higuaín escusou-se a revelar a sua preferência entre o guarda-redes espanhol e o italiano Gianluigi Buffon. «Senti-me seguro com os dois e julgo que não serei o único a dizê-lo. Quase todo o mundo considera que são os dois melhores da história, por tudo o que conquistaram e por se terem mantido entre a elite durante tantos anos. Sinto-me um privilegiado por ter jogado e aprendido com os dois», salientou o avançado argentino, em entrevista ao diário Marca. «Tenho um grande carinho por Iker, ajudou-me muito quando cheguei ao Real Madrid. Vai ser lindo reencontrá-lo», disse Higuaín. A Juventus desloca-se ao Estádio do Dragão a 22 de fevereiro para a primeira mão dos oitavos de final da Champions, recebendo os azuis e brancos em Turim a 14 de março.
Juventus
11:45 - 17-01-2017
Leonel Vangioni
Leões fazem sondagem por Vangioni
Reforçar o lado esquerdo da defesa continua a fazer parte dos planos do Sporting e vários nomes têm sido apontados a Alvalade, incluindo o de Leonel Vangioni, tendo o pai e representante do jogador confirmado a A BOLA a existência de contactos nesse sentido. «Houve uma sondagem feita em nome do Sporting por parte de alguns empresários», disse Armando Vangioni, embora acrescentando que até ao momento não existe «nada de concreto», não tendo sido formalizada qualquer proposta pelo defesa do Milan, que não faz parte da lista de opções do treinador dos rossoneri. «Obviamente que seria uma boa oportunidade. Estamos a analisar várias coisas sobre o futuro dele, vamos ver o que acontece», acrescentou o representante, sem, no entanto, falar dos valores em cima da mesa. Neste capítulo, a solução Aogo (Schalke) é mais aliciante para os cofres dos leões, custando entre 500 mil a €1 milhão, já que no final da época é um jogador livre.
Sporting
11:32 - 17-01-2017
Raúl Jiménez
«Se oferecem é porque Jiménez vale os 50 milhões…» - Hugo Sánchez
Hugo Sánchez, emblemático avançado mexicano que passou, entre outros clubes, pelo Real Madrid (207 golos em 283 jogos), na década de 80, comentou a proposta oriunda do futebol chinês para levar o compatriota Raúl Jiménez do Benfica. «Se é o valor (50 milhões de euros) que o Benfica pede e os chineses dão, é porque ele merece e vale esse montante. Se querem comprar, têm de pagar em proporção ao custo», disse em declarações à ESPN.
Benfica
11:26 - 17-01-2017
Foto AP
«Cristiano Ronaldo e Messi são dois monstros» - Higuaín
Gonzalo Higuaín é dos poucos futebolistas que se podem gabar de ter tido Cristiano Ronaldo e Lionel Messi como companheiros de equipa. E a opinião sobre o português e o argentino não podia ser mais favorável. «Qual é o meu preferido? Para mim não é uma pergunta difícil, pelo contrário, é fácil de responder. Joguei com dois monstros e aprendi com as qualidades de ambos. Jogar com os melhores também nos faz evoluir», destacou o avançado da Juventus, em entrevista ao diário espanhol Marca.
Juventus
11:18 - 17-01-2017
Haris Seferovic (Foto AP)
Eintracht admite Seferovic na Luz
A transferência de Haris Seferovic, avançado de 24 anos, para o Benfica deverá conhecer desenvolvimentos nos próximos dias com a chegada de Luís Filipe Vieira a Lisboa, após uma semana na China. Mas também os responsáveis do Eintracht Frankfurt admitem a possibilidade de o jogador ser negociado com as águias ainda durante este mês. Em declarações ao jornal Bild- Zeitung, Fredi Bobic, diretor geral do clube alemão, reconheceu que «há muitas conversações nos bastidores, incluindo com o empresário dele». «É por isso que ainda é prematuro falar», completou o dirigente, secundado pelo diretor desportivo, Bruno Hubner, que foi mais contundente: O Benfica prefere a transferência já, mas temos de esperar para decidir e ver aquilo que o Haris também prefere. Se tiver de ficar os restantes seis meses do contrato de certeza que ficará com bastante empenho porque ele também tem o Eintracht no coração.»
Benfica
11:11 - 17-01-2017
Moreira
«Ronaldo não quer apanhar o filho pela frente…» - Moreira
Cristiano Ronaldo já afirmou que gostava que o filho lhe seguisse as pisadas mas foi taxativo ao afirmar que não deseja que Cristiano Júnior escolha a posição de guarda-redes. Estranhamente, ou não, Moreira concorda. O guardião do Estoril explica porque considera a posição que ocupa a mais ingrata do futebol. «Compreendo o que diz o Cristiano. Se tivesse um filho [n.d.r.: Moreira tem uma filha] também não queria que ele fosse guarda-redes, sinceramente, porque é a posição mais ingrata no futebol», diz em entrevista a A BOLA, antes de concretizar: - O guarda-redes é o último, é o que aparece sempre nas repetições enquanto última imagem do golo sofrido, da derrota da equipa. Um golo normal do avançado no último minuto tem sempre mais ênfase do que uma grande defesa do guarda-redes no último minuto. Porque o avançado deu a vitória, o guarda-redes só a segurou. «Depois há outra coisa, só joga um, o que é muito chato. Um lateral-direito pode dar um jeitinho no lado esquerdo da defesa ou no meio-campo, pode entrar aos 60 minutos, por exemplo, mas o guarda-redes não. Num plantel pode haver dois praticamente com o mesmo valor e um deles ficar parado durante a época», refere, antes de regressar ao exemplo de Cristiano Ronaldo. «Mas também pode acontecer que o Cristiano Ronaldo vá jogar até aos 50 anos e não queira apanhar o filho pela frente…», atira, com um sorriso. Nesta entrevista ao nosso jornal, Moreira, de 34 anos, manifesta também o sonho de voltar a jogar a Liga dos Campeões e de voltar a representar a Seleção Nacional.
Estoril
11:01 - 17-01-2017
Silvestre Varela
Varela sem margem de manobra
Silvestre Varela está numa situação desconfortável no FC Porto. O extremo, com contrato válido até 2019, percebeu finalmente no último jogo, frente ao Moreirense - integrou a lista de 19 convocados, mas ficou de fora -, que em nenhuma circunstância faz parte dos planos de Nuno Espírito Santo e que só lhe resta sair nesta janela de mercado de janeiro. Os clubes até agora interessados em Varela, pelo menos aqueles que parecem ter capacidade financeira para satisfazerem as condições impostas pela SAD portista, são turcos. O que não vai ao encontro dos anseios do jogador, nada inclinado a aceitar propostas com compensação financeira pouca atrativa (cobrem apenas o seu salário de cerca de um milhão de euros/ano) e de risco elevado, dados os atos terroristas que se repetem no território do antigo Império Otomano.
FC Porto
10:57 - 17-01-2017
Novak Djokovic (Foto AP)
Open da Austrália: Djokovic ultrapassa Verdasco
Novak Djokovic, detentor do título, qualificou-se esta terça-feira para a segunda ronda do Open da Austrália. O sérvio, número dois mundial, venceu o espanhol Fernando Verdasco, 40.º do ATP, em três sets, pelos parciais de 6-1, 7-6 (7/4) e 6-2, em duas horas e 20 minutos. Na segunda ronda, Djokovic terá pela frente o vencedor do encontro entre o croata Ivan Dodig e o usbeque Denis Istomin.
Ténis
10:50 - 17-01-2017
Emenike (Foto AP)
Marco Silva pergunta por Emenike
O Hull City contactou o Fenerbahçe para saber as condições de uma eventual transferência de Emmanuel Emenike. Segundo o portal Turkish-Football, o avançado nigeriano não entra nos planos de Dick Advocaat e recebeu do treinador holandês permissão para procurar novo clube. O emblema agora comando por Marco Silva é um dos interessados, embora a abordagem seja no sentido de conseguir um empréstimo até ao final da época em curso, ao passo que o Fenerbahçe estará mais inclinado numa saída a título definitivo. Caso o Hull City chegue a acordo por Emmenike, será o regresso do atleta de 29 anos à Premier League onde atuou na época passada no West Ham cedido pelos turcos.
Hull City
10:43 - 17-01-2017
Olivier Giroud (Foto AP)
Giroud revela qual a condição para rumar… à China
A cumprir a quinta temporada no Arsenal, Olivier Giroud não fecha a porta a uma possível aventura no futebol chinês. Mas, antes, diz ter um sonho para concretizar em Inglaterra. «Percebo porque há tantos jogadores a ir para a China. Mas se me perguntarem se penso nisso agora, digo que não. Primeiro quero vencer a Premier League, depois disso, porque não? Nunca se sabe…», afirmou o internacional francês de 30 anos.
Arsenal
10:37 - 17-01-2017
José Fonte (Foto AP)
«Situação de José Fonte não pode distrair o plantel» - Prowse
James Ward-Prowse, companheiro de equipa de José Fonte no Southampton, frisa que a indefinição em torno do futuro do internacional português não pode afetar os restantes jogadores da equipa. «Fonte é uma figura muito importante no balneário mas é também um grande profissional. É uma situação que não pode afetar o plantel porque é um assunto entre ele e o clube. É algo que será resolvido o quanto antes já que temos muitos jogos importante pela frente», sublinha o médio em declarações à Sky Sports. A cumprir a sétima temporada consecutiva no Southampton, José Fonte tem contrato válido por mais ano e meio. Entregou este mês um pedido formal à direção do clube para que seja transferido nesta janela do mercado de transferências e tem sido apontado a clubes como o Manchester United, Everton ou Liverpool.
Southampton
10:33 - 17-01-2017

destaques

Tentou pôr Camataru no Benfica, Ceaucescu não deixou…
Grande História Fernando Martins pediu-lhe ajuda, mas não, isso Mário Soares não conseguiu: não conseguiu trazer Camataru para o Benfica. Mas, salvando Futre da tropa, salvou o FC Porto de perder 630 mil contos. Ao FC Porto de Pedroto e Pinto da Costa dera a sua primeira Taça de Portugal como Primeiro Ministro – e a primeira como presidente deu-a ao Benfica. A Carlos Lopes prometeu um churrasco nos seus jardins – e cumpriu a promessa com um boi de 350 quilos. Com Moniz Pereira, seu vizinho no andar de cima, jogou ao botão. As suas prisões com a PIDE cruzaram-se com ataques em que também esteve Cândido de Oliveira – e sim, ainda há muito mais desporto (e muitas mais surpresas) na vida de Mário Soares. É o que aqui se conta – e vai bem para lá do que ele revelou que era com a bola nos pés e do pai, que quando ele nasceu ainda era padre, o ter entregue a Agostinho da Silva pedindo-lhe que lhe desse lições de cultura geral porque «só pensava em jogar futebol, dizer asneiras, era um insubordinado…» João Lopes Soares nasceu à beira de Leiria, filho de gente pobre do campo - e em 1900 formou-se em Teologia na Universidade de Coimbra, sendo ordenado presbítero. Andou como Capelão Militar pela província, era em Alcobaça que estava quando em 1907 lhe surgiu filho de uma «ligação em pecado», Tertuliano lhe chamou. Transferiram-no para Lisboa, em Lisboa se tornou militante republicano, na ala de Afonso Costa. A monarquia chegou a prendê-lo por conspiração – e durante a I República foi, para além de professor nos Pupilos do Exército, governador civil, deputado – e Ministro das Colónias. NA PENSÃO,O ENCANTO DE ELISA... Em Lisboa, João Soares hospedou-se numa pensão da Rua Ivens, ao Chiado – e não tardou a encantar-se com a mulher do dono. Elisa Nobre apaixonou-se por ele, por ele deixou o marido – e foram viver para o 2º Esquerdo do nº 163 da Rua Gomes Freire. Às 18.15 horas do dia 7 de dezembro de 1924 nasceu-lhe um filho, registaram-no como Mário Alberto Nobre Lopes Soares – e só quando já tinha três anos é que a Santa Sé desobrigou, enfim, João Lopes Soares das ordens eclesiásticas, deixando, assim, oficialmente, de ser padre, tinha, então, 49 anos. A I República desfizera-se na coluna de Gomes da Costa que partira de Braga a 28 de maio de 1926 – e em fevereiro de 1927 João Lopes Soares envolveu-se na Revolta do Reviralho, o ataque à ditadura em que também estiveram Luís Carlos Faria Leal, fundador do Benfica – e João Tamagnini Barbosa, que a presidente do Benfica haveria de chegar à saída dos anos 40. Tal como Afonso Costa e António Sérgio, Faria Leal conseguiu escapar para exílio em França, Tamagnini Barbosa não: acabou deportado para os Açores, tal como João Soares. NO PRÉDIO DE MONIZ PEREIRA... No andar de cima do prédio da Rua Gomes Freire tinha um vizinho dois anos e meio mais velho que como ele se chamava Mário Alberto, o Mário Alberto Moniz Pereira – que em entrevista a A BOLA contou: - O meu pai era o representante em Portugal da FN, firma que fabricava automóveis e depois passou a fabricar armas e munições. Foi com um FN que se tornou o primeiro automobilista a dar a Volta a Portugal, o carro por vezes a ter de ser puxado por juntas de bois para cruzar rios e regatos. Talvez influenciado por esse seu espírito, depressa me pus a organizar no prédio grandes campeonatos com os meus irmãos, os nossos vizinhos. Na varanda era o salto em altura com a corda de estender a roupa e o salto à vara com o cabo de uma vassoura velha. Saltávamos em comprimento a partir da rampa da varanda e como não dava para mais em vez do triplo havia duplo-salto. No quintal, fazíamos 30 metros à volta da nespereira e jogávamos basquetebol com uma porta a fazer de ângulo com a parede a servir de cesto. Mais tarde as provas passaram do quintal para o passeio, a sarjeta era a tábua de chamada. Também tínhamos a Volta a Portugal em bicicleta - no quarto de costura com os cromos dos ciclistas na roda da máquina de costura da minha mãe, quem conseguisse dar mais voltas ganhava. O Mário Soares, mais novinho, não entrava nesses nossos torneios, mas ficava sempre a ver – e de quando em quando jogava ao botão connosco. E sim: muitas vezes nos assustámos ao ver a PIDE entrar de rompante pelo andar, à procura do pai do Mário, que até escondido na nossa casa chegou a estar… Em fevereiro de 1991, Mário Moniz Pereira fez 70 anos – e 250 amigos foram a Monsanto festejá-los. Um deles era, claro, o Mário Soares, já presidente da República, mas ali, sobretudo, numa outra condição. Emocionado, recordou: - Lembro-me, claro, de brincar com ele ao botão, na Rua Gomes Freire, mas tenho de dizê-lo: estou vexado por estar aqui reunido entre tantos desportistas e campeões e nunca ter praticado desporto a sério... e viu-se, fogacho a correr-lhe pelos olhos quando, no final do seu discurso Moniz Pereira se virou-se para ele e lhe disse: - Para terminar em beleza esta homenagem, vou entregar ao meu amigo Mário Soares uma velhinha recordação da nossa infância: a caixa do jogo do botão, com as fichas de inscrição, nomes dos jogadores e cores dos respetivos botões, é a minha surpresa para ele... A BOLA, A ASMA E A PROMESSA À SENHORA DE FÁTIMA... Uma das razões para nunca ter praticado desporto a sério – foi, sempre o achou, a sua magreza – e por isso, além de Gigi ou de Licas, também o tratavam por Lingrinhas, vivia com o pai preocupado a querer afastá-lo dos «jogos da bola». A outra razão foi sofrer de asma - e a propósito da asma há nele, a desfiar-se, uma outra deliciosa memória: - A minha mãe era muito religiosa e fez promessa, pedindo que eu me curasse da asma. Curei-me da asma, passaram os anos, por uma razão ou outra não cumpria a promessa. Até que um belo dia resolveu cumpri-la. E lá fomos os dois a Fátima, eu já adolescente, com uma vela da minha altura. Achei-me ridículo. Continuou a ser o que já decidira ser: republicano e laico – e a asma voltou a dar deliciosa memória, memória que está no livro de Joaquim Vieira: - Com o pretexto de que eu estava com asma e não podia tomar banho frio, o médico da prisão de Caxias aceitou que eu tomasse banho quente. Eu punha-me completamente nu dentro do alguidar, com a malta toda a ver, e o guarda prisional regava-me com um regador…...
Do Passado para o Presente Mirabolantes, coisas que aconteceram nos primeiros jogos entre Benfica e Sporting. Num deles, desatando a chover copiosamente os sportinguistas não quiseram jogar a segunda parte – e foi preciso o árbitro ir ao balneários obrigá-los a voltar ao campo. Noutro, o erro do árbitro levou a que o Benfica ganhasse por 2-1 – e lendo, no jornal do dia seguinte, a justificação para o penalty, o Benfica pediu que se transformasse a sua vitória num empate, a União do Futebol (era assim que se chamava o que haveria de transformar-se, depois, em AFL…) recusou-lhe o pedido. Mas não, não é só de romantismo assim que aqui se fala. Também se fala de dissidente do Sport Lisboa que José Alvalade levou para o Sporting «verdadeiramente perigoso» - e das duas bofetadas que o guarda-redes do Sporting deu a dois benfiquistas e por causa disso acabou José Alvalade suspenso por um ano. E ainda se conta como os clubes nasceram – um à míngua e outro em glamour… Para um jogo de futebol com o CIF juntaram-se num misto alunos da Casa Pia de Lisboa e dos Catataus (era assim que se conhecia o Belém Football Club dos irmãos Rosa Rodrigues). Ganharam e decidiram comemorar a proeza no Café Gonçalves, na Rua de Belém. De repente, soltou-se a ideia, num brado de alguém: - E se fundássemos um clube novo? A ACTA QUE COSME NÃO ASSINOU POR... MODÉSTIA Depois do almoço, reuniram-se todos na Farmácia Franco, no outro lado da rua – e fundaram mesmo. Foi a 28 de fevereiro de 1904 - e assim nasceu o Sport Lisboa. Cosme Damião redigiu a acta e por modéstia não quis escrever nela o seu nome. Logo se acertou que presidente seria José Rosa Rodrigues, o mais velho dos irmãos Catataus; que o símbolo seria uma águia - «por significar elevação de propósitos, largo espírito de iniciativa e ânsia de subir o mais alto possível»; que a divisa seria Et Pluribus Unum - como apologia de união na comunhão de sentimentos. O major José da Cruz Viegas escolheu o vermelho e branco por «traduzir alegria, colorido e vivacidade e ser fonte de entusiasmo» - e compraram-se camisolas flanela na Alfaiataria Nunes e uma bola ao Cricket Club por 1500 réis. Problema, logo se viu, era a falta de campo decente. Os treinos foram-se fazendo numa faixa de terreno junto da linha de comboios para Cascais. Quando a CP exigiu a expulsão dos «footballers» através de uma ordem de despejo entregue pelo guarda da passagem de nível - e tudo piorou ainda mais. O Sport Lisboa procurou, então, guarida entre as Salésias e as Terras do Desembargador para os jogos e treinos montavam-se e as balizas – e depois desmontavam-se, havia um carpinteiro que recebia 50 réis pelo trabalho. Para o banho usava-se a água de um poço, havia um moço que a retirava com um balde e despejava-a pela cabeça abaixo dos jogadores. Januário Barreto fizera parte da equipa da Casa Pia que em 1897 quebrara a invencibilidade dos ingleses do Carcavelos no futebol que se jogava em Portugal. Não fundou o Sport Lisboa mas depressa aderiu ao projeto. Aliás, quando a Farmácia Franco passou a ser acanhada para tal e não havia sede disponível as reuniões eram no seu consultório médico da Rua Nova de Almada. Por isso, foi sem surpresa que, em novembro de 1906, se tornou o primeiro presidente eleito do SL, ficando com Manuel Gourlade a primeiro secretário, José Rosa Rodrigues a segundo e Daniel dos Santos Brito a tesoureiro. Elaboraram os primeiros estatutos, afanaram-se em trabalhos para adquirir o campo de jogos, mas em vão – e essa foi a razão porque, à entrada para 1907, o SL parecia condenado a colapso. Ou pior... NO QUE DEU O GAROTO ATROPELADO, À NOITE, JUNTO À CERCA… Sem o terreno da CP, na zona que constituía a cerca do quartel e que era também utilizada para exercícios militares de dois regimentos de tropa a cavalo, o Sport Lisboa passou a treinar-se às escuras, ao fim de tarde - e num desses treinos um garoto foi... «atropelado» (foi assim que a notícia surgiu no jornal) por António Rosa Rodrigues. Ficou com a perna fraturada – e o velho Catatau, o pai que tinha negócios de armação e pescas, proibiu os filhos de voltarem a jogar à bola assim, razão porque no SL se suspendeu toda a atividade. DOS DISSIDENTES DE BELÉM AO GLAMOUR DO SPORTING... Com os 550 mil réis que o avô lhe foi dando, José de Alvalade construiu no Lumiar, para o seu Sporting, o «melhor campo atlético de Portugal». O único problema era faltar-lhe equipa para o futebol. Ouvindo falar do que acontecera em Belém, lançou para lá o canto de sereia: que não oferecia apenas campo decente para treino e jogo, oferecia balneários com chuveiros banho quente de imersão, bolas novas, duas camisolas por desafio se chovesse - e no final de cada «match» soirées e chás dançantes com as senhoras mais ilustres da alta sociedade lisboeta. Sete jogadores do Sport Lisboa disseram-lhe que sim. Entre eles António Couto e Francisco dos Santos, que haveriam de ser o arquiteto e o escultor da estátua do Marquês de Pombal. Para o Lumiar foi igualmente Daniel Queirós dos Santos que haveria de chegar a presidente do Sporting – e os irmãos António e Cândido Rosa Rodrigues – só José, o mais velho dos Catataus, se escusou ao Lumiar. OS 27 MIL RÉIS QUE SALVARAM O SONHO QUE SAÍRA DA FARMÁCIA FRANCO… Outros, poucos, houve que não aceitaram o repto de José Alvalade – e, apesar da debandada dos demais recusaram-se a aceitar de ânimo leve sentença de morte ao Sport Lisboa. Para arranjar dinheiro para a inscrição no Campeonato de Lisboa, fez-se subscrição pública de emergência que rendeu 27 mil réis, graças sobretudo à boa vontade e à bolsa de Félix Bermudes, de Cosme Damião e de Manuel Gourlade, escriturário da Farmácia Franco, que chegou a ter 40 mil réis empenhados no SL, salvou o clube, não se salvou ele de morrer quase na miséria, por causa de «devaneios como esse», diria a família, depois... Antes do campeonato de Lisboa de 1907 arrancar, o Sporting fizera o seu primeiro jogo num torneio do CIF. Contra o FC Cruz Negra. Perdera-o por 1-5. O seu único golo, o primeiro da sua história, foi apontado por um jogador de ténis a quem José Alvalade pedira o favor de ir ao futebol: D. João de Vila Franca. Depois, Alípio da Motta Veiga, Octávio Teixeira Bastos e António das Neves Vital saltaram do Cruz Negra para o Sporting – e juntando-se ao «contingente de Belém» também eles defrontaram o Sport Lisboa – e ninguém imaginava que, nessa tarde, estava a começar o mais apaixonante derby de Portugal... AINDA SEM STROMP E DE BRANCO… O jogo com o Sport Lisboa, já a contar para o Campeonato de Lisboa, era para ser no Lumiar, não foi – foi no Campo da Quinta Nova, que pertencia aos ingleses do Cabo Submarino, o Carcavelos. O Sporting jogou todo de branco - e sem nenhum Stromp. O Francisco e o António ainda não eram da primeira equipa, o Francisco já entraria, porém, no derby seguinte... Cândido Rosa Rodrigues, um dos dissidentes do Sport Lisboa, fez o primeiro golo do Sporting, logo após o intervalo, Eduardo Corga empatou– e o que se segue é o que está, delicioso, na crónica de Os Sports: «Obtido esse resultado, eles marcham com mais energia, e o Sporting defende-se mal e com dificuldade, praticando novamente outras irregularidades. Quando todas as probabilidades lhe dão a vitória, cai uma bátega e o campo, alagado, não deixa caminhar a bola. Enquanto o Sporting abandona o campo, refugiando-se os seus jogadores nos balneários, o Sport Lisboa permanece quedo. Mister Burtenshaw, o árbitro, obriga-os a voltar e eles obedecem com visível má vontade. A chuva, tendo tornado frios os rapazes do Sport Lisboa, abate um pouco a sua energia e os adversários aproveitam-se e marcam novamente goal». A DERROTA COM TOQUE DE COSME DAMIÃO E O SPORTING… «BRUTALMENTE» Esse golo, o que deu ao Sporting vitória por 2-1, foi marcado na própria baliza por... Cosme Damião, quase à beira do fim – e o cronista (não identificado...) de Os Sports não deixou de notar a tropelia do destino: «Uma infelicidade - e precisamente do homem que mais estava lutando pela vitória e mais lutava na resistência à crise do Sport Lisboa»… sublinhando, por fim: «O Sporting, em grande parte, jogou butalmente. Os seus jogadores cometeram irregularidades em barda e neste género sobressaiu Albano dos Santos, jogador verdadeiramente perigoso». A talho de foice, ainda adiantou ao seu escrito: «O Sport Lisboa esteve muito bem, mas com muita infelicidade, talvez motivada pela enervação de se encontrar com um grupo formado por antigos irmãos, cuja recordação é um fel…» e rematou, poético: - Couto e Cândido são os sóis que iluminam o grupo. UM ERA INGLÊS, OUTRO SÓ PARECIA… Nessa altura, o futebol em Portugal era ainda dominado por ingleses que para cá tinham vindo em trabalho. Os «mestres» eram os do Cabo Submarino, os do Carcavelos. Mas havia outros, também havia a equipa do Braço de Prata, ainda antes da fábrica se tornar em fábrica de munições para o exército – e foi no Braço de Prata que Charles Etur apareceu a jogar. Saltou para o Grupo Sacavém e para o Gilman – e acabou no Sporting, foi o treinador desse primeiro jogo com o Benfica, pôs a equipa a alinhar assim: Emílio de Carvalho; Daniel Queirós dos Santos e José Belo; Albano dos Santos, António Couto e Júlio Nóbrega de Lima; António Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues e Jacob Eagleson, José da Cruz Viegas e Henrique Costa. Pode, pode parecer que sim, que nessa primeira vez houve um inglês no Sporting, que jogou todo de branco: Jacob Eagleson. Inglês não era, era filho de inglês – que viera para Sacavém contratado pela firma Graham & Cª e foi em Sacavém que Jacob nasceu. Além do futebol, destacou-se na natação e no... golfe, mas foi no cricket que se tornou estrela, estrela numa equipa do Sporting que contava também com Charles Etur e... José de Alvalade. DRAMÁTICO O DESTINO DO TREINADOR QUE DEIXOU DE APARECER… Foi Cosme Damião quem o contou, muitos anos depois, numa evocação em A Bola, a Cândido de Oliveira: - Tu não calculas o que era a figura desse rapaz, o Manuel Gourlade. Estou-o vendo: aparecia sempre equipado, por completo - da cabeça aos pés: kepi preto, camisa branca, calção preto, meias de futebol e botas também de futebol. Mas o que dava mais nas vistas era uma grande faixa sobre a camisa, a tiracolo, com as três cores da bandeira francesa. Não soubemos a princípio o seu nome. Começou a aparecer talvez no terceiro treino. do Sport Lisboa. Não jogava. Dava apenas uns pontapés. Conhecia muito bem as leis do jogo, os seus segredos. Tomou para nós, o papel de técnico do futebol... Gourlade era empregado da Farmácia Franco – e também de uma outra no Conde Barão. Treinador do Sport Lisboa se manteve até finais de 1908. De repente, deixou de aparecer no clube, no clube que já era Sport Lisboa e Benfica. Houve quem soubesse que por imposição da família, a família rica que não lhe aceitava o desbaratar de mais dinheiro na «loucura pelo football» - e fora isso que o fizera tomar a decisão que tomara. Anos depois, muitos anos depois, Daniel dos Santos Brito, um dos dissidentes do Sport Lisboa que saltara para o Sporting (e haveria de se tornar um dos seus principais dirigentes...) descobriu Manuel Gourlade em «situação de degradação física e económica» perdido pela cidade - e conseguiu que o acolhessem no Asilo d`Espie Miranda, em Campolide, onde morreu, a caminho dos 70 anos, em 1944. Para o primeiro jogo do Sport Lisboa com o Sporting, a equipa que Gourlade fez foi: João Carvalho Persónio; Luís Vieira e Leopoldo Mocho; Alves, Cosme Damião e Marcolino Bragança; Félix Bermudes, António Costa, Eduardo Corga, António Meireles e Carlos França. (Não, o Sporting não ganhou esse Campeonato de Lisboa de 1907/1908, ganhou-o o Carcavelos. O Sporting ficou em segundo lugar - e o Benfica em terceiro.) ...
Do Passado para o Presente Com novo Benfica-Sporting a caminho, regressa-se a 10 de fevereiro de 1935. Foi o dia do primeiro Benfica-Sporting para o campeonato. Mais do que recordá-lo apenas – o que aqui se faz é mostrar-lhe um país onde a hipocrisia se misturava com a moral de sacristia. Acabou num empate, campeão foi o Benfica - a treiná-lo estava Vítor Gonçalves. 40 anos depois, o filho, tinha o país a arder, no PREC, era Vasco Gonçalves. Na segunda volta, o Sporting ganhou – e na sua primeira vitória para o campeonato houve pé de um brasileiro de Águeda que depois viveria drama no Porto, o drama de ter de ir para a baliza do Sporting sofrer oito golos, perder por 10-1… Até essa época de 1934/35, Portugal não tinha campeão a sair de uma Liga – para além dos Campeonatos Regionais havia o Campeonato de Portugal disputado ao jeito do que é hoje a Taça. A ideia de mudança fora de António Ribeiro dos Reis, Cândido de Oliveira e Maia Loureiro – e resultara sobretudo de um choque telúrico, a derrota da seleção em Espanha por 9-0: - A goleada, no apuramento na o Campeonato do Mundo, deu motivo a ironias e grandes gozações, mas acabou por ser mal que veio por bem. O Campeonato de Lisboa era, realmente, um torneio cada vez mais desinteressante (o último, então, carregadinho de problemas, até perdera a dignidade), o Campeonato de Portugal era uma prova rápida, a eliminar, faltava de facto uma Liga, no qual as melhores equipas se defrontassem entre si, felizmente fez-se... O derby, o primeiro Benfica-Sporting para o campeonato nacional, foi à quarta jornada, no Campo das Amoreiras – e acabou num empate.Carlos Torres marcou aos 27 minutos para o Benfica, Mourão empatou aos 65. NA PRIMEIRA VITÓRIA DO SPORTING, O GOLO DO MÁRTIR DOS 10-1... Na segunda volta, o Sporting bateu o Benfica por 3-1 - no Lumiar. Foi a 31 de março de 1935. Um dos três golos marcou-o Rui Carneiro. Era de Águeda e aos 13 anos, os pais emigraram para o Brasil, ele foi com eles. Lançou-se no futebol no Palmeiras - e de um momento para o outro decidiu voltar a Águeda. Joseph Szabo descobriu-o no Recreio - e levou-o para o FC Porto: - Desgostoso com as rivalidades internas que se viviam no FC Porto, achei que o melhor era regressar a Águeda e quando estava a caminho, o Sporting chamou-me para o Lumiar... No Sporting esteve só essa época - e mais uma, a última deu-lhe lugar na história: avançado portista atirou, com a força do seu remate, Artur Dyson para o hospital, para o seu lugar, na baliza, foi Rui Carneiro, sofreu oito golos na histórica goleada do FC Porto ao Sporting: 10-1. Ainda passou pelo Belenenses - e de voltou a dar nova volta à vida: foi de novo para o Brasil, ainda jogou no Vitória da Bahia, tornou-se treinador de sucesso no Esporte Clube Vitória. Os outros golos da primeira vitória do Sporting sobre o Benfica? Um foi de Francisco Lopes, outro foi de Manuel Soeiro. Sim, por essa altura, Adolfo Mourão era a estrela no Sporting. Chegara ao Lumiar em 1926 – e ainda antes de fazer 17 anos já se tornara titular indiscutível na linha de ataque. Aliás, antes, no Carcavelos, onde se lançara como jogador, falsificavam-lhe a idade para o pôr a jogar na primeira categoria: - Como tinha 14 anos, não podia... Dirigente do Sporting vira-o num desafio entre a Casa Borges & Irmão e a Casa Bertrand, no Campo Grande – e desviara-o para lá. GINÁSTICA DE PIJAMA, PELA MADRUGADA... Aliás, no Sporting havia o Mourão – e já havia, em igual fulgor, o Soeiro. Na época anterior, voltando Joaquim Oliveira Duarte, comandante da marinha, à sua presidência, voltou Filipe dos Santos, que de lá escapara, antes em tremenda turbulência, ao seu comando técnico - e o levara para Espanha. Novidade foi passar a haver nos seus jogos do Sporting claque organizada. O Sporting ganhara o Campeonato de Lisboa – e o Campeonato de Portugal de 1933/34 (a que o FC Porto não concorrera por estar suspenso pela FPF) mas, no fundo quem o ganhou foi o Soeiro. A final fora com o Barreirense, fechou-se a 4-3 e graças aos seus quatro golos – falou-se, pela primeira vez num jornal, em... poker, o poker do Soeiro, do Manuel Soeiro Vasques. Nascera e crescera no Barreiro e lá vivia. Para além de jogar futebol, passou a explorar a tabacaria do Sporting, vendendo jornais, revistas, cigarros, charutos - e antes de Filipe dos Santos o descobrir, descobriu ele Filipe dos Santos: - Estava no Luso e via o senhor Filipe a dar ginástica aos jogadores, que encaravam aquilo quase como um sacrifício. Estabeleci um plano de campanha. Pela manhã cedo, seis horas normalmente, levantava-me, vestia o pijama e sozinho ia para o quintal imitar o que tinha visto fazer ao senhor Filipe. Saltava à corda, fazia flexões, movimentos respiratórios, corria, pendurava-me... Minha mãe ao ver-me exercitando — e começava logo na cama, com abdominais — dizia que eu era maluco, não saindo a nenhum deles! Mas não, foi assim que se me abriu caminho para o sonho de ser do Sporting, do Sporting do senhor Filipe... O GUARDA-REDES QUE NÃO QUERIA ALTERNAR... Nesse primeiro Benfica-Sporting para a Liga repetiu-se o que acontecera na final daquele Campeonato de Portugal de 1933/34: para a baliza leonina foi Jordão Jóia, que viera do Nacional da Madeira - e não Artur Dyson, o Dyson que já antes lamentara: - Não compreendo a atitude da Direção do Sporting, do nosso treinador. Chamaram-me para me dizer que alternaria com Jóia. Recusei. Não me importava absolutamente nada de ir para a reserva, mas andar a saltitar, isso não, não me parece bem. Ao Jóia só reconheço uma vantagem sobre mim: a atenção ao jogo. Sou, de facto, um jogador... distraído, por vezes nem me recordo de que estou a jogar! O treinador do Benfica, que do Benfica faria campeão da Liga de 1935/36, era Vítor Gonçalves, o pai de Vasco Gonçalves, o primeiro ministro que em 1975 incendiaria Portugal com o PREC – e o do Sporting era um romeno: Wilhelm Possak. Jogara no Timissoara, notabilizara-se no Ujpest e no Vasas de Budapeste e, já em final de carreira, apareceu, quase à aventura, no Lumiar. Joaquim Oliveira Duarte, sabendo do fulgor do seu passado, ofereceu-lhe contrato de jogador e de treinador. Essa Liga de 1934/35, a primeira da história, acabou ganha pelo FC Porto – com o Sporting em segundo lugar e o Benfica em terceiro. Ainda houve, nessa época, Campeonato de Portugal – e no Campeonato de Portugal, os sportinguistas vingaram-se dos portistas, afastando-os da final com 0-0 no Lima e 4-0 no Campo Grande. O PRIMEIRO BENFICA-SPORTING NA FINAL DO CAMPEONATO DE PORTUGAL Adversário na final do Campeonato de Portugal? O Benfica - e foi a primeira vez em que a final do Campeonato de Portugal se vez entre Benfica e Sporting. No Campo do Lumiar, perante mais de 30 mil espectadores - Óscar Carmona, o Presidente da República que tinha um neto que haveria de jogar futebol no Sporting, o Sporting de que ele era Sócio Honorário, chamou à tribuna de honra os finalistas, cumprimentando-os um a um e desejando-lhe «sorte e raça». Mourão fez 1-0, Lucas empatou - e Valadas pintou o título de vermelho. Campeonato de Portugal houve ainda em mais três edições. Na de 1935/36, o Sporting ganhou a final ao Belenenses. Na de 1936/37, o FC Porto ganhou a final ao Sporting. E na de 1937/38, o Sporting ganhou a última final da prova que deu lugar à Taça de Portugal ao Benfica - e o Benfica que perdera a primeira das quatros edições do Campeonato da Liga (que a partir de 1938/39 passou a denominar-se Campeonato Nacional da I Divisão) venceu as três seguintes. (E, com isso, campeão da Liga foi o que o Sporting nunca foi...) ...